10 de outubro de 2017

Histórias verdadeiras sobre John Frusciante - Setembro de 2017

Histórias verdadeiras sobre John Frusciante, o intenso guitarrista que largou o Red Hot Chili Peppers (duas vezes)
Por: Mariel Loveland


A notória carreira de John Frusciante, ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers, é a narrativa de uma imensa angústia mental. A problemática estrela do rock, que saiu duas vezes do Chili Peppers, lutou contra o vício em drogas por anos. Nos momentos mais difíceis, conta ter ouvido vozes e se aproximado da morte. Triunfou sobre seu tormento com algumas cicatrizes, um imenso catálogo de músicas boas, vários álbuns de platina, e um conjunto de dentes falsos. Embora sua luta seja atormentadora e bem documentada, geralmente é colocada em segundo plano em narrativas superficiais de redenção e como admiravelmente bizarra, que levou a um comportamento nocivo quase inacreditável frente aos outros membros da banda, incluindo o sacerdote astral funk Anthony Kiedis.

A luta de Kiedis basicamente provinha do desejo nocivo pelo perigo e abuso de substâncias, enquanto a briga de Frusciante era travada com demônios induzidos por traumas da infância, que o guitarrista prodígio, notoriamente tímido frente à imprensa, se recusa a especificar nas entrevistas. “É trauma de infância que está no subconsciente”, disse ao Guardian. “Que você tenta esconder da memória e de repente aparece 20 anos depois e você é um viciado em drogas.”

Após se juntar ao Red Hot Chili Peppers aos 18 anos, Frusciante passou de praticar a guitarra 15 horas por dia, a gastar $500 dólares por dia em heroína enquanto vivia num hotel. Ele foi parar no meio de uma tempestade perfeita: vício, facilidade em encontrar drogas, dinheiro para gastar, e um estilo de vida que sustentava e encorajava satisfazer-se com substâncias e estranhezas. O guitarrista foi peça fundamental na criação dos sons particulares das múltiplas eras do RHCP, no começo influenciado pelo estilo funk de Hendrix e mais tarde contribuindo como backing vocal, guru dos efeitos de pedais, e ocasionalmente como mestre de solos.

Sendo parte importante da cena de Los Angeles no começo dos 90, Frusciante frequentava os mesmos círculos que Johnny Depp, responsável por fazer um filme angustiante sobre seu amigo. O documentário de Johnny Depp, Stuff, codirigido por Gibby Haynes do Butthole Surfers, era um alerta. Representava o guitarrista vivendo na imundice, fora de si pelo abuso de droga, logo após a morte de River Phoenix (John Frusciante e River Phoenix vinham de longos dias de abuso de drogas quando River entrou em colapso do lado de fora do Viper Room). Mesmo com tudo isso, o baixista do Chili Peppers, Flea, nunca deixou de lado seu colega de banda.

Essas são as verdadeiras histórias do vício em drogas de John Frusciante – do seu primeiro baseado até largar a heroína abruptamente.


Hedonismo ao entrar no RHCP, e desenvolvimento de uma abordagem filosófica sobre a busca pelo prazer




Os Red Hot Chili Peppers são bem conhecidos por suas tendências hedonistas, que passa por um largo território de devassidão sexual e uso excessivo de drogas. Quando Frusciante entrou para a banda, tinha apenas 18 anos, e adotou o ethos hedonista da banda imediatamente. Quando a fama do Chili Peppers explodiu, Frusciante teve que lutar para manter o ethos de artista alternativo e, portanto teve que recontextualizar sua marca de hedonismo como forma de diferenciar-se dos excessos imaturos dos rock stars. Isso o levou a sair da banda.

Em abril de 2000, após o sucesso mundial do sétimo álbum da banda, Californication (o primeiro com Frusciante depois de oito anos de sua saída), a revista Rolling Stone escreveu um artigo titulado “Os Chili Peppers Ressurgem”. Tirado do artigo:
“Frusciante lembra como estar em turnê aos 18 anos o levou a satisfazer todas as fantasias de um adolescente. ‘Eu abusava da situação, ’ diz ele. ‘Mas aos 20 anos, comecei a fazer certo e olhar meu trabalho como uma expressão artística ao invés de ser uma maneira de festejar o tempo todo e dormir com todas as garotas. Para equilibrar, eu tinha que ser super humilde, super anti-rockstar.’ Ele se tornou tão dogmático em sua nova forma de agir que ele não conseguia mais ver uma maneira de ficar na banda e continuar a ser um artista. Ele deixa a banda."

Ele entrou nessa quando descobriu que Flea estava sempre chapado nos shows, ele se inspirou a ser maconheiro



Frusciante nem sempre foi um maconheiro. Na verdade, ele levava sua arte tão a sério que praticava 15 horas por dia e não fumava um grama de maconha (ou qualquer outra droga) por medo de que isso interferisse na sua habilidade de tocar. Foi só quando ele descobriu que Flea estava sempre chapado nos shows que ele experimentou a verdinha.

“Na adolescência, não fumei maconha nem usei nenhuma droga, porque o jeito que eu praticava tinha menos a ver com cores e mais a ver com desenvolver técnicas,” ele contou ao High Times em uma entrevista em 1995. Continua:
“As crianças que fumavam maconha pareciam exaustas para mim. Eu praticava de dez a quinze horas por dia, mas não sentia que essa pratica era uma expressão minha. Quando descobri que o Flea estava sempre chapado nos shows, me inspirei a ser maconheiro. Não tinha aquela imagem dos maconheiros – ele com certeza não parecia exausto.”

Ele sabotou propositalmente o Red Hot Chili Peppers no ‘Saturday Night Live’



Frusciante não se sentia tão empolgado com o fato de que o quinto disco da banda, Blood Sugar, Sex, Magik, levou o Peppers ao status de estrelas do rock, vendendo sete milhões de cópias nos EUA e mais de 13 milhões pelo mundo. Ele gostava do nível de sucesso que a banda alcançou com o disco anterior, Mother MIlk, que os levou a tocar em locais de médio porte e era suficiente para o sustento da banda sem a infinita exposição na mídia de massa e a pressão das gravadoras, promotores, rádios e TV.

O desconforto de Frusciante com o sucesso se manifestou através do ressentimento com o hit "Under the Bridge." Ele propositalmente tentou prejudicar Anthony Kiedis nas performances ao vivo, tocando intros estendidas e notas erradas, em diferentes oitavas e tons. O episódio mais infame foi quando Frusciante sabotou a banda na apresentação do Saturday Night Live em 1992.


Kiedis ficou ressentido com a performance de Frusciante. Ele escreve em seu livro Scar Tissue:
“Não tinha ideia de que música ele estava tocando ou em que tom ele estava. Parecia que ele estava em outro planeta. Estávamos ao vivo, na frente de milhões de pessoas, foi uma tortura. Comecei a cantar no que achei que era o tom, mesmo que não fosse o tom que ele estava tocando. Senti que estava sendo apunhalado nas costas e me senti sozinho tendo que lidar com a situação na frente de toda América enquanto esse cara estava num canto escuro tocando algum experimento dissonante fora do tom. Pensei que ele estava fazendo de propósito, só para me ferrar.”

RHCP substituiu Frusciante com Dave Navarro, igualmente com vício destrutivo em drogas



Frusciante deixou o Red Hot Chili Peppers pela primeira vez em 1992, durante a promoção do BSSM no Japão. Ele tentou sair logo após o show em Tóquio, mas foi convencido por seus colegas da banda a tocar um último show. Após o show, ele voltou para Califórnia.

O Peppers precisava de um substituto – um que fosse muito bom, pois estavam bem no centro das atenções – e depois de tentar alguns músicos que não pareciam ter química com a banda, fecharam com Dave Navarro, dos estranhos colegas de Los Angeles, Jane’s Addiction. O único disco da banda com Navarro, One Hot Minute, gerou críticas mistas, embora o guitarrista tenha mostrado uma química inegável com Flea e Chad em mais de uma canção (e mais aquele solo de Aeroplane).

Anthony Kiedis escreve em Scar Tissue que a presença de Navarro era ótima quando ele chegou ao RHCP, mas depois de alguns anos na banda, ele afundou no vício em heroína. A dimensão de seu vício era tóxica para a banda. Frusciante e Navarro lutavam contra o vício e atitudes antissociais, Frusciante era no fim das contas uma pessoa doce e atenciosa, enquanto Navarro, na medida em que seu vício piorava, era sarcástico e corrosivo. Uma das discussões calorosas entre Kiedis e Navarro terminou quando o último, já bem fora de si, tentou levar para o lado da agressão física, mas, por estar tão drogado, acabou caindo no seu amplificador e desapareceu atrás dele.

Frusciante voltou para a banda em 1999, depois que Navarro foi embora. O single de retorno do RHCP, Scar Tissue, traz a referência de Navarro entre o solo de guitarra choroso e a letra “sarcastic Mr. Know-It-All (sarcástico Sr. sabe-tudo).

“Eu tenho orgulho de tudo nessa banda, sabe,” Frusciante disse numa entrevista para TV francesa feita com ele e o baterista Chad. “Eu sei que o Dave Navarro tinha, tipo, um pouco de vergonha de estar na banda.”



River Phoenix e Johnny Depp inspiraram Frusciante a lançar seu primeiro disco solo



Frusciante deixou o RHCP em Maio de 1992, pouco tempo depois do desconfortável episódio do Saturday Night Live, mas ele não deixou a música. Em 1995, ele lançou seu primeiro álbum solo, o festivo psicodélico abastecido por maconha, intitulado Niandra LaDes and Usually Just a T-Shirt, cujas músicas foram compostas e gravadas durante as folgas que ele tinha das gravações de Blood Sugar Sex Magik.

Em uma entrevista Frusciante admitiu que compôs as canções para “se divertir, fumar maconha e viajar”, sem planos para lançá-las. Depois que alguns amigos, entre eles Depp, Phoenix, Flea e Gibby Haynes do Buttholes Surfers, o convenceram a lançar um disco, ele mergulhou de cabeça no projeto, sem se preocupar com a viabilidade comercial do disco.

Quando perguntado pela Billboard Magazine em 1994 se ele estava preocupado com a reação negativa dos fãs do RHCP com relação ao material extremamente estranho, psicodélico, Frusciante respondeu, “se eles são capazes de imaginar, se são capazes de viajar, eles entenderão.” Ele conta sobre a criação de um personagem para tocar no disco.

“Eu queria criar um cara estranho dos anos 60, que eu pudesse interpretar como personagem,” ele explica. Ele queria lançar o álbum com o nome do personagem, mas foi convencido a não fazê-lo pela gravadora que lançou o disco.


Ele esteve numa longa noite de abuso de drogas com River Phoenix na noite em que Phoenix morreu



“Se eu tivesse tocado a guitarra dele naquela noite, talvez ele não tivesse morrido”, Frusciante diz solenemente sobre seu grande amigo Phoenix em um vídeo tirado de um show no Viper Romm em 1997.

Frusciante e Phoenix, que eram amigos próximos, usaram todo tipo de drogas quando o ator desmaiou e morreu fora do Viper Room no Halloween de 1993, em Los Angeles. De acordo com Bob Forrest, amigo de Phoenix e Frusciante:

“A rotina das drogas era bem persistente para todos nós. Primeiro, fumar crack ou injetar cocaína direto na veia por aquele efeito de 90 segundos que faz o cérebro zunir. Depois injetar heroína para aumentar a sensação e voltar à terra para poder conseguir ter uma conversa normal antes de recomeçar o ciclo.”

O irmão de River, Joaquin, e sua irmã Rain, estavam no Viper Room àquela noite também, bem como Flea, Johnny Depp e a atriz Samantha Mathis, namorada de River na época.


Ele fundou uma banda com Flea após sair do Chili Peppers



Flea e Frusciante continuaram amigos depois que o guitarrista deixou a banda. Durante seu tempo longe do Peppers, em 1995, Frusciante e Flea, junto com o ex baterista do Jane’s Addiction/Porno For Pyros, Stephen Perkins, formaram uma banda instrumental chamada The Three Amoebas. A banda gravou algumas sessões de jam mas nunca lançou nenhuma música.

Johnny Depp fez um documentário sobre a descida de Frusciante à loucura alimentada pela heroína




Em 1994, Johnny Depp e o vocalista do Butthole Surfers, Gibby Hayes, visitaram a casa de John Frusciante para documentar seu estilo de vida. A gravação virou Stuff, um curta doloroso sobre o vício de Frusciante nas drogas. O filme incluiu a participação especial do guru das drogas Timothy Leary e abriu as portas para a imundice em que vivia Frusciante. Nas paredes da sua casa, grafites diziam “Meus olhos doem” e “Esfaqueando a dor com facas disciplinadoras”.

A coisa é sombria, mas o filme acabou sendo enviado aos jornalistas para promover o lançamento do primeiro disco solo de Frusciante, Niandra LaDes and Usually Just a T Shirt.


Seu primeiro pensamento depois de quase morrer de uma overdose em 1996 foi como conseguir mais drogas



Frusciante deveria ter morrido em fevereiro de 1996, quando ele fez uma transfusão de sangue que salvou sua vida após uma overdose. De acordo com uma matéria da Team Rock, o guitarrista tinha apenas 1/20 da quantidade de sangue que um corpo deve ter. Apesar de quase morrer, e de não ter nenhuma fonte de renda, Frusciante não deu atenção ao alerta. A primeira coisa a aparecer na sua mente quando ele acordou foi “ótimo, estou novo em folha para continuar. Preciso comprar mais drogas.”


Ele perdeu os dentes para as drogas, e disse a um repórter que não se importava em viver ou morrer



Em 1996, Frusciante foi expulso da sua casa em Hollywood Hills por não pagar o aluguel, e instalou-se no hotel Chateau Marmont, onde o repórter Robert Wilonsky o visitou. Wilonsky descreveu a aparência preocupante do rock star – inclusive dos dentes que pareciam estar nas últimas – em um artigo chocante intitulado “Sangue nas faixas”.

Seus dentes superiores já quase não existem. Eles foram substituídos por pequenas fatias amareladas que às vezes aparecem na gengiva podre. Os dentes inferiores, finos e marrons, parecem que vão cair quando ele tosse forte. Seus lábios estão pálidos e secos, cobertos de cuspe espesso que parece cola. Seu cabelo está raspado até o crânio; suas unhas, ou os espaços em que elas costumavam estar, estão escurecidos de sangue. Seus pés e tornozelos e pernas estão cheios de queimaduras de cinzas de cigarros sem filtro Camel que caíram sem serem percebidas; sua pele também carrega machucados, cascas e cicatrizes. Ele usa uma camisa de flanela velha, parcialmente fechada, e calças cáqui. Há pontinhos de sangue seco pela calça.

Na entrevista angustiante, Frusciante admite, “Eu não me importo se morro ou se continuo vivo”. Quando o artigo foi publicado, ele foi expulso do Chateau Marmont e mudou-se para o Mondrian, na Sunset Strip, de onde também foi expulso.


Em 1997, ele devia $30.000 a traficantes, e lançou um disco para conseguir dinheiro para comprar drogas



Em 1997, Frusciante gastava $500 por dia em drogas e sua única fonte de renda eram os cheques de royalties da venda de álbuns do Chili Peppers. Em uma entrevista com Kerrang, ele admitiu dever ao seu traficante a quantia de $30,000, e ter que implorar por dinheiro aos seus amigos para não levar um tiro.

“Em algum momento fiquei sem dinheiro. Passei muita fome e convenci muitos traficantes a me adiantarem drogas. Muitos problemas surgiram com essa situação. Foi bem difícil. Em alguns momentos eu tive que cair fora porque devia $30.000 e iam me matar. Mas a pior parte era estar doente o tempo todo, era péssimo. Não me importava tanto com minha segurança pessoal, mas sim com estar doente.”

Nessa época, anuncia-se que Frusciante lançaria seu segundo álbum solo, cujo título era Smile From The Streets. Ele alega que só lançou esse disco para ganhar dinheiro para sustentar seu vício. No fim, foi tirado das prateleiras e nunca mais reimpresso.


Ele lutou com questões mentais, começou a ouvir vozes na adolescência



Em uma entrevista ao Independent, Frusciante admitiu que as drogas não eram o único problema com o qual ele lutava. Ele começou a ouvir vozes na juventude, e não conseguiu tranquilizar a cabeça até os 28 anos.

“Eu tinha tantos problemas na cabeça. Foi só aos 28 que meu cérebro sentiu ser um espaço vasto. Quando eu tinha 18,19,22, meu cérebro estava entupido o tempo todo – vozes que nunca calavam. Não conseguia entender o que estava acontecendo. Havia muita confusão dentro de mim, essa inundação de vozes, muitas vezes contraditórias, às vezes me contando coisas que iam acontecer no futuro, que realmente aconteciam, vozes me insultando, me dizendo o que fazer.” 


Ele largou a heroína abruptamente com a intervenção de Flea, e compôs um disco de platina um ano depois



Em 1997, Frusciante se internou em uma clínica de reabilitação e largou a heroína da noite para o dia – talvez por conta da dedicação que Flea tinha pela amizade deles. Flea alude ao fato de que Frusciante entrou na relutante na reabilitação em uma entrevista para SPIN em 1996.

“Eu vi essa pessoa outro dia, e ele esta à beira da morte. Levá-lo para a reabilitação, ele quase morreu desintoxicando. Tentar dar esperança e fé a alguém que perdeu tudo para as drogas, é algo muito, muito assustador. Eu usei heroína muitas vezes. Mas era muito fraco para continuar. No dia seguinte sempre me sentia um merda. Não conseguia fazer as coisas que amava. Não sentia vontade de fazer música, não sentia vontade de jogar basquete.”

Depois de sair da clínica de reabilitação, Frusciante voltou para o RHCP. A banda então se dedicou a criar Californication que vendeu 16 milhões de cópias pelo mundo.


Frusciante não foi apenas para a clínica de reabilitação – Ele passou por um processo doloroso de recuperação

Frusciante não só se desintoxicou das drogas ao ir para clínica de reabilitação, ele também se submeteu a reparar os estragos que ele provocou no seu corpo durante os anos de abuso. Embora originalmente suas cicatrizes fossem atribuídas ao fogo, as marcas que cobrem seu braço vem da remoção de abcessos que surgiram por injetar drogas. Ele também gastou $70.000 com implantes de dentes e reparos na mandíbula.


Flea uma vez jogou uma garrafa na cabeça de um repórter por este tentar criar fofocas sobre a relação dele com Frusciante

Frusciante e Flea tem um laço muito forte – tão forte que levou Flea a jogar uma garrafa em um repórter que fez perguntas que não agradaram ao baixista sobre seu amigo guitarrista. A tensão foi grande durante as gravações de By The Way, o disco que sucedeu Californication, e o jornalista Tom Bryant pressionou Flea a responder se a culpa era ou não de Frusciante. Flea gritou indignado, em partes por conta da pergunta, em partes por conta dos jornalistas britânicos que sempre assediaram a banda com fofocas sem sentido que não tinham a ver com o lançamento do disco promovido. Flea jogou a garrafa na cabeça de Bryant e saiu enfurecido. Depois voltou e pediu desculpa, dizendo calmamente, “Se eu estivesse bravo com John, eu te diria.”


Flea inspirou Frusciante a sair do RHCP pela segunda vez

A segunda vez que Frusciante saiu do Red Hot Chili Peppers, ele se inspirou em Flea, que comentou com ele querer férias de dois anos. Ele fala à Billboard em 2013:

 “Sempre foi algo no qual pensei, mas a banda era tão bem recebida que nunca me passou pela cabeça sair, até que o Flea em algum momento disse ‘eu quero tirar dois anos de férias depois dessa turnê.’ E ele me disse isso na metade da turnê do Stadium Arcadium, e quando ele disse isso eu fiquei em choque porque achei que estávamos super bem, vamos continuar fazendo isso sem parar, sabe? Mas uma vez dito, minha mente começou a pensar ‘O que eu faria nesses dois anos se eu tivesse dois anos para fazer o que eu quisesse?’”

A ideia passou a empolgar tanto Frusciante que ele não queria apenas dois anos. Ele queria que fosse permanente.

“…quatro meses depois eu estava tão empolgado em sair do grupo que nem queria que fossem só dois anos. Eu sabia que não queria nunca mais estar em uma banda, sabe? E eu não sai de fato até depois de muitos meses depois do recesso, mas eu sabia que queria sair meses antes do final da turnê. Eu estava determinado.”


Tradução: Paula Buckvieser
Fonte: Ranker - Setembro de 2017

2 comentários:

  1. Acho que é a história de vida mais linda que já vi de tudo o que ele passou, para chegar onde chegou!

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  2. Esse John é o melhor uma pena não ter ele mais no rhcp mas acompanho a carreira dele e sem duvidas ele é um prodigio..espero um dia poder conhece-lo ##amomuitoJohnF.

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