29 de setembro de 2020

Johnny Ramone expressa a admiração por Frusciante em livro póstumo de 2012


Johnny Ramone em sua autobiografia, Commando, lançada em 2012 após a sua morte, falou sobre o Red Hot Chili Peppers e sobre a sua amizade com John Frusciante. No livro, em um epílogo escrito por Lisa Marie Presley, é revelado também que Frusciante era um dos amigos que estavam ao lado de Ramone quando ele faleceu no dia 15 de setembro de 2004.


"Eu não curtia muito essas bandas novas e às vezes via coisas de que não gostava. Tocamos com o Red Hot Chili Peppers na Finlândia em 1988. Eles entraram correndo sem roupa no palco enquanto tocávamos. "Que bando de babacas”, eu pensei e disse a eles. Eles foram ao camarim pedir desculpas, e não aceitei. E fui o único da banda que ficou realmente puto. Vim a conhecê-los mais tarde, e os Red Hot Chili Peppers eram bacanas. Entretanto, o que fizeram naquele dia não foi bacana. John Frusciante e eu nos tornamos bons amigos, mas ele não estava no Chili Peppers quando aquilo aconteceu. Acho que ele entrou no ano seguinte.


As pessoas com quem andava eram sempre excêntricas de algum modo, ou as pessoas com quem compartilho interesses comuns. Os excêntricos sempre eram, entretanto, mais divertidos que as pessoas normais. Em geral, mais ninguém quer ser amigo desses esquisitões. Também gosto disso em certas pessoas. Dizem que John Frusciante é estranho, mas eu gosto muito dele. Na lista dos cem maiores guitarristas de todos os tempos da Rolling Stone, estou classificado em 16°, e Frusciante é o 18°."


Agradecimento: Lucas Carvalho
Fonte: Commando - Johnny Ramone

27 de setembro de 2020

John Frusciante explica os motivos para aceitar voltar ao Red Hot Chili Peppers


John Frusciante esteve no episódio 526 do podcast RA Exchange, da Resident Advisor, no dia 25 de setembro de 2020. No bate-papo de quase uma hora, Frusciante esclareceu muitos pontos da sua jornada musical e no final da conversa explicou os motivos pelos quais decidiu retornar ao Red Hot Chili Peppers O músico afirmou que fez uma análise de todo seu trabalho com a banda e que amou cada parte das músicas que foram compostas pelo clássico quarteto.


Como se fosse Richard D. James saindo daquele cofre de banco em que ele supostamente viveu e de repente ele dissesse: “É, agora vou sair e vou interagir com as coisas que não eram interessante para mim em 2010 ou 2012”. Talvez isso também tenha a ver com fato de você ter voltando para banda, e as coisas que você disse como: “Os últimos álbuns que fizemos juntos significava muito para as pessoas e isso era importante para mim, como se ressoassem com muitas pessoas, e eu me importo com isso. 
 
"Sim, isso é muito impressionante para mim, e como as músicas que fiz com a banda continuam a significar tanto para as pessoas. Na época que eu estive na banda, você via muitos meios de marketing e de propaganda em todos os lugares que te fazia pensar, eu não sabia diferenciar o que era meu talento e o que era marketing e propaganda, eu não sabia dizer a diferença, para mim, isso parecia fabricado e eu não poderia receber créditos por essa popularidade porque há tantos outros fatores que fazia ser o que é, no entanto, há algo na música que faz as pessoas ainda gostarem de ouvir canções que você fez 30 anos atrás, você não consegue chegar nesse nível só se promovendo, você não compra, ou gasta todo seu dinheiro para fazer isso acontecer, isso é um tipo de transferência de energia de um ser humano para outro para outro humano ou um ser humano ou quatro seres humanos para muitos seres humanos, como se fosse algum tipo de milagre ou algo assim, não é algo que eu possa atribuir ao marketing.  
 
São poucas bandas daquela época, bandas como Jane's Addiction, quando eles estavam tocando, a energia que eu sentia naqueles shows, isso mostrava a magia do ambiente, assim como os Chili Peppers antes de eu entrar para banda, todos sentiam que eles estavam no melhor lugar que poderiam estar, como se fosse algo tão emocionante e mágico, e não há como fazer as pessoas sentirem em retrospecto como foi isso, como era de qualidade que fazia o ar parecer tão denso naqueles ambientes, hoje só o que temos são registros e como eles sobreviveram a isso. No nosso caso, na minha opinião, muito dessa magia da banda havia desaparecido quando eu entrei, contudo, no que diz respeito ao que criamos nos álbuns acabou tendo seu próprio tipo de magia criando sua conexão com o público por um tempo duradouro, impactante e emocionante, e eu levo isso em consideração.


Fazia um bom tempo que eu não escutava as músicas, mas de uns anos pra cá, comecei a ouvir cada uma delas novamente e fui impactado. Ouvi nossas músicas de uma forma diferente, agora, depois de todos esses anos sem ser compositor e a guitarra não sendo a forma de me expressar, eu ouvi as músicas de uma maneira que eu não teria sido capaz se eu estivesse na banda todo esse tempo, apenas ouvi, eu ouvi claramente pela primeira vez, e eu ouvi não como um membro, mas como alguém de fora, e amei cada parte, antes, eu estava tão inserido no que eu estava fazendo que não era capaz de enxergar o que havia de diferente, estranho e incomum nisso, eu pensava que estava fazendo algo muito normal e agora quando as escuto consigo enxergar suas formas estranhas incomuns e excepcionais que não conseguia ver quando eu as estava fazendo.

O fato de que havia uma chance de trabalhar com essas mesmas pessoas que eu tinha algum tipo de magia dada por Deus, foi emocionante, assim como fazer música eletrônica eu tenho tantas maneiras diferentes de criar ideias musicais, perspectiva sobre engenharia que eu não tinha na época. Porque foi só há uns 12 anos que aprendi engenheira musical e existe muita coisa nova para aplicar. Está mais do que provado que trabalhar com eles é realmente interessante e eficiente."


Umas das melhores potencialidades de ser envolvido na música é a ideia de ser capaz de sair de você mesmo e participar de algo, se comprometer com algo que é maior do que você.

"Sim, é um certo tipo de desafio como tentar fazer música que seja específica para um público que vai achar ela boa. Para mim parece que o Rock está morrendo já tem um tempo e agora está dando seu último suspiro. E me parece ser um desafio interessante tentar fazer boa música com algumas ideias que ninguém pensou ainda. Pois da perspectiva das pessoas você pode pensar que quando uma música está morrendo é porque todas a suas possibilidades foram exploradas e exauridas, eu não penso assim sobre qualquer estilo de música. Eu sinto que você ainda poderia sair com uma boa música de blues assim como um grande estilo de rock dos anos 1950. Especialmente no meu ponto de vista eu vejo que há muita coisa que posso fazer com ideias básicas de jungle que soa novo e fresco, e com a banda é a mesma coisa.

Sou um grande colecionador de álbuns de soul de funk e outras coisas dos anos 1960 e 1970 e nós temos nosso próprio meio de nos aproximar desses estilos, é algo que eu só posso fazer com esses caras, como Flea toca baixo combina com meu jeito de tocar, foi o que me fez querer voltar a tocar guitarra. Eu realmente não teria muito interesse se não fosse por isso, pois se eu escrever um conjunto de progressões de acordes, eu consigo ouvir como ele toca baixo, ele tem esse jeito de tocar algo que está escrito, mas também é improvisado ao mesmo tempo que é infinitamente divertido de ouvir nos ensaios, eu não acho que teria isso com algum outro baixista, é só nossos estilos que foram feitos para complementar o estilo um do outro, como se fosse dado por Deus. Eu não espero ter isso com qualquer outro baixista. Então sim, todas essas coisas contribuíram na minha decisão de aceitar o convite para voltar pra banda."


Eu realmente agradeço você comentar sobre a evolução do seu processo criativo e como se relaciona com um estudo rigoroso trancando-se com o intuito de estar em um estado perpétuo de descoberta e também por voltar a interagir mais com os outros.

"Sim, obrigado. Naquela época eu tinha uma necessidade muito forte de tentar bloquear o conceito de público, pois assim eu poderia manter minha criatividade fresca. E então em um certo ponto se continuasse desse jeito teria sido mais um pretexto ao invés encarar como um desafio. Agora eu sou capaz de entender o conceito de ser parte de um grupo."

Muito obrigado John realmente agradeço sua fala.

"Obrigado."


Ouça o podcast na íntegra:


A tradução completa do podcast está sendo feita pela nossa equipe e estará disponível em breve!



Tradução: Jonathan Paes
Fonte: RA Exchange - 25 de setembro de 2020

24 de setembro de 2020

"Usbrup Pensul": o segundo single de Maya é liberado nas plataformas digitais

John Frusciante irá lançar seu novo álbum Maya em 23 de outubro de 2020 e liberou ontem o segundo single "Usbrup Pensul" do trabalho nas plataformas digitais de streaming de áudio. A música em questão já havia sido divulgada por Aura T-09 em um mix chamado de Hard As Nails, em 02 de fevereiro de 2019. O álbum terá nove músicas e já está em pré-venda n o Bandcamp no formato físico e no formato digital.

O primeiro single "Amethblowl" nas plataformas digitais de streaming de áudio no dia 01 de setembro de 2020 - para ouvi-lo, clique aqui!

Lista de faixas:

01 Brand E 4:51 
02 Usbrup Pensul 4:23 
03 Flying 3:42 
04 Pleasure Explanation 4:14 
05 Blind Aim 4:06 
06 Reach Out 4:22 
07 Amethblowl 4:39 
08 Zillion 4:34 
09 Anja Motherless 5:56



Pré-venda: Bandcamp

Para mais informações, clique aqui

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