25 de junho de 2017

Red Hot volta mais picante e correndo riscos - Março de 2006


O Jornal Folha de São Paulo entrevistou John Frusciante em Los Angeles como parte da divulgação do álbum Stadium Arcadium, a entrevista foi publicada na edição de março de 2006.


01/03/2006

Red Hot volta mais picante em seu novo álbum

LÚCIO RIBEIRO
Colunista da Folha de S.Paulo, em Los Angeles


Você pode imaginar o U2 fazendo música eletrônica (fez), o Green Day transformando o punk em ópera (transformou) ou a Ivete Sangalo cantando rock'n'roll em cima de um trio elétrico (cantou). Mas é bem difícil pensar no grupo funk-punk-rap-metal californiano Red Hot Chili Peppers lançando um disco, por exemplo, que não soe... Red Hot Chili Peppers.

Mas isso vai mudar em maio, quando chegar às lojas "Stadium Arcadium", novo CD dos Chili Peppers, o nono álbum de uma turbulenta carreira de mais de duas décadas.

O disco "Stadium Arcadium" pega a banda em uma fase "limpa, iluminada, vendo coisas que nunca pode ver antes", como definiu à Folha o guitarrista John Frusciante, 36 anos, em entrevista num luxuoso hotel da famosa Sunset Boulevard, que aconteceu logo depois de uma audição de 20 das 25 faixas que farão parte do próximo disco. "Stadium Arcadium" é um álbum duplo.

John Frusciante é o cara, neste novo e "diferente" disco do Red Hot Chili Peppers. É sua guitarra que leva "Stadium Arcadium" para longe de ser um mero disco dos Chili Peppers, com músicas ora melosas, ora rap metal comandadas pela voz de Anthony Kiedis e pelo baixo estourado de Flea.

Numa primeira ouvida, "Stadium Arcadium" mostra uma banda menos melosa que no disco anterior ("By the Way", 2002) e um Frusciante musicalmente solto, experimentando dentro do funk rock que é a marca indelével do grupo. Por mais estranho que isso possa soar a um admirador dos Chili Peppers, em muitas das faixas do disco duplo Frusciante vai com seu instrumento de Santana a Prince, passando por Jimi Hendrix e Kurt Cobain.

Quanto ao momento "iluminado" a que Frusciante se refere, o termo deve ser um sinalizador de que a banda está conseguindo se manter longe das drogas, um elemento tão presente no RHCP quanto o baixo de Flea e os shows em que tocaram pelados.

Se bem que o discurso "agora estamos limpos, entramos finalmente nos eixos, os anos passados foram muito conturbados" se segue a cada lançamento de um novo disco dos Chili Peppers.

De todo modo, não tem muito tempo, o vocalista Anthony Kiedis lançou em livro suas memórias ("Scar Tissue - A Vida Alucinada do Vocalista dos Red Hot Chili Peppers", Ediouro), em que publica, entre outras coisas, fotos da primeira vez que fumou maconha. Aos oito anos. Fotos essas que foram tiradas pelo pai, que forneceu a "marijuana" ao menino Kiedis. O pai de Kiedis, conta o livro, era traficante.

Já Frusciante teve refeita toda a parte superior de sua arcada dentária, que caiu podre por causa de uma fase quase sem volta no vício em heroína e outras drogas pesadas, no final dos anos 90.

Limpos

"Sim, estamos limpos. Não que tenhamos nos livrados totalmente de nossos demônios. Mas nossas vidas agora estão aparentemente sob controle", revelou o guitarrista, na entrevista que segue completa no texto abaixo.

"Stadium Arcadium", talvez outro indicador dessa fase "limpa", marca o terceiro álbum consecutivo dos Chili Peppers em que a banda repete a mesma formação, em 20 anos de carreira.

O fato coincide exatamente com a volta de Frusciante à banda, em 1999, para as gravações do CD "Californication", que foi sucedido por "By The Way" (2002).

O álbum novo, na cabeça de Kiedis, era para ser uma trilogia, sendo lançado o primeiro agora e os outros dois em um espaço de seis meses de diferença um do outro. A banda entrou no estúdio com 36 músicas prontas, mas até agora só 26 delas passaram pela aprovação final do grupo. Então a idéia imediata da trilogia foi abandonada, segundo Frusciante.

A proposta da banda passou a ser, então, lançar um álbum duplo com 25 músicas. E as restantes devem entrar como bônus na comercialização do disco no iTunes e em diferentes versões do CD lançado nos principais mercados fonográficos do mundo.

Amiguinha imaginária

"Stadium Arcadium" tem a produção assinada por Rick Rubin (System of a Down, Beastie Boys). O primeiro som a emergir do novo álbum dos Chili Peppers é "Dani California", música que será lançada em single no começo de abril, um mês antes do CD. Dani, a personagem da canção, é uma "amiguinha imaginária" de Anthony Kiedis, que já havia aparecido na letra da música "By the Way", sucesso do disco anterior, e da canção "Californication" (onde Dani é citada, mas não nominalmente).

"Dani California", a jovem amiga pura que não tem idéia dos diabos que cercam Kiedis, segundo canta o vocalista, mas também um jeito mais "humano" de Kiedis se referir à sua Califórnia ("California rest in peace, California show your teeth"), é uma balada suingada até chegar seu refrão explosivo. E tem previsão de aportar nas rádios no final de março.

O vídeo da música foi filmado há duas semanas e mostra a banda interpretando a história do rock desde os anos 50 até hoje, segundo descreveu Frusciante. Foi filmado por Tony Kaye, que dirigiu o filme "American History X". E, assim, faz todo o sentido com o momento "guitarristas históricos" pelo qual atravessa o iluminado John Frusciante.

A banda começa a pegar estrada em maio, com shows pela Europa que incluem o Rock in Rio realizado em Lisboa (3 de junho).

Está prometida uma excursão sonora para a América do Sul, mas talvez não ainda neste ano, pelo aperto na agenda. Possivelmente no começo do próximo ano.

Os Chili Peppers já tocaram quatro vezes no Brasil, três em São Paulo. A primeira foi no Hollywood Rock, em 1993, o famoso "festival do Nirvana". Em 2001, fecharam o Rock in Rio 3, tocando para 250 mil pessoas, na noite mais lotada do evento.

01/03/2006

Decidimos correr riscos, diz John Frusciante

LÚCIO RIBEIRO
Colunista da Folha de S.Paulo, em Los Angeles


A fama de os Red Hot Chili Peppers serem sempre "chatos" no trato com a imprensa veio à mente na hora em que John Frusciante apareceu num "bangalô de entrevistas" no hotel Chateau Marmont, um em que Jim Morrison (Doors) já dançou bêbado no telhado. Frusciante entrou esbaforido e com cara de poucos amigos em um dos quartos onde estava a reportagem da Folha.

Em uma ação que durou no máximo um minuto, cheirou o ar, saiu, entrou de novo, saiu de novo, reclamou em voz alta do carpete "fedido", invadiu um outro quarto que não estava "arrumado" para entrevistas, deitou na cama, tirou o tênis, pediu para a assustada assessora sair e falou: "Pode começar. Você se importa de eu ficar assim, deitado?".

Agora que Stadium Arcadium ficou pronto, bateu o cansaço?
"Não está pronto ainda. Falta mixar quatro, cinco músicas. E talvez mudar umas outras. Mas não posso nem pensar em ficar cansado agora. Com um CD prestes a ser lançado, esta é a hora de a correria começar."

Em que você acha este novo diferente dos discos anteriores?
"Ele é muuuuito diferente. Não sei pelos outros da banda, mas estou bem entusiasmado com as guitarras de "Stadium". Dos CDs dos Chili Peppers dos quais participei, este é de longe o melhor, feito com mais inspiração, correndo mais riscos sem que ninguém parasse para questionar: "Ei, tem certeza de que assim é o melhor jeito?". Deve ser porque a banda parece se encontrar mais tranqüila, com mais luz do que nas trevas passadas..."

Esta é a primeira vez em 20 anos que os Chili Peppers repetem a mesma formação em três álbuns consecutivos. A banda resolveu os problemas do passado?
"Sim, estamos limpos. Não que tenhamos nos livrados totalmente de nossos demônios. Mas nossas vidas estão aparentemente sob controle. Estou vendo coisas que nunca pude ver antes, enxergando mais caminhos para a minha música. Acho este disco muito mais inspirado, iluminado. Estou tão excitado com ele que nos shows, se pudesse, nem tocaria músicas velhas."

Minha primeira impressão do álbum novo é a de que está menos cheio de baladas, como o By The Way (2002, o disco anterior), e mais dividido em hard rock e músicas com guitarras elaboradas.
"Com este novo disco, eu me sinto uma pessoa melhor. Estou conseguindo coisas que prometi para mim mesmo que lutaria por elas, que era me focar, me refugiar na música que eu faço. E "Stadium" reflete isso. O disco anterior talvez seja mais devagar porque ele reflete uma escuridão que eu vivia. Agora me senti capaz de explorar todas as camadas de sons que me formaram culturalmente. Ele não é só quatro caras tocando numa sala, como eu acho que "By the Way" era. "Stadium" é consistente, tem várias camadas, você ouve uma vez ele é um, outra vez e ele já é outro. Ele é experimental demais."

A turnê passa pelo Brasil?
"Óbvio que sim. Não sei se neste ano, porque a gente começa uma série de shows na Europa em maio e depois tem a turnê americana. Mas na América do Sul é onde estão os mais entusiasmados e loucos fãs dos Chili Peppers. O público dos EUA vai nos ver ao vivo e fica reservado, assistindo ao show. Na América do Sul eles são parte do show."


Fonte: Folha Online 1 / Folha Online 2

24 de junho de 2017

John Frusciante querendo ouvir The Getaway - e a relação com os Chili Peppers!


Há um ano os Red Hot Chili Peppers lançavam o álbum The Getaway. Como é de praxe, para a divulgação do trabalho muitas entrevistas foram realizadas, junto a elas uma enorme onda de perguntas sobre John Frusciante foram direcionadas a Anthony Kiedis, Flea, Chad Smith e, principalmente, ao herdeiro do cargo, Josh Klinghoffer.




Anthony Kiedis

- La Viola - Junho de 2016



Entertainment Weekly - 21 de junho de 2016
Após entrar e sair, o guitarrista John Frusciante deixou a banda em 2009 e foi substituído por Josh Klinghoffer. Você tem falado com John recentemente?

"Não tenho falado com o John recentemente. Mas escutei algo positivo e adorável, que era sobre ele estar querendo escutar o disco. Isso me deixou feliz, escutar que: (a) ele se importou e (b) que não havia nenhum tipo de rancor no ar. Quando John saiu foi uma grande perda, porque ele é um parceiro de composição brilhante e simplesmente um grande ser humano musical. Mas isso também abriu a oportunidade de termos alguém novo. E muitas vezes o sangue novo cria uma nova química e talvez lhe dá aquela injeção de energia na bunda pra te manter seguindo por outros cinco ou dez anos."

Como os Chili Peppers mantiveram uma relação de trabalho frutífera por tanto tempo?

"Nunca tivemos nenhuma confusão sobre que tudo deve ser igual: a partilha do trabalho, do dinheiro, da alegria, da dor. Esse foi um grande passo na direção certa para termos o potencial para a longevidade, porque muitas bandas brigam: "Ei, eu escrevi isso!" Temos amor e respeito uns aos outros; nós brigamos regularmente. Nossas atitudes, nossos humores e nossos egos entram em conflito - mas conseguimos superar isso. Somos capazes nos virar. Flea e eu somos como irmãos. Eu acho que o relacionamento nunca vai acabar não importa o motivo, porque você não consegue abandonar seu irmão. Você simplesmente não consegue."

Journal de Montreal - 23 de julho de 2016
Josh está na guitarra, ele está de maneira definitiva no Red Hot Chili Peppers ou a porta está ainda aberta para um retorno de John Frusciante?

"Ha! Ha! Ha! Gostaria apenas de dizer que não há porta. Isto não é necessário. Acho que ele está feliz com o que ele fez e estou extremamente feliz com o que estamos fazendo com Josh. Ele é um músico incrivelmente criativo e inspirado. Sempre serei grato por ter feito música com John. Este é um dos grandes roqueiros. Mas ele não sente falta. "

Você já ouviu falar dele recentemente?

"Não, mas eu ouvi algo positivo, que ele queria ouvir o álbum. Eu pensei que seria o oposto. Isso mostra que ele se preocupa com a gente. Eu prefiro assim." 

- Qmusic - Novembro de 2016
"Nós efetivamente excursionamos com [Josh Klinghoffer] no Stadium Arcadium, pois ele foi o nosso guitarrista de apoio em algumas partes da turnê. John [Frusciante] queria uma guitarra extra para partes rítmicas e coisas assim, então tivemos uma prova do Josh na era de Stadium Arcadium."

Quando perguntado sobre ter que substituir Frusciante, Kiedis disse que ele sabia que seria um desafio.

"É sempre uma chatice."

Ele acrescentou: "É sempre como rolar os dados. Poderia ir bem, poderia ir mal, você não sabe, mas sabíamos que Josh era um músico descontroladamente dedicado, tanto nas composições e no estúdio, como em turnês. Sua vida é dedicada a música, mais do que qualquer pessoa que eu saiba o bastante. Ele era uma aposta relativamente segura para nós, [mas] não éramos necessariamente uma aposta segura para ele. Quando oferecemos para Josh o trabalho, ele foi tipo, 'Está okay se eu pensar sobre isso por uma semana?' - e eu, 'Sim, você deve pensar sobre isso por uma semana'."

"Fiquei agradavelmente surpreendido, isso o fez parecer mais inteligente para mim, porque se ele dissesse que 'sim' sem pensar, talvez seus motivos não tivessem sido tão claros. Mas para ele pensar, se isto seria o que ele realmente queria dedicar a sua vida a fazer, eu poderia ter certeza de que ele estava certo disso." 

- The Woody Show - Março de 2017
"Eu apenas diria por meio de magia. Não pensamos muito nisso, não ficamos excessivamente analíticos. Eu penso que apenas deixamos o espírito seguir, e prestamos atenção ao longo do caminho. A vida é inspiradora, a dor é inspiradora, as mudanças no mundo são inspiradoras, a natureza é inspiradora. Também tivemos sorte, e muitos acidentes imprevistos aconteceram ao longo do caminho.

Tivemos o grande John Frusciante tocando música conosco durante anos. Um dia, ele se levantou e foi embora. Ele foi tipo: 'Certo, eu já estou cheio de fazer essa coisa de rock and roll' e nós: 'Ok, compreensível.' 'Josh [Klinghoffer], você se importa de tocar guitarra conosco?' E então tivemos todo esse novo reservatório de sangue derramado em nossa existência, e isso inspirou mais dois discos. Isso simplesmente continua acontecendo ao longo do caminho." 



Flea

- Folha de S. Paulo - 10 de junho de 2016
"Eu aprecio o amor que as pessoas têm por ele. Eu amo John, é meu amigo. Mas ele não está mais interessado nisso. Ele só quer se divertir fazendo as coisas do jeito dele", diz Flea. Frusciante declarou que não vê mais espaço para ele na "música comercial".






Chad Smith

Rolling Stone - 20 de junho de 2016

Você fala com John Frusciante?
"Não tenho falado. Uma vez ou outra ele me manda uma mensagem ou um e-mail ou algo assim. Eu sei que o Flea encontrou com ele recentemente e eles passaram um tempo juntos. Mas eu não tenho tido muito contato. Ele está fazendo as coisas dele. Eu amo o John. Ele é um dos músicos mais incríveis com quem eu já toquei. Fico muito feliz que ele esteve no nosso grupo. Mas eu acho que ele está feliz fazendo as coisas dele, o que ele quer fazer, e isso é ótimo. Eu quero que ele seja feliz."



Josh Klinghoffer


- Jornal Metro - Julho de 2016
Falando desse "não gostar", você se cansa da constante comparação com John Frusciante? 

É claro, fico entediado. Com essa observação, é uma honra fazer parte desse grupo, e uma honra ser mencionado no mesmo contexto que Frusciante. Mas todas essas comparações são absurdas. Sério, a pessoa que tenta nos comparar, é uma coisa idiota. Porque somos duas pessoas completamente diferentes. Eu nunca tentei imitar seu estilo. E, é claro, eu não estava tentado tirá-lo da banda.

Acho que você já respondeu essa pergunta repetidamente, mas como você conheceu Frusciante? 

Depois de Bob Forrest, eu toquei com ele. Com a ajuda dele, eu conheci o resto do Red Hot Chili Peppers.

Você tem tido boas relações com John desde que ele saiu da banda? 

Elas não são boas e não são ruins. Eu diria que não há muito de uma relação no momento. Entre nós, em um certo momento, houve um tipo de vazio - ele tentou se distanciar do grupo o máximo possível, e eu, ao contrário, tive que aprender a viver nele. Nós não brigamos, só que de alguma maneira nossos caminhos se separaram. Eu acho que um dia nós iremos novamente nos comunicar bem.

Mas você esteve com ele no mesmo projeto conjunto maravilhoso, Ataxia, por que não continuaram trabalhando nisso? 

[Nós não paramos, porque você nunca para o que não começou.]* Nós gravamos dois álbuns - cada um com cinco músicas - por semana. Então o baixista (Joe Lally) foi pra Itália com sua família. John voltou pro RHCP, e eu comecei a trabalhar com outras pessoas.

Você gostaria de compor algo novamente com Frusciante? 

Sim, definitivamente.

- La Tercera - 03 de julho de 2016
Apesar do tempo decorrido, você sempre é comparado a John Frusciante. Foi muito difícil encontrar seu próprio lugar na banda?

"Não foi difícil para mim. Como eu disse, desde que entrei, meus companheiros de banda foram muito acolhedores e muito abertos a minha entrada, meus sons e minhas opiniões sobre música e sobre tudo. Eu nunca poderei agradecê-los o suficiente, mas sobre o que as outras pessoas pensam, eu não tenho controle sobre isso. Eu sei que há pessoas que estão sempre me comparando ao John [Frusciante], o que é ridículo. Eu não sou ele.

Eu não me tornei um guitarrista da mesma maneira que ele se tornou. Ele estudou muito meticulosamente desde quando era muito jovem. Ele se tornou um guitarrista incrível, e ele se concentrou em um instrumento específico. Eu não fiz isso. Eu era um baterista e eu peguei a guitarra quando eu não queria mais tocar bateria. Eu não leio muito as coisas na internet, mas eu sei que há muitas discussões sobre esse assunto. É bom que as pessoas estejam interessadas em falar sobre música, mas eu tento ficar longe disso."

- Daily Record - 30 de agosto de 2016
"Eu ainda continuo a ser criticado. A internet é um lugar assustador. Você não consegue deixar de notar algum comentário ruim no YouTube quando vai assistir um vídeo de alguma performance ao vivo sua ou ver alguma filmagem de como a banda costumava tocar certa música.

Existem muitos ótimos vídeos também mas é engraçado como as pessoas podem ser tão insensíveis e achar que significa alguma coisa eles postarem seus comentários negativos na internet.

Na minha mente, quando o Flea me pediu pra entrar na banda, eu considerei tudo - inclusive todas as críticas que eu poderia receber das pessoas que são devotadas ao meu antecessor.

Você tem que ficar lembrando a si mesmo que tudo isso é um faz de conta e que isso não reflete a maneira como todos realmente pensam - seja positivo ou negativo. É por isso que estamos num clima político tão estranho.

As pessoas não tem senso de atenção e reagem de maneira estranha a comentários extravagantes. Veja Donald Trump. Isso é outra piada que se não for levada a sério pode se tornar um grande problema para todos nós. Felizmente, isso não irá acontecer e todos nos iremos manter a cabeça fria, e as mentes mais calmas prevalecerão. É tudo uma bagunça."

- Pirate Rock 95.4 - Setembro de 2016
"John Frusciante sempre foi um dos meus guitarristas favoritos, o que é estranho, pois eu toco na mesma banda em que ele tocou."

"Ele está fazendo sua própria música em casa. Ele e eu não nos falamos há anos, pelo fato de ambos estarmos fazendo coisas que o outro quer estar distante. Se eu vou estar nessa banda, já é o suficiente que eu tenha que subir num palco e tocar as canções escritas por alguém que era tão próximo de mim, e fazê-las ficarem do meu jeito. Do mesmo jeito pra ele, ele queria ficar distante dessa banda. Se ele e eu estivéssemos nos falando o tempo todo, seria muito difícil pra ele manter distância da banda."

"Eu acho que iremos nos falar um dia, eu ainda tenho todo o amor que eu sempre senti por ele, eu só acho que para o bem de nós dois, nós precisamos não estar de frente com o que o outro faz. Não vou nem falar do fato que tenho certeza que muitas pessoas gostariam que ele estivesse aqui, e não eu. Se eu estivesse falando com ele toda noite, seria estranho."

- La Razon - 28 de setembro de 2016
Não é uma tarefa fácil quando tem três décadas de história e você entra no trem já em movimento, como no caso de Klinghoffer, que substitui o lendário e instável guitarrista John Frusciante.

"Não, claro. As pessoas esperam algo em particular de você, mas eles não são capazes de explicar o que é, essa vibração que só Anthony Kiedis e Flea podem obter e ninguém mais. Propus minhas idéias sem medo, embora seja verdade que algumas estavam longe de ser o padrão do grupo. Claro, as mais distante foram rejeitadas, mas há um par de músicas do álbum que veio de minhas propostas."

Frusciante escreveu algumas linhas de guitarra memoráveis.

"Sim, e eu não estou cansado de pessoas me perguntarem sobre ele, embora eu não sei o que dizer. Eu só... Eu faço o melhor que posso. Eu acho que parte da minha contribuição também tem sido algo pessoal. As três pessoas que compõem a banda por muitos anos gostam do que fazem, acho que agora, pelo menos de verdade. E isso é o que faz as coisas funcionarem."

- Gitarre & Bass (Alemanha) - Novembro de 2016
Você tinha 17 anos quando se tornou um músico profissional. Abra seu coração: você em algum momento tinha sonhado em tocar em uma banda como os Chili Peppers?

"(Risos) Não, nunca. Você tem de se lembrar como tudo aconteceu. Eu era amigo de John Frusciante e toquei com ele em seus álbuns solo. Depois, eu toquei como guitarrista de apoio para os Chili Peppers e fiz a turnês com eles. Então, John decidiu deixar a banda e eles me convidaram para se juntar a eles. Eu acho que foram um monte de coincidências das quais eu jamais sonharia. Sabe, é impossível. Eu estava no lugar e na hora certa, em várias ocasiões."

Você ainda mantém contato com John?

"Não. Nós dois estamos muito ocupados. Honestamente, seria muito estranho, eu, tocar com os Chili Peppers e ainda conviver com John. Eu acho que pra ele, isso não rolaria de forma natural também. É melhor manter uma distância, na minha opinião."

Mas vocês eram melhores amigos. Certo?

"Sim, com certeza. Na vida particular. Mas não são meus planos ficar sem falar com ele até o dia em que eu morrer. Nós decidimos trilhar caminhos diferentes. Seria estranho se eu e ele conversássemos pessoalmente. Especialmente para mim, que tive alguns problemas com este novo álbum. Eu não posso ligar pra ele para reclamar "disso ou aquilo" e contar como eu me sinto mal a respeito de certas coisas. Por que mostrar minhas fraquezas? Por que ele deveria ouvir isso? E o quanto doloroso isso seria para ele? Eu acho que nos deveríamos por as coisas às claras entre nós."

Você se imagina tomando uma decisão radical como a que John tomou de sair da banda para gravar um álbum solo algum dia?

"Não faço ideia (risos). Eu acho que ele teve mais razões para sair da banda, além da vontade viajar menos em turnês e ter mais tempo para fazer sua própria musica. Portanto, pessoalmente, eu acho que eu não tomaria tal decisão tão cedo. Pessoalmente, eu adoro tocar com eles e eu espero por mais projetos e oportunidades de criar algo especial." 

Winnipeg Free Press - Maio de 2017
 Você sente dificuldade em se impor, então?

"Não, eu não sinto dificuldade para me impor. Eu acho que você está num grupo de quatro pessoas de vontades muito fortes e não importa o que você faça, você estará indo contra mais de 30 anos de história de banda e sem saber onde tudo isso vai dar, então é difícil deixar qualquer um tomar a direção... mas eles foram mais do que generosos, acolhedores e abertos a cada ideia, a tudo que eu contribuí.

Quando eu entrei na banda, com exceção de talvez um show que eu tenha feito com alguém ou de quando Flea e eu estávamos tocando juntos com John Frusciante em um dos seus álbuns solo, e eu estava tocando bateria, Flea e eu não tínhamos tocado muito juntos, basicamente ainda estávamos formando esse relacionamento musical e eu acho que isso também seja algo raro.

Eu entrei na banda sem ter tocado muito com eles. Eu acho que quando ideias são descartadas, não existe uma história, e talvez seja isso que vá contra o que estávamos discutindo antes. A coisa toda é estranha, mas, tendo dito tudo isso, eu acho que está funcionando e que ainda está crescendo e o mais importante é que eles três são três das melhores pessoas que eu poderia considerar amigos."


Matéria: Raphael Romanelli Andrade de Oliveira
www.jfeffects.com.br

Dave Mail 97: Jaguar Fiesta Red '62


As Fender Jaguar's, especialmente as vintages, são conhecidas por ter pontes muito complicadas e difíceis de regular. O que você fez para manter em forma na estrada a Jaguar Fiesta Red '62 de John Frusciante?

Dave Lee: "Nada. Lol. Elas são bem difíceis. E esse é um dos motivos dele não usá-la muito ao vivo."

Lembro que ela foi usada em raras ocasiões ao vivo, poucas vezes na turnê de Californication com o Red Hot Chili Peppers para tocar "Around The World", e posteriormente com o Ataxia e em uma apresentação solo com Josh Klinghoffer.

Dave Lee: "Nós tentamos usá-la em "Around The World" ao vivo (no Woodstock 99) mas estava soando muito fina para tudo menos as estrofes."


Perguntas por:
- Raphael Romanelli Andrade de Oliveira - Ilicínea, MG - Brasil
- Teun Putker - Zutphen - Países Baixos

Confira nossa entrevista com Dave Lee: Português | English

22 de junho de 2017

Dave Mail 96: Dave Lee - álbuns favoritos dos Chili Peppers


Em termos pessoais, quais são seus álbuns favoritos dos Chili Peppers? Há alguma afirmativa para isso além do conteúdo musical?

Dave Lee: "Isso vai surpreender muita gente. Mas meu álbum favorito dos Peppers é provavelmente o One Hot Minute. Eu realmente gosto de todas as músicas dele. Mas o [Stadium] Arcadium é um segundo lugar que chega muito próximo. E minha canção favorita dos Peppers, "Soul to Squeeze", não está em nenhum disco dos Peppers.

Na verdade, após pensar mais um pouco, Blood Sugar [Sex Magik] também é ótimo. Eu diria que provavelmente gosto tanto dele quanto do Stadium [Arcadium]."


Pergunta por:
- Pedro Tavares - Maceió, AL - Brasil

Confira nossa entrevista com Dave Lee: Português | English

20 de junho de 2017

Dave Mail 95: Rig utilizado no backstage com os Chili Peppers


É notável que John Frusciante carregou uma guitarra com ele pela maior parte do tempo que estava em turnê com os Red Hot Chili Peppers. Qual era o rig dele no backstage dos shows da banda?

Dave Lee: "John não tinha um rig para praticar no backstage. Teve uma época em que montamos uma sala de aquecimento, mas só o Chad a usava. Então paramos de montar os amps. Ele normalmente aquecia com a guitarra desplugada."


Pergunta por:
- Daniel Rodriguez - San José - Costa Rica

Confira nossa entrevista com Dave Lee: Português | English