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27 de julho de 2020

Peter Hook relembra quando aprendeu a tocar própria música com o Red Hot Chili Peppers


Peter Hook, baixista do Joy Division e do New Order, concedeu uma entrevista para celebrar os 40 anos do lançamento do álbum Closer do Joy Division. No bate-papo, Hook relembrou de um acontecimento do Area 1 em 2001, quando os membros do Red Hot Chili Peppers - no caso John Frusciante e Flea -, por intermédio do músico Moby, ensinaram a ele e Bernard Sumner a tocar a música "New Dawn Fades", lançada pelo Joy Division lançada em 1979.



"Um dos meus melhores momentos foi quanto tivemos uma turnê com o Moby, e ele estava tocando ‘New Dawn Fades’. Ele disse a mim e ao Bernard: ‘Por que vocês não sobem no palco e tocam conosco? Vamos lá, vai ser ótimo’. Nós dissemos: ‘Bom, a gente não sabe tocar’. E ele conseguiu que os Red Hot Chili Peppers ensinassem a mim e a Bernard como tocar o instrumental de ‘New Dawn Fades’ para que a gente pudesse ir lá tocar com ele no palco.

Você acha que nunca iria esquecer, não é? Esse foi um dos momentos mais surreais da minha vida, esse episódio em particular. Com as pessoas que são seus contemporâneos, seus heróis de muitas formas — e eles estão sentados ali te ensinando a música da sua própria banda, uma banda que acabou 40 anos atrás."







John Frusciante realizava covers de "New Dawn Fades" durantes seus shows solos na época e, após ensinar a dupla a tocar a música, ele teve a oportunidade de colaborar com o New Order tocando guitarra na regravação da faixa (que contava ainda com a participação de Moby e de Billy Corgan) para a trilha sonora do filme 24 Hour Party People, lançado em abril de 2002. E em 25 de junho de 2002, Frusciante subiu ao palco para tocar com a banda ao vivo, que na ocasião abria o show para os Red Hot Chili Peppers na Irlanda.


Em março de 2017, o ex-gerente de turnê do Red Hot Chili Peppers chegou a vender uma carta que Frusciante escreveu a próprio punho e enviou por fax para Bernard Sumner em algum momento da década de 2000 - leia a carta, clicando aqui.




Tradução: Felipe Ernani - Tenho Mais Discos Que Amigos


19 de abril de 2020

"Foda-se Anthony Kiedis!": Frusciante demonstra toda a gratidão ao vocalista em 2001


John Frusciante estava no Angel Orensanz Foundation, em Nova Iorque, em 15 de março de 2001, para um dos shows de divulgação de To Record Only Water For Ten Days, quando escutou vindo da plateia um "Foda-se Anthony Kiedis!". Há quem diga que esse grito era apenas um apoio a carreira solo de Frusciante e uma brincadeira que exaltava a sua qualidade vocal, contudo, o músico respondeu o comentário infeliz demonstrando toda a sua gratidão a Anthony Kiedis.







"Aqueles shows [acústicos] eram bem divertidos. Nós nunca sabíamos o que ele iria fazer ou falar. Em um show em Nova Iorque, um fã na plateia gritou 'Foda-se Anthony Kiedis!', obviamente numa tentativa de mostrar apoio à carreira solo de John. John sentou ali em silêncio por um segundo. Então ele falou 'Uhm... Eu amo Anthony Kiedis. Então foda-se você, cara.' Foi hilário."
- Dave Lee - Dave Mail 63 - 15 de abril de 2017




Foto: Scarlet Page
Tradução e legenda: Pedro Tavares


30 de janeiro de 2020

John Frusciante usou uma Line 6 POD em To Record Only Water For Ten Days


John Frusciante revelou ter usado uma Line 6 POD na gravação de To Record Only Water For Ten Days, em entrevista para a Guitar de março de 2001. Frusciante não esclareceu em quais faixas a pedaleira foi usada, mas que a intenção era obter um som de "guitarra barata".



Com sua configuração de amplificadores Marshall disponível, Frusciante decidiu gravar em direct in a maior parte do álbum, com as partes diferentes tocadas numa pedaleira Line 6 POD. “Eu gosto muito de ter sons de guitarra barata” ele diz. “Mesmo em estúdios de verdade, eu as vezes plugo direto na mesa...”



Como Frusciante não especificou qual modelo era, vale lembrar que na época a Line 6 tinha a POD (lançada em 1998) e a POD 2 (lançada em 2000).




Tradução: Eloá Otrenti e Felipe Freitas
Fonte: Guitar - Março de 2001


6 de outubro de 2019

John Frusciante foi técnico de guitarra do Fugazi em 2001


Fauxgazi: This Is Not A Fugazi Documentary é um documentário que, contradizendo o seu título, é sobre o Fugazi, criado pela banda tributo Fauxgazi e lançado em 2016. Na película inúmeras pessoas que fizeram parte da história do Fugazi contam memórias relacionadas a banda - que está em hiato desde 2002.




Mike Upsahl, vocalista do Stereotyperider e do Man Dingo, relembrou em uma rápida citação no documentário que John Frusciante foi o técnico de guitarra da banda no show no Celebrity Theater, em Phoenix, Arizona, no dia 12 de abril de 2001. O momento da recordação pode ser visto abaixo, aos 23:43.



Fauxgazi: This Is Not A Fugazi Documentary




Para quem não sabe, Frusciante sempre citou o Fugazi como uma de suas inspirações, tendo deixado a produção de DC EP sobre a responsabilidade de Ian MacKaye (vocalista da banda) e usou os equipamentos de Guy Picciotto (guitarrista da banda) no EP. A banda Ataxia também foi uma colaboração de John Frusciante e Josh Klinghoffer com Joe Lally (baixista da banda).




Colaboração e agradecimento: Luiz Spíndola

2 de outubro de 2019

A cachaça e o Rock In Rio III


No nosso Dave Mail de número 120, de 16 de março de 2018, Dave Lee respondeu sobre a história alimentada por alguns fãs brasileiros que os Red Hot Chili Peppers (e toda a equipe) conheceram antes da apresentação do Rock In Rio III, no Brasil, a cachaça - água ardente feita com cana-de-açúcar.



"Temo que essa história seja um mito. Nessa época, 3/4 da banda estavam completamente sóbrios, assim como a maioria da equipe, então, haviam muitos poucos membros da equipe de turnê que iriam consumir álcool de qualquer tipo."




Confira nossa entrevista com Dave Lee: Português | English

21 de julho de 2019

Divulgada gravação inédita em vídeo de show de Frusciante em 2001


Após quase 20 anos, um fã resolveu divulgar sua gravação em vídeo do show de abertura de John Frusciante para o Jane's Addiction, em Santa Barbara, no dia 26 de abril de 2001. O fã em questão, Sam Sym, já havia compartilhado o áudio do show, porém só agora resolveu divulgar o vídeo por se tratar de imagens não tão bem feitas e pouco focadas. Sym explicou que estava segurando uma câmera volumosa na cintura tentando não ser expulso do show - mas que mesmo assim algumas pessoas irão apreciá-lo.





Setlist

01. So Would’ve I
02. I Will Always Be Beat Down
03. All We Ever Wanted (Bauhaus)
04. Going Inside
05. Snow Blind (Black Sabbath)
06. New Dawn Fades (Joy Division)
07. Runnaway (Del Shannon)
08. I Just Wanna Have Something To Do (Ramones)
09. Strange Love (Depeche Mode)
10. Talk





Download em áudio: FLAC

Agradecimento: Sam Sym

21 de maio de 2019

From The Sounds Inside - Agosto de 2001


From The Sounds Inside, ou também conhecido como "Internet Album Release", foi um álbum lançado por John Frusciante exclusivamente por meio da Internet em agosto de 2001. O álbum, que foi disponibilizado gratuitamente para download pelo seu site oficial, inclui material gravado durante a sessões de To Record Only Water For Ten Days e em sua maioria são faixas inacabadas e não masterizadas. Frusciante não foi responsável pelo nome dado ao álbum e a maioria das músicas.



Para o nome do álbum foi realizado uma votação onde que o nome From The Sounds Inside foi o escolhido com 36% dos votos ("2001 Internet Album" ficou com 35% dos votos e "Live Above Hell" recebeu 29% dos votos). Fãs e seu ex-administrador do seu site oficial ficaram a cargo de nomear as canções, tendo até a data discordâncias entre eles.


Faixas:
  1. "So Would Have I" (a.k.a. "So Would've I")
  2. "Three Thoughts"
  3. "I Go Through These Walls" 
  4. "Murmur" 
  5. "Saturation" (Un-mastered Version)
  6. "Interstate Sex"
  7. "Dying (I Don't Mind)"
  8. "The Battle of Time"
  9. "With Love"
  10. "I Will Always Be Beat Down"
  11. "Fallout" (Un-mastered Version)
  12. "Penetrate Time" (a.k.a. "Lou Bergs" or "Low Birds" a.k.a. "Purity")
  13. "Slow Down"
  14. "Nature Falls"
  15. "Beginning Again"
  16. "Leave All the Days Behind" (a.k.a. "Cut Myself Out")
  17. "Place to Drive"
  18. "How High"
  19. "Fallout" (Demo)
  20. "Leaving You"
  21. "Sailing Outdoors"
Download: FLAC


Versões alternativas das faixas 1,5,11,15,16,19 apareceram no álbum To Record Only Water for Ten Days, no Going Inside EP (2001) e no soundtrack do filme The Brown Bunny (2004). As outras 15 faixas são exclusivas desse álbum.

3 de agosto de 2018

To Record Only Water For Ten Days (Demos/Outtakes)


Demos do To Record Only Water For Ten Days e músicas gravadas que não entraram no álbum, mas vazaram na internet. O que de fato aconteceu é que John, por sua vontade própria, deu algumas dessas músicas para seus amigos e, com o passar do tempo, as mesmas acabaram caindo na rede. As canções foram liberadas sem serem totalmente finalizadas ou mixadas.

No From The Sounds Inside, que também é intitulado de "Internet Album Release", um álbum do John que foi lançado exclusivamente através da Internet em 2001. O álbum, que foi disponibilizado gratuitamente para download pelo seu site oficial, inclui material gravado durante a seções de To Record Only Water For Ten Days.



John não foi responsável pelo nome dado a maioria das músicas. Fãs e seu ex-administrador do seu site oficial ficaram a cargo disso.

Obs: Todas as músicas podem ser baixadas através do próprio player de reprodução do Soundcloud. 


Em uma entrevista realizada em 2001, no Chateu Marmont, por Ralph Paredes, Frusciante fala a respeito das Demos/Outtakes que vazaram e que não entraram no To Record Only Water For Ten Days:

3 de fevereiro de 2018

Debaixo da ponte - Janeiro de 2001

Depois de deixar a banda e se reincorporar a tempo para gravar Californication, o Red Hot Chili Pepper John Frusciante tenta reconstruir sua vida e sua carreira musical, com um disco que ele acabou de gravar, a desculpa perfeita para a sua atormentada biografia em os altos e baixos com os Peppers.

Do outro lado do fio de cobre, em Los Angeles, John Frusciante parece sorrir. Ninguém duvida de sua bondade, mas após os rumores constantes sobre sua instabilidade mental, sua depressão e sua propensão em de insolar durante meses em seu quarto, um monossílabo nos esperava. Mais sem problemas. Frusciante respondeu feliz e renovado, com o estômago cheio: ele tinha acabado de jantar. Vamos falar sobre o seu terceiro álbum solo To Record Only Water For Ten Days não é o que podemos chamar de um trabalho convencional, mas em comparação com seus álbuns anteriores, esse nos guarda certas surpresas. Em primeiro lugar, os sons que surgem a partir das estruturas da complexa personalidade de Frusciante, aparecem pela primeira vez em torno do conceito de sua música. "Sim, é isso que eu tentei fazer. Quando eu gravei meu primeiro disco tinha ainda que saber como seria a minha música. Existem tantos sentimentos que eu amo rondando em torno do universo e de tantos estilos musicais que eu gosto...".

A indigestão sonora de seus dois trabalhos anteriores é agora parte do passado. "Quando comecei a escrever as canções, há três anos, sabia exatamente que os sentimentos fariam parte da minha música, eu só não tinha a certeza de que era suficientemente bom compositor para dar forma a esses sentimentos."

"Para mim, Dave Navarro nasceu para estar no Jane's Addiction, no Red Hot Chili Peppers ele não tinha química"

Sentimentos completamente providos de permanentes caos existenciais ficam ao redor de cada construção de Frusciante, e atraem um pouco de energia positiva e tranquilidade emocional.

"Sim, estou muito feliz por estar vivo e eu amo a vida que eu levo agora. Estou muito orgulhoso de quem eu sou e quem eu era. Quando eu fiz meu primeiro disco eu estava caindo e eu creio que, especialmente o segundo álbum representa muito bem uma pessoa que está apaixonada pelo seu interior e não é capaz de se expressar plenamente."

Ainda mais surpreendente é que as referências são tomadas a partir de canções como "Remain" e "Invisible Moment" não vem exatamente de bandas especializadas na produção de energia positiva. "Joy Division, New Order, The Cure...?

"Sim, The Cure, Depeche Mode ... é a música que eu ouvi nos últimos três anos, o Depeche Mode é minha banda favorita de sempre (risos) é a música que me faz sentir melhor." 

E as surpresas continuam considerando que quatro faixas, deram lugar a uma maior variedade de instrumentos: voz, teclados, eletrônica... som, em última instância, maior. Um som eletrônico que tem muito mais culpa, muito mais presente do que no álbum Californication, em teoria, que representou uma evolução no Red Hot Chili Peppers para no uso de máquinas.

"Há apenas algumas coisas de eletrônica em Californication, porém tentamos tocar os nossos instrumentos como se faz na música eletrônica e dê a cada seção de seu próprio modo, como nos discos do Depeche Mode, onde a linha tem uma textura e coro outra completamente diferente, como nos discos do Tricky, que toca com atmosferas completamente diferentes." 

Falando do diabo, parece que os Peppers colaborou recentemente com ele. Tricky e Frusciante cantando juntos!

"Sim, mas nós adicionamos as partes para as partes da canção que ele já tinha, nós só gravamos uma música juntos desde o início até o fim. Era Flea e eu, nos fizemos a música para a canção "Wonder Woman" (de um série de TV dos anos setenta) e depois adicionamos voz e letras próprias. Tricky e eu cantamos junto. Foi uma experiência boa, Tricky é um grande músico e um grande compositor também uma pessoa muito talentosa, espero fazer mais coisas com ele no futuro."

 Mudando de ritmo. Qual é a verdade sobre a loucura associada à Frusciante? Qual é a conexão com Syd Barrett, com a espaço exterior, com os espíritos?

"Oh, é de onde a minha música vem, de quando eu era parte do espaço exterior. Minha música é uma representação de seres de outras dimensões que aparecem no meu corpo, me falam e me dão idéias." 

Algo que, sem dúvida, ajudou na sua dependência de drogas.

"Sim, mas não a única forma de me conectar com este mundo, existem outras maneiras, como meditação, yoga e purificação do corpo. Se cuidando, exercendo, você pode obter conexão com seres de outras dimensões, devemos manter a mente e corpo aberto e saudável. O prazer que sinto bebendo ervas, champanhe e valeriana, é melhor do que eu sentia antes tomando drogas, que é como pôr produtos químicos desnecessários no meu corpo." 

Parece que a vida de Frusciante recuperou o sentido desde o seu retorno ao Red Hot Chili Peppers. O relacionamento entre os membros do grupo parece ser hoje, exemplar.

"Deixei as drogas antes de retornar aos Peppers. Flea sempre tentou ser meu amigo, enquanto o meu era um viciado em drogas, então ele se cansou de estar comigo, porque eu estava me deteriorando. Flea me ama e não podia suportar me ver fazendo aquilo a mim mesmo por cinco anos. Quando me recuperei nos tornamos amigos e voltamos a sair juntos como antes. O próximo passo lógico era voltar para a banda. Anthony é alguém que também precisa estar limpa para funcionar como uma pessoa, ao mesmo tempo, começamos a sair juntos e ser amigos como nunca fomos antes." 

Talvez Californication descarte a simplicidade básica do rock que e fazer um disco mais direto e acessível, mas também mais visceral.

"Em certo sentido prefiro Californication e Blood Sugar Sex Magik, agora existe um amor entre nós três que nunca havia existido. Você acha que é mais rock? Eu não sei, não há razão para isso, nós não tivemos nenhuma idéia preconcebida de como ele deveria soar, só fomos para o estúdio e tocamos o desejavamos, improvisamos... "

Uma das questões que sem dúvida atraí mais os fãs do Peppers foi o abandono de Frusciante em um momento - "Blood Sugar Sex Magik" - parecia ser o mais doce de sua carreira. Eles tinham acabado se firmar em seu auge criativo, ainda a ser superando.

"Não era um bom momento, não conviviamos como pessoas, não é divertido estar em uma banda que não se gosta. Eu não toco para ganhar a vida, eu faço música porque eu amo e ela passou a ser com pessoas que não gostam de fazer música comigo. Se os Peppers começassem a não falar ou não gostar de brincar comigo novamente, eu iria embora. Mas isso não vai acontecer, porque já nós apreciamos muito e nos divertimos uns com os outros. No tempo de "Blood Sugar Sex Magik" todo mundo achava que era o melhor da banda e um grupo não pode sobreviver com tantos egos. Cada um tem que pensar que o outro é mais importante, pois de outra forma não se trabalha em grupo. Eu aprecio Anthony como cantor e compositor, eu acho que Flea é o melhor baixista do mundo e eles sentem o mesmo por mim."

E desde que Frusciante largou a banda, Flea e companhia tiveram tempo para gravar One Hot Minute. O álbum, com Jane's Addiction Dave Navarro dedilhando as seis cordas, teve muitos detratores como admiradores. Frusciante é um dos primeiros.

"Nunca ouvi falar, eu só ouvi os dois singles e não gostei. Eu os vi ao vivo uma vez e eu não gostei. Gostei do Anthony, ele foi o único que eu gostei, mas não da música." 

No entanto, não parecia saber qual seria um substituto melhor que Navarro para uma banda como o Red Hot Chili Peppers.

"Acho que nenhum músico se encaixa bem em mais de uma banda, é muito raro. Para mim, Dave Navarro nasceu para o estar no Jane's Addiction, então pensei que era o melhor, mas no Red Hot Chili Peppers ele não tinha nenhuma química." 

Por que Frusciante acreditou que Navarro desejou deixar a banda?

"Ele foi em outra direção como pessoa... Eu acho que ele nunca amou estar no grupo. Ele falou mal deles, quando ele entrou, riu deles... Eu sempre me senti ofendido pela maneira como ele falou dos Peppers, nunca pareceu estar com orgulho de estar na banda. "


Fonte: Mondo Sonoro.com - entrevista realizada por telefone no dia 19 de janeiro de 2001

26 de janeiro de 2018

A protocooperação com Vincent Gallo - Fevereiro de 2001



Sobre seu novo video, Vincent Gallo que está dirigindo?
"Sim."

Você é amigo dele? Que tipo de video é?
"É um tipo de filme experimental estrelado por mim e dirigido por ele. É o melhor vídeo que eu poderia ter pedido, é muito legal."

Como é seu relacionamento com Vincent?
"Bem, ele é meu amigo sabe? Ele é meu amigo desde que estávamos escrevendo o disco Californication e Vincent lançou o filme "Buffalo 66". Eu vi esse filme e ele fez-me lembrar da minha música. Os sentimentos do seu filme me lembraram dos sentimentos das minhas canções. Ele pegou o meu número de telefone com um amigo nosso e eu descobri que ele era um grande fã dos meus álbuns solos. Então, ele me perguntou se eu faria a música..."

Eu posso tirar umas fotos enquanto conversamos?
"Sim, sim... claro. Então ele me perguntou se eu poderia fazer a música para o seu próximo filme e eu disse que sim. Eu escrevi uma série de canções do tipo com o seu próximo filme em mente, e eu fiz um CD pra elas, e eu diria que um monte delas vão ser a trilha sonora. Não estão incluídas neste, elas estão em um CD que eu só dei aos meus amigos."

Isso já está pronto?
"Bem, eventualmente. Ele ainda não escolheu quem ele quer no filme. Ele precisa de algumas peças femininas, que é duro escolher. Mas, quando ele terminar vai ser um filme maravilhoso e eu vou fazer a música para ele. Ele é o único cineasta com quem sinto qualquer sentimento de camaradagem, ele é a única pessoa que... Eu não vi quaisquer outros filmes ou vídeos que me lembraram da minha música nos últimos anos. Estou vendo filmes da década de 50 de Kenneth Anger que me lembram da minha música e vejo filmes de Andy Warhol na década de 60 que me lembram da minha música também, mas eu não...Vincent é um tipo único de pessoa fazendo filmes agora que as coisas da mesmo tipo de...Tipo de espécie de abordagem radical vanguardista ao cinema. Então sim, eu estou muito orgulhoso do que fizemos juntos e sei que iremos fazer outros grandes coisas juntos.


Fonte: Johan Bystrom - drowninginbrown.com - Fevereiro de 2001

24 de janeiro de 2018

Guia completo: Turnê Californication

A John Frusciante effects elaborou um guia completo dos equipamentos utilizados por John Frusciante durante a turnê de Californication.



SETUP 1 (1999-2001):

O principal utilizado na turnê e mantido até o seu final - com apenas algumas modificações nos pedais.

Guitarras:

1962 Fender Stratocaster Sunburst
1955 Fender Stratocaster Sunburst
1963 Fender Stratocaster Olympic White

- Foi alugada para a turnê sul americana em 2001 (incluíndo o Rock In Rio III) como substituta da Stratocaster de 1962 - posteriormente foi adquirida por John Frusciante.
1960 Fender Telecaster Sunburst
1963 ou 1965 Fender Telecaster Sunburst
1962 Fender Jaguar Fiesta Red
1966 Fender Jaguar Olympic White
Ampeg Dan Armstrong Plexi Electric Guitar

- Usada em algum ponto da turnê em 2000. Supostamente Dave Grohl, do Foo Fighters, teria emprestado para Frusciante em um dos shows que eles abriram para o Red Hot Chili Peppers.


Ordem dos pedais:

01 - Boss DS-2 Turbo Distortion
02 - Boss FZ-3 Fuzz
- Substituído pelo Electro-Harmonix Big Muff PI (Russian) em 2000.
03 - MXR Phase 90
 - Na gravação do álbum ele chegou a ser utilizado logo após o DS-2 e antes do FZ-3.
04 - Ibanez WH-10 V1/2
05 - Boss CE-1 Chorus Ensemble
- Dividindo o sinal entre os amplificadores.



Amplificadores:

Marshall Major

Marshall Silver Jubilee 25/55
- Ligados em estéreo pelo Boss CE-1 Chorus Ensemble - em grande parte da turnê o Electro-Harmonix Holy Grail Reverb era ligado após o CE-1 e apenas no Marshall Silver Jubilee.

"O Major era bem limpo e o mais alto que nós conseguíamos colocar. Bem agressivo. O Jubilee tinha só um pouquinho de sujeira. Mas também, praticamente limpo. Toda a distorção dele vinha dos pedais. E do seu ataque às cordas."
- Dave Mail 1: Como o Major e o Jubilee interagiam um com o outro?

Todos os cabeçotes eram ligados a caixas Marshall 4x12 com alto-falantes Celestion originais de fábrica.


SETUP 2 (1999-2001):

Usado para tocar "Californication" e "Otherside", pouco antes do final da turnê esse setup foi desmontado e a Gretsch White Falcon 1958 passou para o setup 1.



Guitarra:

1958 Gretsch 6136 White Falcon

Pedal:


01 - Boss DS-1 Distortion


Amplificadores:

Fender Silverface Dual Showman 
- Apenas em um curto intervalo de tempo da turnê em 1999 foi substituído pelo Fender Blackface Showman.



SETUP 3 (2001):

Entrou no lugar do setup 2. Frusciante criou esse terceiro setup no final da turnê para ter um timbre mais sujo utilizando sua Gibson SG e tocar a recém-criada "Fortune Faded".


Guitarra:

Gibson SG Sunburst
- Essa guitarra foi usada por Frusciante no Still - tributo ao Joy Division em 2000. Em 2001 foi usada em "Fortune Faded" e em algumas ocasiões como no Slane Castle em "Higher Ground". Porém, desde essa data ela não foi mais vista, nem Dave Lee recordou sobre ela.


Amplificadores:

Marshall Silver Jubilee 25/55
- Ele era ligada diretamente - sem pedais - a guitarra e regulado com um timbre de overdrive - o que deu origem depois ao Rig Slash da turnê de Stadium Arcadium.

21 de janeiro de 2018

Quando uma sabotagem quase deu fim ao show do Chili Peppers no Rock In Rio III


Esta história foi contada por Dave Lee, ex-técnico de guitarra de John Frusciante, na nossa entrevista com ele em dezembro de 2016.



No Rock in Rio 2001, a guitarra do John Frusciante está bem saturada. Você se lembra de como eles conseguiram esse timbre? Foi intencional? 

"Ok, existe uma história por trás disso. Na passagem de som um dia antes do show, alguém no backstage apertou algum botão na energia e queimou todos os amps que estavam no palco, e a mesa de som. Os contratantes tiveram correr atrás de amps alugados para nós. Foi uma bagunça."



Dave Mail
Confira nossa entrevista com Dave Lee: Português | English

8 de janeiro de 2018

Eu peidei na cara de Marilyn Manson - Fevereiro de 2001

Discutindo os melhores guitarristas de rock você mais cedo ou mais tarde menciona John Frusciante. Os dois álbuns de maior sucesso do Red Hot Chili Peppers, Blood Sugar Sex Magik de 1991 e Californication de 1999, são devido a suas habilidades. Há poucos dias, o terceiro álbum solo de Frusciante foi lançado.

Razão suficiente para o LAUT atender o guitarrista dos Peppers no Hamburg Hotel para uma entrevista. Em uma reunião descontraída, ele fala sobre fazer música com e sem os seus colegas de banda, a importância da música eletrônica, a sua relação com Eminem e Marilyn Manson e sobre bandas alemã que são apenas marginalmente conhecidas, até mesmo por freaks daqui. Na noite anterior à entrevista, Frusciante fez um show no Prinzenbar.




John, você já fez três shows individuais na Europa. Como é a sensação de estar no palco sem os Chili Peppers?
"Quando eu estou sozinho no palco, é algo completamente diferente em comparação com os shows do Chili Peppers. Eu amo tocar minhas músicas na guitarra. Quando eu componho uma musica nova, eu não estou tocando apenas aos meus amigos da banda. Todos os meus amigos vão começar a ouvi-la, não importa onde eu estou. Isto pode ser na minha casa ou em um ônibus de turismo, simplesmente todos os lugares. E todos eles gostam das minhas musicas.

Quando estou em turnê com minha carreira solo, estou pensando sobre esse tipo de show. Ele não pode ser comparado com a sensação de entrar no palco com os Chili Peppers. Lá, uma enorme energia aparece só quando estamos juntos. Ninguém se sente responsável pelo outro, somos só nós quatro tocando juntos. Mas quando eu toco minhas próprias músicas para as pessoas, eu sinto uma energia que eu mesmo comecei com a minha vida."

Por que você faz tão poucos shows solo? Como temos ouvido, o Red Hot Chili Peppers já estão esperando por você no estúdio...
"Bem, isso é certo. Eu tenho que estar de volta em um determinado tempo pois o Red Hot Chili Peppers têm um show marcado em Los Angeles e também estamos começando a gravar nosso próximo álbum."

Então você gostaria de fazer mais shows.
"Claro. Eu realmente gostei de fazer os últimos dois shows e eu não posso esperar para o próximo. Há mais um show em Paris e um em Amsterdã. Em março é Nova York, porque o Red Hot Chili Peppers tem coisas pra fazer lá, e depois é Los Angeles. Bem, eu realmente gostaria de fazer mais shows, mas ao mesmo tempo eu estou ansioso para trabalhar mais no próximo álbum do Red Hot Chili Peppers."

O que fazer música com seus amigos significa para você?
"O momento em que eu estava trabalhando em novas musicas para a banda todo dia foi o melhor momento da minha vida. Minha única razão para estar aqui é acordar de manhã, ouvir música e tocar bem meu violão as músicas pelas quais eu quero ser influenciado. Se me acontecer de ter idéias, pego meu gravador. Isso é o que me faz feliz. Eu acho que os dois mais belos momentos da minha vida foram as sessões de gravação de Blood Sugar Sex Magik e Californication. É por isso que eu estou realmente ansioso para gravar novamente."

Qual a importância para você dos seus amigos gostarem da sua música?
"Ah, sim, meus amigos adoram."

Seus colegas de banda também?
"Eu não tenho certeza sobre Chad, eu nunca lhe mostrei nenhuma das minhas musicas. Mas Flea e Anthony adoram a minha música. (Ele pensa por alguns instantes...) Bem, quando este álbum solo foi lançado, eu já havia gravado dois CDs que não tinham sido lançados, então eu não conto essas duas gravações. Essas gravações foram feitas em 1999, durante todo o ano anterior que eu comecei a compor as músicas para o meu novo álbum. Eu fiz e distribui entre meus amigos. Agora eu quero lançar essas musicas antigas como b-sides, como o bônus de quatro faixas do meu novo single "Going Inside". Assim, pouco a pouco estou espalhando o material velho, porque ele é bom. (risos)"

Agora de volta ao seu novo álbum: Especialmente as faixas instrumentais "Ramparts" e "Murderers" tem uma atmosfera que me lembram sua maneira de tocar guitarra em "Californication". Que critérios você usa pra decidir que uma música, por exemplo, se torne uma musica para o Chili Peppers?
"Eu gravei meu novo álbum, durante a turnê de Californication. Além de mim, ninguém está interessado em gravar músicas durante a turnê. "Ramparts" e "Murderers" foram escritas em março de 2000 e se eu quisesse reservar uma das musicas para o Chili Peppers, eu ainda estaria esperando até hoje...

No entanto, existe uma musica para o Peppers que eu fiz na minha bateria eletrônica. De alguma maneira eu tinha começado a ideia de linhas de surf music inglês de guitarra estilo The Ventures e The Shadows com techno de base. Anthony gostou de uma das minhas gravações e queria fazer uma musica com ela. Eu também, ok, se você acha que pode cantar junto com ela, então eu não vou lançá-la."




Então não há conflitos musicais?
"Não, não... Anthony e Flea me apoiam sempre que podem. Se eu digo pra eles que eu quero promover o meu trabalho solo para os próximos cinco meses, dizem: "OK, faça isso enquanto isso te fazer feliz". Mas, é claro, eles ficam contentes que eu não faço isso."

Quanto à instrumentação do álbum foi dito que você estava influenciado, principalmente, por New Order e Depeche Mode. Essas bandas são os seus favoritos da mesma maneira como Syd Barrett, David Bowie e Jimi Hendrix?
"Sim, isso é o mesmo para mim. Eu acho que em cada período de tempo existem as mesmas energias que tornam possível a criação de uma boa música. Mas tudo isso é uma questão de ser imparcial, no sentido de tal forma que você vê que essas energias assumem diferentes formas em diferentes períodos de tempo. Para mim essas energias que uma vez foram usadas por Jimi Hendrix para criar novos sons são as mesmas energias que vieram depois quando o Depeche Mode gravou Violator, um álbum que soa como nenhum outro álbum de rock antes. Bem, você sabe, houve um tempo na minha vida quando eu era criança que eu pensava: A melhor musica foi feita nos anos 60. Mas eu não penso desta maneira mais. Quanto mais eu me abri para todas as variedades de música eletrônica dos últimos 20 anos, eu percebia cada vez mais que algumas dessas coisas são, no mínimo, tão orientadoras emocionantes como a música de antes."

Durante seu show ontem à noite que você mencionou que o guitarrista Michael Rother é uma inspiração para você. O que a música alemã significa para você?
"Oh, bem, música alemã, juntamente com algumas outras coisas, será um novo elemento do próximo álbum do Red Hot Chili Peppers. Todos nós amamos Neu!, Can, Harmonia e Cluster. E sim, Kraftwerk definitivamente é uma das favoritas de Flea e eu. Mas primeiro, todos nós cavamos Neu! onde Michael Rother tocava guitarra. Essa banda mostrou o jeito de misturar tudo que você ouve e que também pode influenciá-lo. Os ritmos e as estruturas do dub e techno também vão desempenhar um papel importante no próximo álbum. Claro que isso vai soar como um som que os quatro gostem.

No entanto, penso que somos capazes de criar um som semelhante em multicamadas com nossos instrumentos como você pode encontrar em algum dos materiais electrônicos. No tempo da gravação de Californication, ouvimos bastante Tricky, Portishead e Björk e tentamos, de propósito, criar uma atmosfera original. Mas o próximo álbum vai ser influenciado por mais do que apenas trip hop."

Após um período tão difícil como você passou, parece quase inacreditável para nós o alcance desse sucesso tão grande como o de Californication. Sente-se privilegiado?
"Sim, muito. Para arrancar a partir de algo parecido com o que eu tinha chegado é uma coisa que eu não posso tomar responsabilidade. Alguns poderes no universo lá fora, devem realmente me amar. Eu sei que um monte de poderes invisíveis estão lutando por mim. Tudo o que posso fazer é agradecer a eles todos os dias, fazendo a melhor música que eu sou capaz."

Talvez você saiba que Eminem e Marilyn Manson também estão em Hamburgo no momento. Você conhece algum deles?
"(Hesita) Bem, eu não conheço Eminem muito bem, mas eu conheci Marilyn Manson. Eu sempre senti uma forte aversão por ele desde que ele escreveu coisas ruins sobre The Smiths, em seu livro. Isso não é porque eu não goste dele, é porque eu amo The Smiths. Mas, você sabe, um monte de bons amigos meus também são amigos dele, assim como o diabo. Eu não tenho nada contra ele, eu apenas tento ser amigável desde que eu peidei em sua cara uma vez durante uma entrevista...(risos). Isso foi a anos atrás, eu acho que foi provavelmente para uma fanzine na Flórida e iam entrevistar Anthony, Flea e eu para a zine. Eu devia ter 18 anos na época, eu não lembro, mas em algum momento eu devo ter peidado na cara dele... (todos riem). Mais tarde, ele me disse que agora está fazendo o mesmo com os entrevistadores . (risos)"

Falando em Manson, você acha que os artistas em geral podem ser responsabilizados por glorificar a violência?
"Não, porque para mim a arte tem sempre algo a ver com opostos. Uma canção triste pode fazer alguém sorrir. É como o punk rock, que por volta de 1980 parecia glorificar a violência para algumas pessoas. Punk rock era exatamente o que me pegou de costas em seguida. Eu poderia libertar todos os meus sentimentos ao ouvir esta música. Se eu não tivesse ouvido punk rock eu provavelmente chegaria a um ponto onde eu teria matado pessoas.

Quando uma pessoa mata outra pessoa, é o destino, e não acho que qualquer tipo de música pode fazer uma pessoa fazer isso. Deve haver uma energia maior envolvida, que não pode ser controlada. Considerando que a música pode ter o poder de equilibrar estas energias. Para mim, a música não tem outra finalidade, a não ser para unir as pessoas. E as pessoas, como Eminem... você sabe, quando a filha de Flea era louca por Eminem até uma certa idade, ela disse que ele era um poeta. Eu não me opus quando ela gostava dele, eu mesmo comprei o álbum dele, mas eu estava realmente feliz por ela quando ela descobriu a si mesma. Eu não quero que ela saia com caras como Eminem, eu quero que ela se envolva com um grande cara, charmoso e assim por diante...(risos). Caso Eminem seja cara perfeito pra ela, bem, então eu não sei. (risos)"

Você tem uma opinião a respeito de One Hot Minute?
"Para ser honesto, eu não escutei do começo ao fim. Eu só sei o básico dele."

Dói quando você ouve essas músicas?
"É estranho para mim. É como se você estivesse assistindo a sua ex-namorada fazendo sexo com outro homem. É desagradável porque você sabe que você deveria estar lá. E as coisas que eu ouvi não são realmente as minhas favoritas, soam desequilibradas para mim."




Fonte: Laut - Fevereiro de 2001

2 de outubro de 2017

O renascimento de John Frusciante - Janeiro de 2001


Bem, nada melhor do que começar o ano do que falar do "renascimento" de John Frusciante, de volta ao Red Hot Chili Peppers e uma importante melhora instrumental em um dos retornos mais bem sucedido de 2000. Para alguns, a banda do ano, por causa de seu novo álbum, os singles do ano passado, Otherside e Californication (ambos grandes vídeos de 2000), o melhor show ao vivo com a emoção e energia que só pode vir de um show dos Peppers e que em duas semanas estará de volta em nosso território, com paradas no Brasil e na Argentina, e se isso era pouco, com uma das melhores capas para um álbum, como Californication. Depois das recentes notícias dos seus planos iminentes para começar a gravar um novo álbum (depois de um 1999 muito bem sucedido), há também o fato de que Frusciante está pronto para voltar com um novo álbum solo, o terceiro de sua carreira, desta vez do lado limpo da vida.

Primeiro de tudo John, fale-nos sobre as sessões de gravação deste novo álbum e sobre os músicos que nele participam.

"O único músico no meu álbum sou eu. As gravações foram feitas durante a turnê dos Chili Peppers, no ano passado. Eu estava escrevendo as músicas nos momentos que eu esperava, em quartos de hotel, para começar os shows com a banda. Eu amo cantar, então eu sempre me pegava escrevendo canções e gravava bases em casa e depois com a ajuda de um amigo ia a um estúdio de gravação e mostrava que posso ser o único músico."

Ouvindo seus álbuns antigos nota-se uma forte influência de Syd Barret e as fases mais experimentais de David Bowie. Existe algo que, neste novo álbum, o leva até meados dos anos noventa?

"É a evolução natural das minhas composições. Comecei quando eu era criança, mas escrevia seriamente, descobri que tinha um talento natural para escrever melodias, que era quando eu tinha 20 anos, por volta de 1991. Havia sempre uma musica em que eu estava escrevendo no estilo desses que você mencionou, Syd Barret e David Bowie, mas também me inspirei com Captain Beefheart e Lou Reed."

Sim, nós pensamos nisso.

"A diferença essencial é que antes eu imaginava muitas coisas que estavam acontecendo na minha cabeça e eu estava tentando transformá-las em som e eu não sabia como. Convertendo os ritmos e frequências em uma parte da minha música... era impossível para mim. Naquela época eu só podia tocar violão e cantar, agora eu acho que depois de ter ouvido algumas músicas eletrônicas, eu fui capaz de fazer a minha música rica em texturas e sons completos. Acho que tudo que eu tenho escutado este último período, em que me reuni com os Peppers, têm sido diferentes tipos de música eletrônica, especificamente Depeche Mode. É a única música que me faz me sentir bem."

John, há um significado especial por trás do título? O que está por trás do nome para To Record Only Water For Ten Days?

"Para mim o título é, evidentemente, para que as pessoas queiram o que significa e, esperamos, vai ser imaginativo, mas para mim não tem a conotação de pureza. E mesmo assim o que o nome significa para o povo e como o irão interpretar ainda é o mais importante pra mim, ainda mais que minha idéia pessoal do título. O nome para o álbum chegou até mim antes de ter escrito algumas das canções, e até três anos atrás, eu sabia que esse título seria o único para o meu álbum."

Em entrevistas recentes, você disse que todo o seu período de dependência de drogas abriu novas portas para você em termos de percepção, e que isso já aconteceu antes e isso acontece agora, também, a diferença é que você não poderia controlar as coisas apropriadamentes antes. Fale-nos sobre isso.

"Acho que todo esse período é algo que eu tinha que passar e superar, eu não acho que todas as pessoas tenham que passar esta mesma experiência com as drogas... normalmente a maioria das pessoas têm suas vidas arruinadas. Eu honestamente acho que a vida é melhor sem elas, mas também penso que elas fizeram algo maravilhoso para mim... mas eu não as vejo fazendo nenhum bem à outras pessoas, além de estragar suas vidas. Você me perguntou sobre algo que eu disse sobre as drogas e eu só lembro de um amigo que agora está passando por um problema de dependência grave, e é muito triste. Se você me perguntar hoje, eu dificilmente responderei, porque eu estou vendo algo tão ruim, que eu nem quero pensar no que a droga poderia fazer, ou não, para mim. Acho que as drogas fizeram algo de bom para mim porque eu, conscientemente, tomei a decisão de me tornar um viciado... Eu não cai na delas sem perceber, não foi uma fraqueza."

Como?

"Foi uma decisão muito bem pensada, algo que eu fiz e me pegou no limite, o meu único objetivo era chegar ao ponto de "aventura espiritual" e tendo como um credo no mundo metafísico, fui com tudo. E com isso passei o período eu não estava na banda, dedicando-me completamente para coisas que não podiam ser vistas, o invisível: vida e energia, que é o que move todos nós. Eu fui levado a concentrar-me em boas vibrações e sentimentos, eu não fiz coisas ruins durante esse período. Para ninguém. A única coisa horrível com que eu estava assustado era aquele monte de pessoas que estavam preocupados pensando que eu ia morrer. Nem a morte me preocupava muito, talvez porque eu sabia que não ia morrer. Eu sabia que não estava fazendo tudo isso para fugir de alguma coisa, embora em cada momento era difícil imaginar o estado das coisas de quando você está limpo e aprecia a vida quando você não está usando nada. É difícil chegar a esse ponto, que levou mais de um ano, mas quando você conseguir isso, você fica mais feliz do que você ja ficou em toda sua vida.

E isso é o que me aconteceu nestes últimos anos, não tenho sequer pensado em fazer isso novamente e isso é porque eu amo a música e como eu me sinto quando estou limpo - exceto alimentos naturais, vitaminas e ervas - para que essa percepção continue. Ela põe o meu corpo em um estado deslumbrante de "voar naturalmente" o tempo todo. Devo aceitar que minhas experiências com drogas eram raras, e que não são semelhantes ao que eu vejo em outras pessoas. Não é legal. É só você pensar que você pode obter todas as coisas que você sente com a droga, sem ela: música, pintura, arte, ser criativo, fazer amor com a pessoa que você ama. Estas são coisas muito melhor do que drogas."

Mudando um pouco este tema pesado, o que você lembra sobre seu show em Santiago em 1999?

"Eu me lembro do público ser fabuloso, as pessoas muito legais. Não me lembro de nada especificamente sobre o show em si. A maioria dos nossos shows, apesar de cada um ser diferente em sua própria maneira, são os mesmos. Nós estamos dando 100% em cada nota que tocávamos e sempre tentávamos fazer o som fresco e novo. Minhas memórias de Santiago são tão vagas e vivas como qualquer um dos shows do último período ou do ano passado na América Latina."

Algo sobre o fã clube oficial do Chile (Cosmikmelloship FC)? Eles lhe mandaram um monte de beijos e amor...

"Como são doces, eu os digo obrigado... Eu recebo todos os beijos, o amor e eu vou tentar devolvê-los com a música."

O que você acha sobre Californication ... por exemplo, qual seria a sua canção favorita no álbum?

"Ummh. Talvez ''This Velvet Glove'', eu amo essa... mas eu amo todas elas, realmente, você deve entender que Californication tem sido a melhor coisa que aconteceu comigo nesses anos. É o período mais feliz da minha vida e o álbum sempre representará isto para mim."

Nós acreditamos que você tenha sido um fator importante no fato incontestável do retorno muito bem sucedido do Red Hot Chili Peppers, como a obtenção do espírito da banda, mais uma vez. O que você acha sobre isso?

"Eu acho que você está certo."

O que você pensou quando viu o vídeo de Californication?

"Eu realmente gostei dele, é uma viagem. Isso é o que eu pensei, é um bom vídeo, todos com bom aspecto. Eu gosto de vídeo game, eu sempre pensei que era uma boa ideia e tornou-se imagens de uma maneira incrível. Estou feliz do jeito que foi lançado. Você já viu o vídeo Road Trippin'? Eu gostei muito."

Nestes dias alguns grandes shows vão acontecer na América Latina, especialmente o Rock in Rio 3. Que tipo de expectativa você tem a respeito dele?

"Espero que haja um monte de fãs que assistam e que se crie uma sensação enorme e linda de energia no ar. Quando eu entro no palco com esses três caras e a energia começa a fluir e com isso capturar a própria energia do público é algo como ir para dentro deles e ser como uma janela de amor ao mundo. E me lembro especialmente das multidões da América Latina pela sua intensidade, eu acho que nós realmente melhoramos desde a última vez que tocamos lá, em 1999. Seremos capazes de devolver a energia melhor do que fizemos da última vez. E eu nem sei que outras bandas vão estar lá."

OK John, obrigado por seu tempo.

"Obrigado, foi um prazer, tenha um bom dia."


Fonte: Rockaxis (Chile) - Janeiro de 2001

21 de setembro de 2017

Red Hot dispensa baladas no Rock In Rio - Fevereiro de 2001








Fonte: Atrevida (Brasil) - Fevereiro de 2001
Agradecimento: Giovana (Brandy) - TheChiliSource.com

1 de setembro de 2017

"Eu gosto de ler o que está no ar" - Janeiro de 2001

Eu sempre imaginei porquê, quando você toca ao vivo, você nunca respeita as melodias que estão na gravação. Eu acho isso ótimo. Você nunca respeita os solos, os riffs... Em lugares diferentes, você toca cenas diferentes da mesma canção.

"Sim. Porque eu gosto de ler o que está no ar, no lugar onde estamos tocando naquela noite. Se o Chad coloca uma certa nota em algum lugar diferente, isso me faz colocar uma nota em algum lugar diferente, 20 segundos depois, porque eu tenho que me equilibrar com o que ele fizer e com o que estiver no ar, e com o que a plateia estiver fazendo. Existem todos esses elementos quando você está no palco, que você pode equilibrá-los e responder a eles. Eu acho que seria uma pena subir no palco e tocar exatamente a mesma coisa todas as noites. Para mim, cada noite é diferente. Tocar a mesma coisa sempre, seria bobagem. Para mim, as coisas no ar são tão diferentes a cada noite. Eu tenho que tocar junto com essas coisas, sabe."


Fonte: Much Music (Argentina) - Janeiro de 2001
Tradução: Pedro Tavares

26 de julho de 2017

Magic John - Maio de 2001


"Sempre que alguém entra na minha casa agora, eu peço que eles ouçam minhas novas canções – mesmo se eu as tenha escrito por acaso, pego meu violão e canto para eles." Os hóspedes recentes de John Frusciante são sortudos.

A primeira vez que visitei o guitarrista, em sua casa no subúrbio de Hollywood, ele vomitou nele próprio. Mas Frusciante teve um longo caminho desde o início dos anos noventa, quando ele foi do céu ao inferno com os Peppers – o que o deixou fora de controle.

Os problemas de Frusciante levou à sua saída da banda em 1992, mas o bom comportamento o levou à sua reintegração em 1997. E agora está limpo, sem drogas, e aproveita o sucesso recente do álbum, Californication.

Enquanto sua musica caminha de forma estranha e serpenteante nos seus dois primeiros discos, To Record Only Water for Ten Days (Warner Bros.) é álbum semi-acústico, com sintetizadores e baterias eletrônicas no melhor estilo anos 80. Músicas mais calmas e intimistas. Longe dos Peppers, John Frusciante apresenta um lado mais contemplativo que pode surpreender muitos.

É notável que sua técnica cresceu muito em uma década, mas como pessoa, ainda continua como uma incógnita para nós. Afirma que o To Record Only Water for Ten Days é uma tentativa de se conectar ao mundo espiritual.

[...]

Está bem acompanhado então. Como William Blake e Carlos Santana descreveram ter algum tipo de incorporação, mas só John Frusciante poderia ter feito desta maneira, gravando sons para purificar o ambiente ao seu redor.

Quando o seu contato com o mundo espiritual começou?

"Comecei esta experiência de maneira involuntária, através da música e da maneira como as energias dialogavam em seu corpo pela arte, por forças naturais, coisa meio 6º sentido, I see dead people e tal... quanto mais ele confiava, mais eles apareciam...prevendo o que iria acontecer em alguns minutos e tal...através destas vozes, que não viviam presas ao espaço e tempo, mas se alimentavam através das pessoas que viviam presas ao tempo. Então em 1992, decidiu se aventurar em planos astrais, coisas que geram muita concentração..."

Drogas te fazem mais ou menos receptivo a este mundo espiritual?

"Eu as vi de ambas as formas. Existem melhores e mais seguras formas de se aventurar nesta. Em minha experiência, as drogas eram definitivamente um modo bom de estar fora do mundo real e entrar de ponta-cabeça em um mundo, que não tem nada haver com o material. Mas entramos em planos espirituais, que sugam muita energia do material, pelas drogas. E eu tenho uma vida dentro de mim, muito rica e enérgica neste mundo material agora.

Assim foi para mim, poucas pessoas tem a chance de parar por 5 anos nestas questões. Eu a tive porque tinha dinheiro e tempo. Mas eu voltei agora para o mundo. E pelos últimos anos sem tomar nenhuma droga, eu achei um modo para sentir me mais alto do que antes e cultivar sentimentos melhores do que eu queria quando usava drogas. Há um modo para fazer isto. Tem que ver como se purificar, se alimentando e fazendo exercícios saudáveis. E há outras coisas, como ser puro internamente. Eu penso que isto é a maior razão para se fazer música, não me importo com dinheiro, que se foda. E minha felicidade não depende de sucesso. Eu ainda me amo de qualquer modo, em qualquer situação."

O título do álbum me remete à estar em jejum.

"Originalmente, isso é o que ele significou para mim. Mas eu comecei a perceber que aquele jejum era talvez o modo de um guru na Índia, pudesse se purificar. Mas se alguém teve a vida que eu tive, iria levar muito mais tempo. Assim o título do álbum é uma referência ao que eu tive que fazer para mim purificar. Está como imaginar o corpo da pessoa como um registrador de fita e o que pretenderia registrar só água durante 10 dias ou qualquer período de tempo. Eu fui infestado assim oito anos atrás com todos os tipos de narcóticos, que era realmente necessário eu ter uma certa quantia de batalhas para se limpar. Fiz isto para refletir lugares no Universo que são realmente maravilhosos."

Mas você não registrou água de fato a qualquer ponto?

"Não. Mas para mim, a música nele é tão pura quanto se você estivesse escutando os sons de água. Porque eu me purifiquei para isto."


Fonte: Guitar World - Maio de 2001

18 de julho de 2017

"É óbvio que eu não sou louco" - Março de 2001



John Frusciante é entrevistado por Victoria da MTV Italiana em 2001, antes de um concerto dos Red Hot Chili Peppers na Itália, e fala de seus anos passados na solidão depois de 1992 quando saiu dos Peppers, onde ele tinha visões devido às drogas.


"Eu sentia que alguém estava em casa, mas ninguém havia chegado. Eu me sentia muito sozinho porque eu não queria ver ninguém."

Você pensou que estava ficando louco?
"É óbvio que eu não sou louco. É por isso que eu estou aqui para falar sobre isso. Eu não sou louco. Há três anos, as vozes me disseram que eu tinha muito a fazer neste planeta... Eu não tinha terminado, como músico, o melhor ainda estava por vir. Eu havia escrito canções de outros, e eu teria de afectar o melhor possível. E fazer o público ouvir, porque ele teria beneficiado. É por isso que eu gravei este disco."

Está fazendo alongamento?
"Não, estou apenas colocando a cabeça no lugar."

Podemos fazer juntos? Vamos tentar.
"Você põe toda a cabeça pra baixo?"

Vamos falar do grande sucesso que fez com o Red Hot Chili Peppers com Californication e quando começou seu projeto solo?
"Nenhum deles ouviram o disco pronto, mas Anthony e Flea amam minhas músicas e dizem que são muito boas. Estou muito orgulhoso de mim e esperando o próximo álbum."

Você está fazendo seu projeto.
"Não há ciúmes entre nós, estão felizes por mim."

É verdade que o Red Hot Chili Peppers está trabalhando em um novo álbum de Tricky?
"Sim, é verdade, temos trabalhado com Tricky, eu não sei se você já o viu na Itália. 'Wonder Woman'."

Sim, certamente.
"Você se lembra da trilha sonora? Regravamos a música..."

Espere, como? Eu não me lembro. Wonder Woman! [Mulher Maravilha!]
"Sim, sim, certo Tricky e nós reorganizamos as músicas"

Você já viu o filme de Steve Martin: "O homem com dois cérebros"? Mas talvez o título é diferente
"Sim, sim. É uma versão daquele. Penso que será lançado com um lado B. Mas o álbum não é meu..."

Sim, com certeza, ele deve decidir.
"Tem um serviço em breve nas músicas de S. Valentino."

Eu vi você no VMA em New York com a Milla. É bonita, já havia dito. Está tudo bem entre vocês, certo?
"Não."

Não?
"Nós começamos bem, mas não estamos mais juntos."

Sério? Essas notícias chegam mais tarde na Itália.
"Quando nos encontramos em setembro foi um rolo."


Tradução: Fernanda Cabral

8 de julho de 2017

Os espíritos que eu chamei: de assombrações, cosmos e vibes - Março de 2001

Depois do imenso sucesso de Californication, o Red Hot Chili Peppers entrou em hiato. E o ex, e agora de novo, guitarrista John Frusciante passou este tempo com as gravações de seu terceiro álbum solo To Record Only Water For Ten Days - um álbum pop feito por um homem cujo passado excessivo deixou cicatrizes, mas que finalmente ama nada mais do que música.

Foi um dos shows mais bizarros do começo do ano, e aconteceu em Hamburgo, em 30 de janeiro no Prinzenbar, um clube pequeno ao lado do Reeperbahn. Jornalistas de todos o tipos queriam ver o famoso guitarrista dos Red Hot Chili Peppers. O homem que tinha deixado a banda no auge de sua carreira devido a problemas com drogas, e que havia se juntado à banda novamente após uma reabilitação demorada e difícil, para gravar Californication com o Red Hot Chili Peppers - o álbum surpreendentemente trouxe todo o sucesso do passado. O que eles fizeram foram canções que não tinham qualquer conceito, executadas por um homem, que parecia matar seus próprios demônios gritando com sua voz.

No dia seguinte, ele está sentado em sua suíte no Park Hyatt Hotel, onde pediu granolas para o café da manhã assim que entrei no quarto. Vi um não-Frusciante fumante e vegetariano. Durante a entrevista ele bebeu dois litros de água com goles apressados. As cicatrizes físicas de seu vício em heroína não podem ser ignoradas, pois não podem sair de sua energia psíquica. Ele responde de forma comedida, mas fica bravo repentinamente e se contradiz frequentemente. No entanto, o que deve continuar a ser a principal impressão, é a de um homem que descobriu recentemente o seu amor pela vida de novo.


Foi divertido ontem à noite?

"Eu achei estranho. No início eu não me senti tão bem, porque as reações não eram tão eufóricas. Depois de algum tempo, percebi que esta era provavelmente a mentalidade das pessoas na Alemanha. Eu apenas fiz o meu melhor e no final foi divertido."


Mesmo que este tenha sido apenas o seu terceiro show solo, o clima reservado não parecia torná-lo inseguro.

"Isso é porque eu tenho bastante experiência em tocar minhas músicas enquanto meus amigos estão ao meu redor e um show com uma plateia desconhecida não difere muito disso, na minha opinião. Além disso, os amigos são honestos e dizem quando você está mal. Se eu consigo parar e entretê-los, então também sou capaz de fazer isso com estranhos. Toquei cada canção que escrevi nos últimos três anos, como se fossem para um dos meus amigos."


Você fez covers de David Bowie, Radiohead e REM no palco.

"Sim, Radiohead, acima de tudo é uma das minhas bandas favoritas. Eu amo o novo álbum, e acho legal quando as pessoas minimizam a guitarra em uma banda de rock, quando também trazem algo a mais do que os elementos comuns. Kid A é futurista, pois é um tipo de música diferente, quase música eletrônica."


Você também é um musico minimalista. Uma característica do Red Hot Chili Peppers é que você não toca mais que o necessário.

"No espaço, eu estou me movendo quando eu toco guitarra, isso não é construído por quaisquer princípios ou influências. Eu não tenho nenhum conhecimento de rock'n'roll ou de blues. Prefiro continuar como um programador. Eu quero colocar cada nota no seu lugar e tento evitar as coisas que são desnecessárias, porque elas roubam o espaço para a atmosfera. Isso não ficaria bom para toda a imagem."


Muitas pessoas certamente vieram ontem porque você toca no Chili Peppers. Será que isso te irrita?

"Não. Eu sou uma pessoa orgulhosa."


Quando você deixou a banda, foi devido a razões que se apresentam novamente agora: a banda é totalmente bem-sucedida, todo mundo quer falar com você e logo após esta entrevista vai haver uma sessão de fotos novamente.

"Todos me descreveram como se eu fosse o anti-estrelismo, mas isso não é verdade. Eu parei naquele momento porque eu tinha que consertar as coisas comigo mesmo. Assim que a gente começou a turnê do Blood Sugar Sex Magik, a minha criatividade estava em seu auge até aquele momento. Eu tinha feito música por dez anos e em seguida senti que eu era capaz de criar coisas maravilhosas. As vozes em minha cabeça me diziam que eu poderia parar e ser feliz, no entanto logo depois que terminamos o álbum, minha criatividade levantou voo para sempre. Mas a decisão de sair em turnê bloqueou essa criatividade. A vida na estrada é maçante e ao mesmo tempo extrovertida. No final, depois de seis meses, aconteceu o que estava prestes a acontecer: eu estava farto o suficiente. Percebi que as vozes tinham me dito a verdade. Eu tive que parar imediatamente. Antes de excursionar, eu me sentia como o melhor guitarrista de todos os tempos, mas, meio ano depois como um amador. Eu odiava meu jeito de tocar. Tudo o que eu precisava era estar comigo mesmo em vez de fazer caretas estúpidas para sessões fotográficas, dando entrevistas superficiais ou pulando no palco. Há certamente algumas bandas por aí que param as coisas quando não querem fazê-las. Mas eu estava cercado por pessoas que estavam com raiva de mim, porque eu não queria fazer essas coisas que eles queriam fazer. Eu fiz todos em minha volta se sentirem infelizes, todos eles me odiavam. Foi uma situação desesperada que não fez nada mais do que me destruir. Principalmente porque eu sabia que eu realmente queria fazer outra coisa. Algo que não foi respeitado pela sociedade ou pela mídia, mas algo que era importante para mim. E isso não funcionou. Hoje eu tenho uma compreensão mais profunda das coisas, que muitas pessoas nunca vão ter. Eu me deixei cair fora desse padrão, sem ter medo de ser um pouco vazio. Isto terminou com o fato de que eu já experimentei várias vidas extras."


Você está falando sério quando diz que tudo tinha sido aprovado durante a pausa da banda? Havia alguns pontos baixos que foram extremos.

"Sim, claro. Eu tentei dominar um estilo de vida que destroi uma pessoa normal. Minha vida era em parte um ciclo vicioso, que não me levava a lugar algum. Eu estava congelado e morto de forma criativa, mas ainda estava ali. Demorou algum tempo até que eu mais uma vez ganhasse uma determinação para mudar de vida e o que a minha música expressa. Então, quando eu voltei para o Red Hot Chili Peppers, eu tocava guitarra todos os dias novamente. Antes disso, não houve um mês em que eu tinha sequer tocado em uma. Minha técnica estava absolutamente baixa, em relação a quando conheci Anthony, Flea e Chad. Eu tenho trabalhado duro desde então. Minha vida certamente me destruiu em todos os aspectos que são relevantes para as pessoas, mas comigo aconteceu uma coisa que de fato importava. Após tudo que fiz, estou me sentindo melhor do que nunca. Comecei completamente de novo. Eu vejo tudo mais claro e vivo numa vida mais saudável. As drogas não são boas para a criatividade. Mas elas me deram a possibilidade de deixar o mundo e me concentrar em arte. Eu vi muitas coisas sobrenaturais durante este tempo."


Foi o que realmente valeu a pena?

"Sim, definitivamente. Eu sou uma pessoa que não se arrepende. Eu estou muito orgulhoso do meu novo álbum, também da última gravação dos Chili Peppers. São melhores do que qualquer coisa que eu esperava fazer. Como devo me arrepender de algo que nunca esperava fazer? O que conta no final é que estou feliz. Eu sempre encontro pessoas que estão insatisfeitas. Eu, pelo contrário, acordo toda manhã e, com a minha cabeça no travesseiro, eu penso: "Ah, ... eu amo minha vida!". No entanto, não posso aconselhar ninguém a usar drogas. Se você quiser perder tudo que é importante para você, então se torne um viciado, mas se você quiser ver este mundo como a pessoa que você é e amá-lo, então não se torne. Se você usar drogas, você vai se tornar nada mais do que um produto químico. Eu tenho amigos que usam drogas. Nenhum deles tem uma vantagem por isso. Eu sou definitivamente uma exceção e isso é porque as vozes me disseram que eu deveria tomar drogas. A maioria das pessoas escorregam nisso por engano - mas não eu. Me foi dito, "sou um viciado!”. E assim eu fiz isso, porque vi um motivo dentro de mim. Foi a mesma coisa quando eu decidi parar de novo. Mas agora vamos falar de outra coisa. Há tantas coisas que eu quero falar um pouco."


Sobre o que você quer falar então?

"Sobre o meu álbum, por exemplo."


É muito mais estruturado do que o anterior. Eu tive meus problemas com o Smile From The Streets You Hold... 

"Eu também. Decidi tirá-lo do mercado."


Suas letras estão mais positivas do que no passado.

"Claro, porque eu sou uma pessoa mais feliz agora. No início, meus álbuns de estreia foram bons, mas foram gradualmente piorando. O segundo álbum foi o pior. Hoje, no To Record, eu sou uma pessoa diferente. Sou alguém que quer criar algo bonito a cada segundo da minha vida. Nos dois discos, na primeira parte eu não compus nada, mas usei fragmentos e improvisei vocais neles. Só agora fiquei mais cuidadoso. Enquanto isso, eu posso ler minhas músicas apenas como letras, sem melodia. Eu ainda sou a mesma pessoa, mas a música não vem do mesmo lugar, como no passado. Sou uma pessoa que morreu e voltou à vida. Tudo o que fiz nos últimos três anos é fresco e novo. Eu me sinto como se eu tivesse nascido só há três anos."


Quando e como você gravou esse álbum?

"Sozinho em minha casa com meu sampler."


Onde você mora?

"Durante as gravações, eu morava em um vilarejo chamado Silverlake, perto de Hollywood, em um hotel. Era um bom lugar. Ela tinha o tamanho perfeito para mim naquele momento. Eu tinha meus discos, meu sampler e meu gravador, uma pequena cozinha e uma TV, onde eu assistia filmes de Andy Warhol. Foi uma moradia simples e adequada naquele momento."


Los Angeles é o seu lar?

"Sim. Eu tenho seis bons amigos lá."


Cidade estranha, ou não?

"Há um monte de lugares que são mais bonitos do que LA, mas quando você cresce lá é difícil viver em outro lugar. Eu não sou uma pessoa que gasta muito tempo com ela. Eu toco guitarra ou vou a um museu ou a uma loja de discos. Eu não tenho que estar no centro de tudo isso. Se eu quiser ir a algum lugar, vou a alguns lugares bonitos: bosques, praias e assim por diante. Mas a maior parte do tempo eu fico em casa sozinho."


Agora você também aparenta querer fazer muitas coisas ao invés de dar uma entrevista.

"Sabe, hoje não é realmente o meu melhor dia. Se dependesse de mim, eu não diria nada a manhã inteira. Há dias que eu gostaria de falar com alguém. Uma vez um cara me deu alguns "caça-palavras" e a noite inteira eu filosofei sobre seus temas. Isso não iria funcionar agora. Sinto como se tivesse sido arremessado em torno de uma máquina de lavar roupas por uma hora."


Se eu tivesse que dizer a alguém agora, o que os Chili Peppers e seu trabalho solo são próximos, gostaria de lhe dizer: onde quer que você tenha tocado ou o que tenha acontecido em torno de vocês, sempre há um momento em que você e Flea se juntam no palco e olham um para os olhos uns do outro e “tocam”.

"Sim, exatamente disso que se trata. Você viu o show em que terminamos com "Search and Destroy"? Flea e eu ficamos no palco. Aquilo foi legal! Chad e Anthony parados, eu desliguei a distorção e nós tocamos cinco à seis minutos sozinhos. Nós deixamos que a corrente de energia do fluxo de ar corresse através de nós. Tudo o que tocamos parecia estar perfeito."


Fonte: Visions (Alemanha) - Março de 2001
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