20 de janeiro de 2018

Interpretação da capa de The Empyrean


Interpretação da capa de The Empyrean por Cidimar Lima, indo por um lado mais conceitual, onde as músicas estão ligadas à iconografia da capa e baseando na descrição da história do The Empyrean postada por John Frusciante.

Acho que a capa deve ser analisada de cima para baixo, pois as letras estão ligadas de acordo com as imagens... Também se deve ter em mente que foco principal está ligado a uma "força criativa", que constantemente cria e perpetua sua existência (John).

O castelo e as escadas: 

No caminho para fusão com a força, a vida material e interior (o flutuante, tal como determinado pela condição e o ambiente) ficará, por vezes, parecendo sem sentido, deixando uma sensação ociosa. O personagem principal "John" passa por extrema solidão (na segunda música e na primeira metade da quinta) e por vezes, acha que ele só pode se fundir com esta força após morrer.





Song To The Siren:
Destruído e abandonado nas suas rochasPois você canta"não me toque,Não me toque, volte amanhã"Ó, meu coraçãoÓ, meu coraçãoEstremece-se de tristezaEstou tão confuso quanto o recém-nascidoEstou tão agitado quanto a maréDevo permanecer entre as ondas...

Dark/Light:
Me fizeram pensar que nós chegaríamos à algum lugar por aquiAlgum dia nós iremos nos encontrar Numa canção, numa canção, numa canção?Algum dia você falará a todosSobre o certo e o errado?Algum dia você explicará a todosO significado da vida e da morte?Você precisa de mim ou está esperandoPelo meu último suspiro?Escute

Então fica claro que o caminho para o castelo, nada mais é do que uma confusão mental que o John passa... um especie de 'súbito', onde ele pensa que só vai conseguir encontrar a tal “força criativa” depois da morte!.

"John" morto: 

Na oitava música da história, uma espécie de suicídio ocorre, o que resulta em um renascimento. Poderia ser uma morte atual ou um estudo desnecessário de partes da personalidade. Em qualquer caso, um renascimento ocorre (músicas 9 e 10), no qual ele encontra-se preenchido com espanto em relação à vida.


Central:
Eu sou central a nadaPensando em varrer tudo emboraQuando escolhemos partir, estamos perdendo mais do que o que nos rodeiaEu fui até os lados desse universo da forma que ele existePara além dos limites de toda a existênciaOnde a luz nunca acaba...

One More of Me:
O sentimento veio do solAssim como quase tudo e todosO que parece perdido está livre da forçaQue lentamente nos destróiE mata toda a matéria...

After The Ending:
A dor passa pela vidaO outro lado do prazerO medo, alguns dizem, nos dá vidas tão longasNos leva onde estamos indoO tempo nascerá em breveEstá começando ao amanhecer...


Depois de contestar a “força criativa”, John vê que a força que ele tanto busca está no espanto com toda a vida em nossa volta e que cada amanhecer pode significar tudo que sabemos, um "estimulo" que nós faz criar. É que o ponto mais alto no céu é o potencial dentro dele...



"O que está além dele está dentro dele e dentro de cada um. E que os sentimentos dentro dele são perfeitamente adaptados às oportunidades para ser criativo aqui na terra. A tentativa de se juntar com a força é um desafio permanente que é um privilégio, os frutos que fazem toda a confusão do caminho do privilégio. Ele percebe que as formas em que a imaginação se encontra escondida dentro dele são guias e sinalizações para ajudá-lo a se fundir com a força, através de sua própria mente. Ele percebe que a confusão e a dor tem sido a maioria das causas que fazem sua vida útil e prazerosa como as coisas que ele confundiu por pura bondade. Tudo aqui contém sua contradição e, portanto, para cima e para baixo, esquerda e direita, para a frente e para trás, feliz e triste, prazer e dor, são duas coisas, que são uma. E todas as coisas que acreditamos ser separadas são uma coisa. A ilusão de separatividade é a causa da dor, e também é parte da causa de todas as obras de beleza que as pessoas tem criado."
- John Frusciante


Outras análises postadas pelos membros da comunidade John Frusciante Brasil no Orkut em 2010:

Daniel: "Dark/Light. O Josh é o começo do álbum até a metade de Dark-Light. A escada é a segunda parte. O céu é o restante do álbum. Esta escada em espiral eu relaciono com "I spin around the fortress" (Heaven) já que há uma espécie de castelo/fortaleza após. Eu interpreto o efeito "fade" ali entre as nuvens e a parte escura ("tinta escorrida") com Song To The Siren. Dentro do castelo acontece One More Of Me. O aspecto glacial é em referência a tudo antes do começo e a tudo após o fim (já que John Frusciante tem uma forte ligação com água, a trata como essência de vida - o que de fato é). Há quatro rostos na arte e na minha opinião elas são deus, sua imagem e semelhança + one more of me (há asas como todo deus empírico/mitológico). Há árvores como se imaginam ser do paraíso mas as assemelho com Central (John centraliza todo seu trabalho à natureza e à espiritualidade). Existem algumas nuvem escuras que dão a impressão de serem tempestuosas (próximas à escada) e fazem parte do auto-conhecimento de si ao morrer (pertubações, questões e o não reconhecimento do que está acontecendo + sofrimento). Existem mais nuvens perto das árvores que dá fortaleza, me dá a impressão de que há mais paz quando se está perto do deus empírico do que quando se está longe dele. As nuvens, ainda, me fazem criar a ideia de "pouca visibilidade" e posso ligar isto ao estado espiritual inciante da alma que deixou o corpo ("O que está acontecendo comigo?") e então tudo fica mais claro. Porém menos amplo. O corpo (Josh) aparece bem maior que o resto das coisas, acho que John quis passar a simplicidade da alma. Por último ainda arrisco dizer que aquela linha que liga a mão do ser empírico à mão de Josh é a fé: simples, fina, curta (em relação a distância do corpo e o céu) e com quebras ("a fé é questionável"). Por isso o nome "Empyrean"."

Felipe Marcarini: "Acho que a maior proposta e a que está mais na cara é a que há vida após a morte. O morto e a escada que vai além do céu para um castelo indicam isso. O castelo seria a vida após a morte.

Agora analisando cada detalhe, vamos começar pelo morto, que está na areia com uma caveira ao lado de sua cabeça, e eu achei que representaria uma divisão do corpo com a alma, ou seja, a caveira seria o corpo da pessoa morta e a pessoa que está ao seu lado seria sua alma intacta pronta para atingir o céu empírico.

Ainda no morto, ele está "enterrado", mas está pelado e não há caixão nem nada. Foi enterrado no bruto. Isso me sugere que a morte dele foi a pior possível, depois de uma vida péssima, o que significaria os rasgados em sua imagem. Também é possivel ver uma aliança em sua mão. Talvez não signifique nada ou talvez signifique.

Ao lado direito do morto, perto de seus pés, há duas madeiras que logo acima continuam chegando até um objeto que eu não consegui identificar o que é.

Chegamos na escada, que é o que leva até o castelo. O começo da escada parece ser feito com livros empilhados, parece que só alcança o céu empírico, quem tem sabedoria. e do lado parece ter uma pá como base da escada. Não entendi.

A escada fica numa parte azul mais escura da capa com gotas caindo e logo se vê que é um oceano. Isso sugere que para completar o caminho, você teria que ultrapassar um oceano, talvez signifique problemas.

Dentro do mar, ao lado esquerdo se vê um corpo com vários braços ao seu redor e asas que parecem ser de anjo. Há de corpos que parecem estar correndo. Eu acho que seria o morto atravessando o mar enfrentando suas personalidades e deixando apenas uma, fazendo as outras fugirem. Também dá pra ver o rosto do John e logo acima um rosto que me lembrou Jesus.

No canto superior esquerdo chegamos na superfície do mar, a espuma entre as pedras revelam. Existem arvores e um lugar totalmente com figuras recortadas. Acho que isso demonstra que cada um faz o seu próprio céu empírico com sua imaginação.

Ainda no canto superior esquerdo, tem uma montanha que tem uma alguma coisa lá no fundo, parecem torres de telefone. Ou talvez outro castelo.

As arvores seria o "paraíso" e o castelo fica acima das montanhas e das nuvens. Seria a entrada para este mundo. Na frente da porta vermelha do castelo, nota-se uma pessoa terminando de subir a escada indo em direção a porta. Seria o morto no fim de sua jornada. Ele alcança o céu empírico e vive no paraíso pra sempre."


Postado originalmente no Universo Frusciante em 11 de dezembro de 2009.

Nenhum comentário:

Postar um comentário