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20 de novembro de 2020

John Frusciante está usando Ibanez WH-10 V3 modificado pela Wilson Effects


A JF Gear - página associada a JFeffects - trouxe com exclusividade a informação que John Frusciante está usando o Ibanez WH-10 V3 modificado pela Wilson Effects durante o trabalho no novo álbum do Red Hot Chili Peppers. O pedal pode ser visto no vídeo gravado por Chad Smith no estúdio Shangri-La nessa semana - assista aqui.


Ibanez WH-10 V3:

A Ibanez relançou o clássico WH-10 na versão V3 no final de 2019. A empresa afirmou que o pedal apresentava o mesmo circuito da versão original, contudo, com duas atualizações: uma carcaça de metal muito resistente (idêntica ao da V2 mas agora na cor preta) e um novo recurso de bypass comutável (true bypass ou buffer) - essa última atualização vem das criticas recebidas pelas versões anteriores do wah.


A modificação feita pela Wilson Effects:

Já a modificação feita por Kevin Wilson faz com que o V3 soe como o V1. Na sua opinião, o V3 é menos brilhante e possui menos punch, o que é resolvido pela remoção de alguns capacitores do circuito dessa versão que tem a mais que o original. O pedal é mantido em true bypass e a chave de bypass comutável é substituída por um controle de volume para escolher a quantidade de boost do efeito (aqui dando a possibilidade dele soar com o boost excessivo do V1 cinza ou o boost sútil do V1 preto). Há também alguns ajustes para o sweep do wah reproduzir fielmente o V1.

O pedal já modificado pela Wilson Effects custa US$ 215,00 mais o frete e apenas a modificação custa US$ 85,00 mais os fretes de ida e de volta para Guilford, em Indiana, nos Estados Unidos. O contato com Kevin Wilson pode ser feito pelo site da empresa (wilsoneffects.com/Contact.html) ou por suas redes sociais (www.facebook.com/WilsonEffects/ / www.instagram.com/wilsoneffects/).



Agradecimento: Bruno Portugal - John Frusciante Gear
Siga a John Frusciante Gear no Instagram: www.instagram.com/jfgear/

18 de novembro de 2020

Os pedais utilizados por John Frusciante no novo álbum do Red Hot Chili Peppers


Chad Smith postou no Instagram um vídeo mostrando suas caixas de bateria e fazendo uma rápida filmagem da sala em que o Red Hot Chili Peppers trabalha no novo álbum no estúdio Shangri-La. No vídeo, rapidamente, é possível ver partes dos pedais que John Frusciante está usando no estúdio com a banda. Especula-se que o novo álbum já esteja em processo gravação e que a produção está por conta de Rick Rubin - que também é proprietário do Shangri-La.



Pedais:

- Ibanez WH-10 V3 modificado pela Wilson Effects
- TC Electronic Mojo Mojo Overdrive (?)
- Boss SD-1 Super Overdrive (?)
- MXR Micro Amp
- Boss GE-7 Graphic Equalizer (?)
- Boss CE-1 Chorus Ensemble
- MXR Dyna Comp Mini (?)
- Boss DS-2 Turbo Distortion

Cabe lembrar que Frusciante está utilizando uma única guitarra no álbum - uma de suas Fender Stratocasters. "Eu tento fazer que essa guitarra soe de formas diferentes, soando de modo diferente em cada música. É uma desafio musical." - citação do músico em entrevista para Double J no final de outubro de 2020.



“Preciso de mais caixas, não é o suficiente. Mais caixas!”


Agradecimento: Bruno Portugal


9 de setembro de 2020

Ibanez TS-9: o pedal que passou despercebido pelos pés de John Frusciante

No dia 14 de abril de 1989, os Red Hot Chili Peppers subiram ao palco do Shafer Court na Virginia Commonwealth University para dar um show aos acadêmicos que lá estavam. O fotografo Ronan Chris Murphy registrou algumas imagens da apresentação e mesmo após 31 anos é possível notar algo inédito, e que ainda não esteve presente em nenhum relato na história ou nas pesquisas dos mais aficionados pelos timbres de guitarra de John Frusciante ou do Red Hot Chili Peppers. 

Nessa apresentação, Frusciante usou um Ibanez TS-9, ao lado apenas de um Ibanez WH-10 V1. Por faltar imagens dos outros shows da época, não podemos afirmar que esse pedal foi utilizado em outras ocasiões. Contudo, a história leva a crer que esse pedal tenha sido um presente da Ibanez para Frusciante junto ao Ibanez WH-10 e a duas ou três guitarras, esses últimos com seus usos relatados no álbum Mother's Milk de 1989. No começo junho de 1989, Frusciante já havia começado a usar as Stratocasters da Fender e quebrado as guitarras da Ibanez por um pedido de Anthony Kiedis e de Flea, mantendo apenas o pedal de wah-wah da marca - você pode ler mais sobre isso, clicando aqui.


Vídeo da apresentação em 14 de abril de 1989:



Após parar de usar o Ibanez TS-9, o conjunto de pedais mais conhecido de Frusciante na época foi formado pelo o Boss DS-2 Turbo Distortion, o Ibanez WH-10 V1 e o Boss CE-1 Chorus Ensemble - pedais que estariam quase sempre presentes na carreira dele ao lado da banda.

Agradecimento: Ronan Chris Murphy - RHCP Live Archive

26 de julho de 2020

Mosrite Fuzzrite: o fuzz da turnê de Stadium Arcadium e do álbum The Empyrean



O Fuzzrite, como o nome diz, é um pedal de fuzz desenvolvido por Ed Sanner e que foi fabricado pela Mosrite na década de 1960. A produção desse pedal começou em 1965 e até o inicio de 1966 foram fabricadas cerca de 250 unidades, com transistores de germânio, que são conhecidas como a primeira versão do pedal. Depois disso, os transistores de silício começaram a ser usados e deram origem a segunda versão do pedal. De acordo com Sanner, isso aconteceu após o guitarrista Leo LeBlanc notar que com a queda de temperatura o pedal com transistores de germânio não funcionavam tão bem, o forçando a reformular o pedal. Estipula que foram feitas alguns milhares de unidades da segunda versão do pedal com silício, até que ela foi substituída por um novo circuito em algum momento de 1968. A terceira versão do Fuzzrite manteve os transistores de silício, contudo, tinha todo o sistema encapsulado por um módulo laranja e foram produzidas 20.000 unidades dessa versão até que ele foi descontinuado na década de 1970.

A Mosrite nunca relançou o pedal em todos anos todos desde que a produção foi finalizada. Já Ed Sanner, que deixou a empresa em 1968, o aprimorou e o recriou algumas vezes ao longo dos anos e até chegou a produzir duas reedições do pedal - o chamado de Sanner Fuzzrite -, sendo a primeira na década de 1990 e a segunda em 2002. O Sanner Fuzzrite, em ambas as edições, teve componentes da década de 1960 usados em sua construção e o ao todo foram feitos cerca de 300 desses pedais.




MOSRITE FUZZRITE V1 (1965-1966): A VERSÃO USADA POR JOHN FRUSCIANTE

É consenso entre os guitarrista que estudam o timbre de John Frusciante que o músico tenha usado a primeira versão do pedal com transistores em germânio. Isso porque o germânio e o silício possuem características sonoras diferentes - apesar do germânio ser mais instável ao ambiente, ele é tido como o legitimo som de fuzz, "orgânico" e definido, por outro lado, o silício é exemplificado pelos sons invariáveis e agudos.

O Mosrite Fuzzrite V1 entrou nos pedais de John Frusciante na turnê de Stadium Arcadium, com o Red Hot Chili Peppers, em 2006 e 2007. Esse pedal foi amplamente usado nesses shows, sobretudo no primeiro ano da turnê, sendo responsável pela maior parte dos sons distorcidos de improvisações e solos - estando sozinho ou combinado com algum outro pedal (como MXR Micro Amp, ou o Boss DS-2 Turbo Distortion, ou o Electro-Harmonix Big Muff PI) e moldado pelo uso do Ibanez WH-10 V1.


Exemplos do Fuzzrite ao vivo podem ser ouvidas de maneira incisiva nas improvisações de inicio de show do Red Hot Chili Peppers (como na "Intro" de La Cigale) ou no solo de "Dani California" e, de maneira mais sútil, pode ser notado no solo de "Stadium Arcadium" no Rock In Rio de Portugal, mostrando a versatilidade desse fuzz.




Em estúdio, Frusciante usou seu Fuzzrite no álbum The Empyrean, com destaque na música de abertura “Before The Beginning”:
"Em “Before The Beginning”, usei um Holy Grail e um pedal Big Muff, e também um pedal Fuzzrite e um Boss Turbo Distortion."
- Guitar Magazine (Japão) - Fevereiro de 2009 
"[Em “Before The Beginning”] Toquei minha Stratocaster enquanto permanecia em frente a um Marshall, e provavelmente usei um Boss DS-2 Turbo Distortion e um Mosrite Fuzzrite, juntamente com o controle de volume da guitarra, para produzir sons que iam do levemente distorcido a explosivo. Utilizei ainda um wah-wah Ibanez WH-10 para obter feedback em diferentes frequências, e devo ter adicionado um pouquinho de reverb de um Electro-Harmonix Holy Grail."
- Guitar Player (Brasil) - Julho de 2009



FRUSRITE: O FUZZRITE V1 DA JOHN FRUSCIANTE EFFECTS

Hoje é quase impossível ter em mãos um Mosrite Fuzzrite V1 e, quando isso é possível, para tê-lo você deverá desembolsar uma quantia próxima ou igual a U$S 1.000 (algo acima de R$ 5.000). Devido a essa incapacidade, a John Frusciante effects resolveu a entrar em contato com uma handmade nacional para produzir um pedal o mais próximo possível da primeira versão do Fuzzrite, com componentes iguais ou os mais semelhantes possíveis encontrados nos dias atuais. Após análises e estudos do circuito de germânio, esse projeto tornou-se viável e um protótipo do pedal está sendo construída desde 07 de janeiro de 2021 e a previsão é que fique pronta em 15 dias.


FRUSRITE será o nome desse pedal, uma simples combinação de palavras que remete a FRUSciante e ao FuzzRITE.

O Frusrite irá possuir as mesmas especificações do original (com os controles de volume e depth) e com algumas melhorias de uso que em nada alterarão a base sonora efeito - sendo adaptado no sistema uma entrada para fonte 9 volts com plug P4 (o original só funciona a bateria 9 volts) e uma chave 3PDT para adição de um led e para que o circuito seja true bypass, não gerando alteração do timbre quando ele estiver desligado. Além disso, o pedal irá preservar o visual vintage do Fuzzrite em uma carcaça um pouco menor que a original.

A principio, o Frusrite tem previsão de pré-venda para o final desse mês e será feito uma série limitada e numerada de 20 pedais, sendo 18 destinados à venda por um preço honesto e acessível aos seguidores da JFeffetcs. A arte do pedal e o vídeo do protótipo serão liberados em poucos dias junto e logo em seguida será disponibilizada a pré-venda, fique atento.

Em caso de interesse em um exemplar do Frusrite ou para mais informações, entre em contato por meio do Instagram (www.instagram.com/frusrite/) ou do e-mail frusrite@gmail.com.




Pesquisa e texto: Raphael Romanelli


18 de julho de 2020

DOD FX65 V2: o pedal de chorus do Blood Sugar Sex Magik


O DOD FX65 Stereo Chorus foi produzido na versão inicial de 1985 a 1988 e na segunda versão de 1990 a 1997 - essas versões possuem estéticas diferentes e podem ser reconhecidas facilmente. O FX65 é um chorus analógico esteréo que oferece os controles de velocidade (speed), profundidade (depth) e tempo de delay (tempo de delay). Consta que o circuito do FX65 foi revisado pelo menos quatro vezes ao longo da produção do pedal, mas ele sempre apresenta o chip MN3007 BBD acionado por um chip MN3101 clock generator/driver CMOS; com três op amps (TL022, TL062, tipo 1458, ou tipo 358); e um ou dois trim pots internos dependendo da versão (dois na V1 e um na V2). É indicado o uso de fonte 10v (apesar dele funcionar em fontes de 9v) ou em bateria de 9v. Esse pedal foi descontinuado no final de 1997 e substituído pelo FX65B.




DOD FX65 V2 (1990-1997): A VERSÃO USADA POR JOHN FRUSCIANTE

John Frusciante apareceu usando a segunda versão do DOD FX65 no meio da turnê de Mother's Milk em 1990, substituindo o Boss CE-1 Chorus Ensemble. A recém lançada segunda versão do pedal o acompanhou até a saída do Red Hot Chili Peppers, sendo usada para gravar o álbum Blood Sugar Sex Magik em 1991. "The Power Of Equality", "Suck My Kiss", "Give It Away", "Under The Bridge", "Sir Psycho Sexy" e "Soul To Squeeze" são algumas da músicas que registram o som desse pedal.
"[No álbum Blood Sugar Sex Magik] eu dividi o sinal [entre os amplificadores] com um pedal DOD Stereo Chorus."
- Guitar Player - Outubro de 1991
Com uma audição bem atenta do Blood Sugar Sex Magik é notório um chorus bem tênue em boa parte do álbum, o que define a característica sonora sútil dessa versão do pedal. No álbum há uma saturação semelhante a proporcionada pelo CE-1 [leia mais sobre isso, clicando aqui!], que acontece porque o FX-65 mantém resquícios do efeito mesmo desligado e promove uma leve saturação no timbre em qualquer situação devido ao seu bypass e um buffer. De maneira efetiva esse chorus pode ser ouvido em "The Power Of Equality", no efeito semelhante a uma leslie em "Suck My Kiss", em "Under The Bridge", em "Sir Psycho Sexy" e em toda "Soul To Squeeze". Já em outras partes do álbum, Frusciante o mantinha ligado apenas para "colorir o som" - como em "Give It Away".

DOD FX65 V2 entre os pedais de John Frusciante na apresentação do
Red Hot Chili Peppers no Pinkpop Festival de 1990.

John Frusciante usou o FX65 ao vivo com o Red Hot Chili Peppers na metade final da turnê de Mother's Milk e em toda turnê de Blood Sugar Sex Magik. Esse período foi o único que Frusciante ficou sem o Boss CE-1 Chorus Ensemble na banda.




Nosso amigo canadense Alex Antúnez gravou duas amostras do seu DOD FX65 V2 com a participação de seu filho André de pouco mais de um ano.

Soul To Squeeze - Red Hot Chili Peppers


Suck My Kiss - Red Hot Chili Peppers


O DOD FX65 V2 possui placa própria e padronizada, o que resultou em um circuito padrão por toda sua produção. Em comparação com o seu antecessor, essa segunda versão soa com menos profundidade e menos intensidade - possuindo um som de chorus mais "orgânico" e tênue. O V2 foi produzido de 1990 a 1997 e na história é a versão com maior tempo de produção do pedal.




DOD FX65 - OUTRAS VERSÕES:

DOD FX65 V1 (1985-1988):

A primeira versão do pedal que foi fabricada de 1985 a 1988 e é uma atualização do DOD FX60 com um controle do tempo de delay. O tempo de delay dessa versão variou durante os anos de sua produção - em 1986 era de 2 a 6 ms e em 1987 era de 5 a 8 ms. O V1 pode possuir um (1988) ou dois trim pots (1987) internos enquanto seu sucessor apresenta apenas um trim pot. Por todo o ano de 1989 esse pedal ficou descontinuado e sofreu algumas revisões e atualizações, o que explica essa versão soar tão diferente da versão usada por Frusciante - a V1 possui mais intensidade e mais profundidade que a V2. Cabe citar que a primeira versão não teve uma placa única para o circuito, diferente da segunda versão que possui placa padronizada.





DOD FX65B (1997-1998):

Essa versão foi apresentada em 1997 e descontinuada no ano seguinte pela DOD. Com mais diferenças relatadas que entre as duas versões, o FX65B  possui três op amps JRC4560 e não possui qualquer trim pot interno. O tempo de delay desse pedal não é especificado no manual.











CIRCUITOS:
- V1:
Foto: Hobby-Hour

Foto: Leo Rota

- V2:

Foto: Alex Antúnez

Foto: Raphael Romanelli

- B:
Foto: Killall -9




Pesquisa e texto: Raphael Romanelli




20 de março de 2020

Os pedais de efeito usados por John Frusciante no Live In Hyde Park


Live In Hyde Park é o único álbum ao vivo lançado pelos Red Hot Chili Peppers. O disco é o conjunto da gravação de três shows feitos pela banda nos dias 19, 20 e 25 de junho de 2004, em Londres. Até a presente data não havia relatos sobre os pedais de efeitos usados por John Frusciante nessas apresentações - porém, com o escaneamento de uma das imagens do encarte do álbum, ficou claro os pedais usados pelo guitarrista nessas datas de junho de 2004.






Cale citar que ao lado do Boss CE-1 Chorus Ensemble havia mais um conjunto de pedais, eles usados por Frusciante para tratar o som do trompete de Flea - exclusivamente para isso - e, possivelmente, eram constituidos por um Line 6 FM-4 Filter Modeler e um Digitech PDS-1002 Digital Delay.




Pesquisa: Raphael Romanelli



9 de fevereiro de 2020

John Frusciante: os equipamentos usados na primeira apresentação com o Red Hot Chili Peppers


John Frusciante se apresentou pela primeira vez com o Red Hot Chili Peppers após sua volta em um evento em homenagem a Andrew Burkle nesse 08 de fevereiro de 2020. A banda tocou "Give It Away" e os covers "I Wanna Be Your Dog" do The Stooges e "Not Great Man" do Gang Of Four. Contudo, Chad Smith não estava presente por ter sua exposição de arte na Flórida, com isso, Stephen Perkins assumiu a bateria. Além de Frusciante tocar com o Jane's Addiction - ao lado de Dave Navarro - em "Mountain Song", ele também subiu ao palco para tocar com o Thelonious Monster junto a Flea e os integrantes do Fishbone, Angelo Moore e Norwood Fisher.




Guitarras:

Conforme já havíamos falado com exclusividade, Frusciante iria voltar a tocar as suas Fender Stratocasters. No evento haviam três das quatro guitarras verificadas por Dave Lee: a sunburst de 1962, a sunburst em dois tons de 1955 e a olympic white de 1963.




- Red Hot Chili Peppers
"Give It Away" - Fender Stratocaster de 1962
"I Wanna Be Your Dog" - Fender Stratocaster de 1955
"Not Great Men" - Fender Stratocaster de 1962


- Jane's Addiction
"Mountain Song" - Fender Stratocaster de 1962



- Thelonious Monster
???  - Fender Stratocaster de 1955




A Fender Stratocaster de 1963 ficou como guitarra de aquecimento no backstage - o que já era esperado, pois ela não é um instrumento que muito agrada Frusciante.




Pedais:

Essa é a parte de mais difícil identificação - por ser um show durante o dia, foi colocado uma fita preta em alguns pedais para que ela gerasse uma sombra e a visualização da luz do pedal quando ativado ficasse mais evidente. Além disso, não houve (até o momento) nenhuma foto especifica dos pedais usados por Frusciante e, por isso, o reconhecimento não é 100% preciso. Mas pelo que parece, tanto o Ibanez WH-10 e o Boss DS-2 Turbo Distortion perderam lugar após todo esse tempo.

- Boss TU-3 Chromatic Turner (?)
- Electro-Harmonix Holy Grail Reverb
- ???
- Xotic XW-1 Limited Edition
- ???
- Boss SD-1 Super Overdrive (?)
- MXR Micro Amp (?)
- Boss CE-1 Chorus Enseamble






Cabe citar que esses não são os pedais definitivos de Frusciante para a turnê - foram montados com base nessa apresentação de três músicas com a banda.





Amplificador:

- Marshall Silver Jubilee 25/55 com uma caixa 4x12.




Agradecimento: Felipe Freitas, Vinicius Furlan, Bruno Portugal, Adam Viana, Claudio Sampaio, Felipe (Made In Brazil) e Vitor Meireles.


8 de fevereiro de 2020

Frusciante revela a inspiração para o obi-wah de "Throw Away Your Television"


Em 2002, John Frusciante contou para a Q Prime que a inspiração para o obi-wah de "Throw Away Your Television" foi Frank Zappa. O efeito era obtido originalmente por Zappa por meio de um Oberheim Voltage Controlled Filter e foi feito por Frusciante usando um Line-6 FM4 no seu modo Obi-Wah (baseado no Oberheim Voltage Controlled Filter).


"Existe esse efeito de filtro sample and hold que eu uso. Quando eu era criança, era algo que eu costumava ouvir Frank Zappa usar em seus discos. Ele tinha um efeito chamado "filtro de controle de voltagem Oberheim", e eu queria muito um desses, mas não é um efeito muito comum, não é algo que se vê muito. Então, eu lia sobre ele usando um desses em revistas e eu escutava aquilo soando tão incrível, e eu nunca tive um. E recentemente, a Line-6 lançou esse efeito virtual, que simula 15 tipos diferentes de efeitos de filtro, e um desses filtros que ele simula é o filtro de controle de voltagem Oberheim, e eu usei-o nessa canção. Quando eu obtive o efeito, eu voltei a tocar do mesmo modo como tocava quando era adolescente, imitando o Frank Zappa. Simplesmente imitando o modo de tocar dele com a única coisa que eu sabia fazer com aquilo, mas eu decidi que precisava fazer algo com isso, algo novo que eu pudesse usar no nosso disco de alguma maneira que não soasse como uma imitação de Frank Zappa. Eu acabei usando o efeito em "Throw Away Your Television", e todos gostaram muito."
- Q Prime - 2002



Frusciante obtendo o efeito com o Line-6 FM4 em "Throw Away Your Television" (2:31):





Frank Zappa usando o Oberheim Voltage Controlled Filter:



30 de janeiro de 2020

John Frusciante usou uma Line 6 POD em To Record Only Water For Ten Days


John Frusciante revelou ter usado uma Line 6 POD na gravação de To Record Only Water For Ten Days, em entrevista para a Guitar de março de 2001. Frusciante não esclareceu em quais faixas a pedaleira foi usada, mas que a intenção era obter um som de "guitarra barata".



Com sua configuração de amplificadores Marshall disponível, Frusciante decidiu gravar em direct in a maior parte do álbum, com as partes diferentes tocadas numa pedaleira Line 6 POD. “Eu gosto muito de ter sons de guitarra barata” ele diz. “Mesmo em estúdios de verdade, eu as vezes plugo direto na mesa...”



Como Frusciante não especificou qual modelo era, vale lembrar que na época a Line 6 tinha a POD (lançada em 1998) e a POD 2 (lançada em 2000).




Tradução: Eloá Otrenti e Felipe Freitas
Fonte: Guitar - Março de 2001


13 de outubro de 2019

Digitech PDS-1002 - regulagens de 2002 a 2007


John Frusciante adicionou o Digitech PDS-1002 Digital Delay em seu pedalboard de shows para colocar no setlist "Don't Forget Me" em dezembro de 2001 - essa música foi gravada usando esse pedal ("Eu toquei [double picked] 16th notes, mas o eco está definido para onde ele está fazendo triplets. Essa música toda, aliás, é tocada somente nas cordas E (mizinha) e B (si)"). Em 2002 foi adicionado o Line 6 DL-4 Delay Modeler entre os pedays e até 2004 variavam de um a dois PDS-1002 - no Slane Castle eram dois PDS-1002.



Setup de 2002.


PDS-1002 quando era apenas um entre os pedais em 2002.



Slane Castle em 2003 - um PDS-1002 na parte inicial superior do setup (1) e outro ao
lado do Line 6 FM-4 (2).
PDS-1002 (1) - delay mais longo, provavelmente para "Don't Forget Me".
PDS-1002 (2) - slapback, provavelmente para "Throw Away Your Television" estava
na vertical ao lado do Line 6 FM-4.



Já entre meados de 2004 e 2005 apenas um Digitech PDS-1002 estava no setup, na chave para 125 milissegundos e com o minimo de repetições, ele era usado para "Throw Away Your Television" ou quando ele precisava de um delay slapback - há alguns que afirmam que "Don't Forget Me" fica melhor executada se combinado dois delays, um slapback e outro mais longo.

Configuração entre meados de 2004 e 2005.

Pedais utilizados por John Frusciante entre meados de 2004 e 2005.



Já para a turnê de Stadium Arcadium, Frusciante adicionou outro Digitech PDS-1002 com um delay mais longo e manteve o Line 6 DL-4.

Pedais utilizados por John Frusciante entre 2006 e 2007 - com algumas
variações.



O PDS-1002 regulado em 125 ms, manteve o delay time anteriormente usado, mas agora o número de repetições (regen) era mudado dependendo das canções do setlist e com o mix um pouco mais baixo. O regen em branco é, possivelmente, a configuração que John Frusciante usava durante os versos de "Tell Me Baby"; em vermelho é a configuração que era usada para "Throw Away Your Television"; e em amarelo, um delay com mais repetições, era usado para algum improviso ou uma música que necessitava de um slapback com mais repetições. Cabe lembrar, que em algum momento de 2007, ele foi substituído pelo Boss DM-2.




O PDS-1002 com a chave em 500 ms, manteve o tempo de delay central (em torno de 250 ms) e era usado em canções com o tempo de delay maior - bem semelhante ao atraso de "Don't Forget Me". 




Pesquisa e texto: Raphael Romanelli
As configurações foram retiradas de imagens e vídeos dos pedais de John Frusciante nas determinadas épocas.

1 de abril de 2017

O segredo contido no Boss CE-1


Nosso contato com Dave Lee (ex-técnico de guitarra de Frusciante) vem resolvendo mistérios e agregando nas buscas insaciáveis para entender os timbres de John Frusciante. É fato que são inúmeros fatores que tenderam ao resultado final, isso desprezando a parte humana de Frusciante - que como disse o ex-técnico: "eu poderia não acreditar se eu não tivesse vivido isso, mas a maior parte do som dele estava em suas mãos". Dave é, provavelmente, a única pessoa que tocou com toda a parafernália usada por Frusciante durante a segunda estádia nos Red Hot Chili Peppers além do próprio - sendo totalmente capacitado para tratar do assunto.




Em um dos nossos recentes Dave Mail's, Dave Lee foi indagado por Teun Putker sobre os pedais que ele recomendaria para conseguir o timbre de Frusciante, a resposta foi a seguinte:
"Muitos engenheiros me perguntam isso. Eu diria que o mais importante para atingir aquele timbre é o pedal de chorus Boss CE-1. Aquele knob de "level" tem seu próprio tipo de estrutura de ganho. Aquele pedal, um Mesa Boogie Triple Rectifier (no canal limpo) o mais alto e limpo possível, uma Strat com captador do braço, explorando o knob de level no CE-1, muito ataque nas cordas, aí é possível."
- Dave Mail 46: Recomendações para o timbre de John Frusciante

São dois mecanismos do Boss CE-1: o knob de level que funciona independente do efeito de chorus ou vibrato estar ligado ou não, por ele ter sido primordialmente planejado para teclados a impedância de entrada do sinal é muito baixa e esse sistema age como um pré-amp que satura e pode reforçar o sinal - e a seleção de modo no pedal que possui o high (ativa o buffer de entrada do pedal) e o low (sem o buffer de entrada do pedal).




Grande parte dos guitarristas usuários do CE-1 o modifica por não apreciar a saturação proporcionada por esses mecanismos - o transformando em True Bypass ou modificando de outra maneira. Já com John Frusciante isso é diferente, ele aprecia esses mecanismos e fazia deles parte integral de seu timbre com os Red Hot Chili Peppers - e em partes da sua própria carreira solo -, moldando o som de toda a cadeia de pedais e de seus amplificadores utilizados no canal limpo (o CE-1 dividia o sinal entre o Marshall Major 200W e o Silver Jubilee 25/55 100W por todo o período da sua segunda estádia nos Chili Peppers).

"Acho que [o level] era perto de 2 horas. Ou geralmente entre 1 e 2 horas. Pelo que me lembro ele ficava no high."
Dave Mail 52: O level e o modo do CE-1 Chorus Ensemble




A importância do Boss CE-1:


Com o intuito de demonstrar estas funções, contactamos Guglielmo Galluccio (mais conhecido por Will Galluccio) para fazer um vídeo com o seu CE-1. Will foi pronto em colaborar e reafirmar a importância do pedal, com uma extensa cadeia de pedais plugada a um cabeçote Silver Jubilee 25/55, ele nos mostrou e falou mais sobre esse sistema importante para Frusciante - acione a legenda em português pelo YouTube:




Teoria de Blood Sugar Sex Magik

Após todas essas informações, uma nova teoria surge sobre o timbre da guitarra de Frusciante em Blood Sugar Sex Magik dos Chili Peppers:

É sabido que Frusciante passou a usar o DOD FX-65 V2 no lugar do Boss CE-1 em meados de 1990 e permaneceu com ele até sua primeira saída da banda em 1992. Com uma audição bem atenta do Blood Sugar Sex Magik é notório um chorus bem tênue em boa parte do álbum, o que define a característica sonora sútil dessa versão do pedal. No álbum há uma saturação semelhante a proporcionada pelo CE-1, que acontece porque o FX-65 mantém resquícios do efeito mesmo desligado e promove uma leve saturação no timbre em qualquer situação devido ao seu bypass e um buffer. De maneira efetiva esse chorus pode ser ouvido em "The Power Of Equality", no efeito semelhante a uma leslie em "Suck My Kiss", em "Under The Bridge", em "Sir Psycho Sexy" e em toda "Soul To Squeeze". Já em outras partes do álbum, Frusciante o mantinha ligado apenas para "colorir o som" - como em "Give It Away". Para saber mais, clique aqui!






Texto e pesquisa: Raphael Romanelli Andrade de Oliveira
Colaboração: Adam Viana (AVF - Effects)
Revisão e legenda: Pedro Tavares
Vídeo: Will Galluccio
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