1 de abril de 2017

O segredo contido no Boss CE-1


Nosso contato com Dave Lee (ex-técnico de guitarra de Frusciante) vem resolvendo mistérios e agregando nas buscas insaciáveis para entender os timbres de John Frusciante. É fato que são inúmeros fatores que tenderam ao resultado final, isso desprezando a parte humana de Frusciante - que como disse o ex-técnico: "eu poderia não acreditar se eu não tivesse vivido isso, mas a maior parte do som dele estava em suas mãos". Dave é, provavelmente, a única pessoa que tocou com toda a parafernália usada por Frusciante durante a segunda estádia nos Red Hot Chili Peppers além do próprio - sendo totalmente capacitado para tratar do assunto.

Em um dos nossos recentes Dave Mail's, Dave Lee foi indagado por Teun Putker sobre os pedais que ele recomendaria para conseguir o timbre de Frusciante, a resposta foi a seguinte:
"Muitos engenheiros me perguntam isso. Eu diria que o mais importante para atingir aquele timbre é o pedal de chorus Boss CE-1. Aquele knob de "level" tem seu próprio tipo de estrutura de ganho. Aquele pedal, um Mesa Boogie Triple Rectifier (no canal limpo) o mais alto e limpo possível, uma Strat com captador do braço, explorando o knob de level no CE-1, muito ataque nas cordas, aí é possível."
- Dave Mail 46: Recomendações para o timbre de John Frusciante

São dois mecanismos do Boss CE-1: o knob de level que funciona independente do efeito de chorus ou vibrato estar ligado ou não, por ele ter sido primordialmente planejado para teclados a impedância de entrada do sinal é muito baixa e esse sistema age como um pré-amp que satura e pode reforçar o sinal - e a seleção de modo no pedal que possui o high (ativa o buffer de entrada do pedal) e o low (sem o buffer de entrada do pedal).

Grande parte dos guitarristas usuários do CE-1 o modifica por não apreciar a saturação proporcionada por esses mecanismos - o transformando em True Bypass ou modificando de outra maneira. Já com John Frusciante isso é diferente, ele aprecia esses mecanismos e fazia deles parte integral de seu timbre com os Red Hot Chili Peppers - e em partes da sua própria carreira solo -, moldando o som de toda a cadeia de pedais e de seus amplificadores utilizados no canal limpo (o CE-1 dividia o sinal entre o Marshall Major 200W e o Silver Jubilee 25/55 100W por todo o período da sua segunda estádia nos Chili Peppers).

"Acho que [o level] era perto de 2 horas. Ou geralmente entre 1 e 2 horas. Pelo que me lembro ele ficava no high."
Dave Mail 52: O level e o modo do CE-1 Chorus Ensemble


A importância do Boss CE-1:

Com o intuito de demonstrar estas funções, contactamos Guglielmo Galluccio (mais conhecido por Will Galluccio) para fazer um vídeo com o seu CE-1. Will foi pronto em colaborar e reafirmar a importância do pedal, com uma extensa cadeia de pedais plugada a um cabeçote Silver Jubilee 25/55, ele nos mostrou e falou mais sobre esse sistema importante para Frusciante - acione a legenda em português pelo YouTube:



Teoria de Blood Sugar Sex Magik

Após todas essas informações, uma nova teoria surge sobre o timbre da guitarra de Frusciante em Blood Sugar Sex Magik dos Chili Peppers:

É sabido que Frusciante passou a usar o DOD FX-65 no lugar do Boss CE-1 por algum motivo desconhecido em meados de 1990 e permaneceu com ele até sua primeira saída da banda em 1992. Com uma audição bem atenta do Blood Sugar Sex Magik é notório um chorus bem tênue em boa parte do álbum, junto a uma saturação semelhante a proporcionada pelo CE-1. Como o FX-65 promove uma saturação no timbre apenas ligado, isso leva a crer que Frusciante o deixou ligado em uma configuração bem sútil para obter algo próximo ao que conseguiria com o CE-1 - assim conseguindo o timbre que ele almejava.






Texto e pesquisa: Raphael Romanelli Andrade de Oliveira
Colaboração: Adam Viana (AVF - Effects)
Revisão e legenda: Pedro Tavares
Vídeo: Will Galluccio

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