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1 de outubro de 2020

Anthony Kiedis anuncia o retorno de John Frusciante à banda em 1998


Anthony Kiedis anuncia o retorno de John Frusciante ao Red Hot Chili Peppers em vídeo do inicio da primavera do hemisfério norte (entre março e junho) de 1998. O vocalista cita que a banda está escrevendo uma música sobre a primavera na garagem de Flea, o que leva a acreditar que naquele determinado momento eles estavam trabalhando em "Quixoticelixer", a música lançada como b-side de Californication e que cita a estação em sua letra.




"Estou me sentindo tonto sobre a beleza da primavera, eu até mesmo gosto do som da palavra primavera, soa tão sexy, tão fértil. A primavera é um tempo do bem e natural, o cheiro da primavera é uma época de renascimento onde as pessoas começam a suar novamente. A primavera é como que o ciclo menstrual das estações do ano a primavera traz coisas boas: as saias encurtam, os céus ficam mais azuis, as flores e outras coisas parecidas com pistola começam a desabrochar e cantar, e embora eu não tenha uma esposa em minha vida meu coração está desabrochando. A primavera me dá a sensação de que cada dia pode ser uma caça ao ovo de páscoa, ou uma caça ao tesouro,  ou uma pequena caça ao prazer da moda o que, naturalmente, me leva ao tema dor, porque o prazer e a dor vêm no mesmo pacote, o prazer vem com a dor uma e outra vez e de novo e de novo e o que quer que seja, a dor pode ser depressão, solidão ou apenas ter levado uma surra da vida, e está tudo bem, porque mau mais bom é igual a tudo de bom. Agora, nesta primavera em particular tem uma grande variedade ingredientes peculiares tais como o Los Angeles Lakers, a primavera é época dos playoffs NBA e os Lakers estão fazendo o que têm que fazer para engolir quem vier. Shaquille, Rick, Nick, Derek, Robert, Elden, Eddie e Kobe são os jogadores, roxo e dourado são as cores de seus corações e eu lhes digo agora que eles vão bater os adversários e ganhar o campeonato. A primavera é ótima, mas minha coisa favorita sobre o melhor de tudo dessa primavera é que minhas águas estão fluindo limpas e o John Frusciante está de volta a banda, voltamos pra garagem na casa do Flea - onde pertencemos -, escrevendo uma canção sobre a primavera."


Tradução: Jonathan Paes


19 de abril de 2020

"Foda-se Anthony Kiedis!": Frusciante demonstra toda a gratidão ao vocalista em 2001


John Frusciante estava no Angel Orensanz Foundation, em Nova Iorque, em 15 de março de 2001, para um dos shows de divulgação de To Record Only Water For Ten Days, quando escutou vindo da plateia um "Foda-se Anthony Kiedis!". Há quem diga que esse grito era apenas um apoio a carreira solo de Frusciante e uma brincadeira que exaltava a sua qualidade vocal, contudo, o músico respondeu o comentário infeliz demonstrando toda a sua gratidão a Anthony Kiedis.







"Aqueles shows [acústicos] eram bem divertidos. Nós nunca sabíamos o que ele iria fazer ou falar. Em um show em Nova Iorque, um fã na plateia gritou 'Foda-se Anthony Kiedis!', obviamente numa tentativa de mostrar apoio à carreira solo de John. John sentou ali em silêncio por um segundo. Então ele falou 'Uhm... Eu amo Anthony Kiedis. Então foda-se você, cara.' Foi hilário."
- Dave Lee - Dave Mail 63 - 15 de abril de 2017




Foto: Scarlet Page
Tradução e legenda: Pedro Tavares


20 de março de 2020

Desavença estimulou John Frusciante deixar o Red Hot Chili Peppers em 1992


A John Frusciante effects teve o privilegio de entrevistar Robbie "Rule" Allen, que entre muitos serviços com os Red Hot Chili Peppers, foi o técnico de guitarra de John Frusciante em sua primeira passagem pela banda. Na entrevista, "Rule" revelou que um desentendimento com Anthony Kiedis na época de Blood Sugar Sex Magik foi um dos motivos que estimulou Frusciante a deixar a banda pela primeira vez.



"Ele era um garoto de 17 anos e essa era a sua banda, a banda que ele sempre amou. E quando ele se juntou a banda ele não sabia como agir então ele agia como Anthony. Ele podia ser como o Anthony, se me entende. Depois deles fazerem o Blood Sugar ele percebeu o que poderia ser a coisa dele e ele meio que rejeitou aquele jeito de ser, que era o estilo “super rockstar”. Ele rejeitou aquilo. E uma das razões dele sair na primeira vez era que, durante o tempo todo em que eles estavam fazendo aquele disco Anthony dizia coisas como: “Isso nunca vai dar certo”, “Não é um bom disco”, “Isso é muito excêntrico”, “Isso não é o que nós queremos”, “Isso vai ser o fracasso da nossa banda”, “Esse disco não vai chegar a lugar nenhum”. Enquanto que para John, era um trabalho de amor. Ele estava amando o que eles estavam fazendo. Ele achava que era o melhor disco que já tinham feito. Quando o álbum se tornou um sucesso, Anthony pegou para si muito dos créditos e começou a dar declarações do tipo “Eu já sabia”... Ou seja, ele mudou de conversa. Porque foi um sucesso. John viu uma falsidade no que o Anthony estava fazendo, e isso foi o começo do fim. E o começo da perda de um herói para John. O começo de John não conseguir mais confiar na pessoa que tinha lhe mostrado tudo e com quem ele aprendeu como ser. E aí ele percebe que era tudo falso. Não sei se isso vai me trazer problemas por qualquer razão, mas eu não trabalho para eles mais [risos]. Eu sei a verdade porque ouvi a história várias vezes."



Robbie também falou de como foi a última apresentação de Frusciante com o Red Hot Chili Peppers que aconteceu em Saitama, no Japão, em 07 de maio de 1992.
"Durante aquela turnê [de Blood Sugar Sex Magik] ele estava ficando muito deprimido, estava bebendo muito vinho, estava fumando muita maconha de alta classe... Ele ainda não usava heroína, ele só estava bem deprimido pela situação com Anthony. E estava ficando um pouco psicótico, vendo coisas que não estavam lá. Quando estávamos no Japão, ainda tínhamos Austrália pela frente, então ele saiu de um elevador e me jogou algumas coisas e disse: "Preciso pegar um avião para casa imediatamente, você precisa me tirar daqui, eu preciso ir pra casa e não posso mais fazer isso aqui". Eu fui até o gerente de turnê e disse que John queria ir embora. Eles fizeram uma reunião e o convenceram de fazer aquele show e finalizar a turnê do Japão para cumprir os contratos. E aquele último show foi triste, eu vi ele entrar no palco e chorar por um tempo. Foi a coisa mais triste. Ele estava deprimido, não queria mais estar lá e não queria mais fazer aquilo. Assim ele foi pra casa."




Para ler a entrevista completa, clique aqui!


29 de janeiro de 2020

A perda da sanidade psíquica na turnê de Blood Sugar Sex Magik


"Depois de uma curta pausa, era hora da turnê europeia. John não apenas continuava se distanciando da alegria de participar da banda, como começou a perder a batalha da sanidade psíquica. Passou por um período em que diariamente achava que alguém – nosso motorista, o porteiro do hotel, qualquer um – queria matá-lo. Tentar convencê-lo de que ninguém pretendia matá-lo era uma batalha constante. Acho que ele estava numa paranoia extrema porque fumava toneladas de maconha e bebia galões de vinho, sem vontade de estar na turnê. Viajar já não era divertido. No ônibus, não falávamos, cantávamos ou falávamos sobre as coisas do dia; ele se tornou um lugar sombrio e desagradável. John tinha quebrado nossa regra de não levar namoradas ou mulheres na turnê.




Não era muito bom o fato de Toni nos acompanhar, porque isso permitia que ele se isolasse ainda mais. Muitas pessoas comparavam sua relação com a de John Lennon e Yoko Ono, mas não era exato. Toni nunca pensaria em falar por John; ela só apoiava suas decisões. Diante da tensão, ela sorria tranquilamente.

As coisas se deterioraram a ponto de John e eu não conversarmos no ônibus nem nos olharmos. Era um lugar insuportável de se estar, e eu não tinha muitos valores espirituais para enfrentar essa loucura. Fiquei triste, ressentido e envenenado pela experiência. Eu estava sendo um idiota, John também, e o pobre Flea se escondia embaixo das cobertas, sem conseguir encarar tudo aquilo. Até Lindy, que sempre fora um mediador, estava desorientado. Recebia telefonemas incessantes do pai e da mãe de John, pedindo-lhe para ajudá-lo, porque ele parecia estar em dificuldades.




Mas Lindy estava tão estupefato e paralisado quanto qualquer outro. Ninguém estava sendo proativo. Não paramos para avaliar a situação, apenas tentávamos superá-la a cada semana, o que não criava um ambiente positivo. Considerando a gravidade dos problemas, é estranho olhar para trás e ver que não percebemos que as coisas não podiam continuar assim. Elas pioraram."
- Anthony Kiedis - Scar Tissue


11 de janeiro de 2020

A gratidão a John Frusciante no Rock And Roll Hall Of Fame


O Red Hot Chili Peppers entrou para a história do rock no dia 14 de abril de 2012, quando foram nomeados para o Hall da Fama do Rock and Roll. Para apresentar a banda no evento foi convidado o humorista e amigo de longa data, Chris Rock. Cliff Martinez, Jack Irons, Jamie Slovak (irmão de Hillel), Chad Smith, Josh Klinghoffer, Flea e Anthony Kiedis estiveram presentes - dos convidados, apenas John Frusciante se recusou a comparecer ao evento, porém, ele foi lembrado durante os discursos de Kiedis e de Flea.



"Muitas coisas bonitas nascem de desastres, e o que nasceu disso, foi a entrada de John Frusciante. Ele era jovem, um estudante da escola Hillel Slovak, junto com várias outras artes e músicos, e seu espírito criativo nos levou a um novo nível. Ele era um dos mais incríveis artistas da Terra, e fomos sortudos em tê-lo na banda por duas vezes, e por termos feito músicas com ele. Seremos eternamente gratos à você, John Frusciante."
- Anthony Kiedis


"E queria homenagear também o grande músico, John Frusciante, que foi uma enorme parte de nossa banda. Ele escreveu grandes coisas para nós. Ele nos deixou com tantos presentes, e a conexão e profundidade da nossa ligação, mudou minha vida para sempre, musicalmente."
- Flea



Mesa da formação clássica do Red Hot Chili Peppers no Rock And Roll Hall Of Fame com o lugar marcado para John Frusciante.




Agradecimento: RHCP Brasil

Anthony Kiedis sonhou com Frusciante presente no Rock And Roll Hall Of Fame - Abril de 2012


O frontman de 49 anos do Red Hot Chili Peppers imaginou que estava tocando na cerimônia desse ano do Rock And Roll Hall Of Fame, e que o ex-guitarrista da banda, John Frusciante, estava sentado na primeira fila.




Kiedis logo percebe que isso não se tornará realidade quando o grupo for induzido amanhã. “Não”, Kiedis diz em um tom abafado, durante um intervalo de um ensaio nos estúdios SIR no mês passado. “Isso foi só um sonho”.

“Não posso falar por ele (Frusciante), mas acho que é como uma “ex namorada”, adiciona o baixista Flea, 49 anos.




A atual formação, Flea, Kiedis, o baterista Chad Smith e o guitarrista Josh Klinghoffer, serão homenageados junto com antigos membros da banda, como Hillel Slovak, o guitarrista original dos Chili Peppers que morreu por causa de uma overdose em 1988, e Frusciante, que substituiu Slovak e gravou 5 álbuns durante seu instável mandato com o grupo.

“Nós não estaríamos aqui sem o Slovak, porque não teríamos começado sem ele”, diz Flea.
“Por ele, ser homenageado e reconhecido é uma coisa linda para nós. Isso não quer dizer que não o homenageamos e o amamos todos os dias, mas eu acho ótimo ele entrar, assim como John Frusciante, claro, que nos deu tanto e fez alguns ótimos rocks”

Mas o guitarrista que fez melodias poderosas como “Under The Bridge” e “Californication”, não é esperado nas festividades em Cleveland, onde se localiza o Hall of Fame. Um porta-voz de Frusciante, não retornou nossas mensagens, mas Kiedis e Flea dizem que ele não estará lá, e um representante da cerimônia diz que não está previsto também.



"Ele não se sentiria confortável, eu respeito totalmente", diz Smith. "Nós pedimos a ele e ele disse: 'Eu não ficarei muito confortável com isso, mas boa sorte e obrigado por me convidarem'. Foi de boa. Ele é o tipo de cara que uma vez que ele termina algo ele avança para a próxima fase de sua vida. O Chili Peppers não está em seu radar no momento".
- Chad Smith - Billboard - Março de 2012



No entanto, a banda estará em boa companhia.

Os Red Hot Chili Peppers irão ser induzidos juntamente com os roqueiros de Los Angeles, Guns N Roses. O trio de hip hop de Nova York, Beastie Boys. O ícone folk escocês, Donovan. E o grupo inglês The Small Faces/The Faces, que conta com Rod Stewart e o guitarrista dos Rolling Stones, Ronnie Wood. Outros homenageados serão a cantora e compositora Laura Nyro, e o cantor de blues Freddie King.




Flea comparou a indução de 2012 com uma reunião de família. Ele cresceu em Los Angeles junto com Steven Adler e Slash, do Guns N Roses. Na Costa Leste, os Beastie Boys seguiram uma trajetória semelhante ao mesmo tempo que o Chili Peppers. E Wood tem sido uma figura paterna para o grupo, e até se juntou aos Chili Peppers em 2009 para o projeto The Insects.

Kiedis disse que a banda pretende tocar algumas músicas na cerimônia de sábado, e que serão acompanhados pelos ex Chili Peppers Jack Irons, e Cliff Martinez, para uma sessão de bateria à três. Ele também brincou dizendo que os Chili Peppers irão fazer com que os outros homenageados desse ano se acabem num mash-up funkadelic.

“É engraçado”, diz Kiedis. “As pessoas ficam me perguntando: você já imaginou que seria induzido no Rock and Roll Hall of Fame? É uma pergunta engraçada porque a resposta é “claro que não”. Quando começamos, nós só pensávamos nas próximas 24 horas. Acho que o máximo de tempo que pensávamos, era uma semana . Tipo: “Oh, temos um show na próxima quinta-feira. Deveríamos escrever uma música”.




Misturando doses de funk, punk, heavy metal, rap e pop tradicional sobre uma base de rock, os Chili Peppers conseguiram alcançar um nível consistente de grande sucesso, desde sua formação original em 1983, vendendo mais de 83 milhões de álbuns e ganhando 7 Grammy Awards, com todos mantendo suas rebeldias (as vezes prejudiciais) e sensibilidades.

A homenagem do Hall of Fame, chega numa época em que a banda está literalmente voltando a ficar em pé. A parte norte americana da turnê do 10º álbum de estúdio, “I’m With You”, teve que ser adiada quando Kiedis precisou passar por uma cirurgia em seu pé, que ele machucou novamente em St. Barts.

“Tivemos que parar um pouco essa maravilhosa turnê“, diz Kiedis, que já está com o pé curado. “Nós estávamos nos divertindo. E acabou sendo uma benção disfarçada, não somente porque eu pude dar uma acalmada e reparar cirurgicamente essa pata machucada, mas todos fomos para casa com o inverno mais bonito que já teve em Los Angeles”.




Para o as vezes maníaco, mas sempre pensativo Flea, que nasceu Michael Balzary, a pausa inesperada deu à ele tempo para aprender música “bebop” e para treinar para a maratona de L.A. (Ele terminou com um tempo de 3:41:49, superando seu tempo do ano passado 3:53:00). Mas o mais importante, ele disse que foi uma oportunidade para a introspecção.

“Eu vim de um lugar onde aceito as dificuldades e abraço elas”. diz Flea. “Antes, eu costumava a minimizar as coisas ruins e maximizar as coisas boas. Agora, eu quero tudo. Eu quero a dor. Eu quero o sofrimento, assim como a beleza transcendente de tocar com as pessoas que amo. Eu estou nisso”.




Durante a pausa, Flea também começou a escrever novas músicas com Klinghoffer, que entrou na banda em 2009 e co-escreveu o “I’m With You”. É algo que Kiedis espera que continue na turnê, que voltou no dia 29 de março em Tampa, na Flórida. E está marcada para ir até o dia 01 de novembro em Milwaukee, Wisconsin. Com paradas nos EUA, Canadá e Europa.

“No passado, costumávamos escrever, gravar, fazer turnê, dar uma pausa, escrever, gravar, fazer turnê, essas coisas”, diz Kiedis. “Dessa vez, por alguma razão, parece que novas músicas estão esperando nas asas para acontecer”.




Fonte: Entertainment Writer - The Associated Press -11 de abril de 2012

4 de janeiro de 2020

Anthony Kiedis conta como Frusciante entrou no Red Hot Chili Peppers


Anthony Kiedis contou a história completa da entrada de John Frusciante no Red Hot Chili Peppers, que ocorreu em novembro de 1988, na sua autobiografia Scar Tissue e no An Oral/Visual History - livro da banda.



Scar Tissue

"Começamos imediatamente a ensaiar com D. H. e Blackbird. D. H. logo pareceu se encaixar, era divertido e adorava música. Blackbird teve mais dificuldade. Era um guitarrista talentoso, mas nunca havia estado em uma banda onde todos criavam juntos. Estava acostumado a receber uma fita de George Clinton, entrar num estúdio sozinho e trabalhar durante dias em suas partes.

Mais ou menos nessa época, D. H. apresentou Flea a um jovem fenômeno da guitarra chamado John Frusciante. John era um fanático dos Chili Peppers que assistia a nossos shows desde os 16 anos. Mas Bob Forrest estava atraindo John para tocar com seu grupo, o Thelonious Monster. John me contou que ia até a garagem de Bob para fazer um teste, e eu me ofereci para levá-lo de carro. Para mim, o teste era para o Red Hot Chili Peppers. Já na primeira música, vi que era o cara certo para nós. Então liguei para Blackbird e disse:




– Desculpe, mas não podemos ficar com você na banda. Muito obrigado por tudo.
– Seu filho da puta! – disse Blackbird.
– Ora, Blackbird, não sou eu. É a situação.
– Seu filho da puta! Vou queimar sua casa.
– Blackbird, não queime minha casa. Foi uma decisão da banda. Não deu certo.
– Está bem, eu aceito – ele disse.
– Desde que você aceite que vou queimar sua casa.

Foi o fim de nossa conversa. Eu era um filho da puta e ele ia queimar minha casa.




Nem tudo foi perfeito assim que John entrou na banda, mas a química mudou imediatamente. Ele amava fazer parte do Red Hot Chili Peppers, algo que não sentíamos há muito tempo. Apesar de inexperiente, John estava dando tudo de si. D. H. e John eram amigos. Agora, tínhamos um grupo em que queríamos ir para o mesmo lugar. Era muito animador, mas ainda levaria um longo tempo para se consolidar."
- Anthony Kiedis - Scar Tissue


An Oral/Visual History

"Conheci John num quintal durante um churrasco. D.H Peligro o apresentou para nós. Ele dizia "vocês têm que ouvir esse garoto. Ele é um adolescente, um priodígio e ama loucamente os Red Hot Chili Peppers, além de saber tocar todas as suas músicas em vários instrumentos."

Eu pensei: Ora, isso é maravilhoso. Alguém capaz de tocar todo o nosso som e gostar de nós o suficiente para aprender a tudo isso. Nós conhecemos nesta festa e batemos um papo legal. Eu o achei um cara legal, mas ainda não tinha o visto tocar. Flea e ele haviam feito algumas jams em seu apartamento, só os dois. Eles gravaram um pouco daquilo pra mim e acho que fizeram assim por causa da situação com Blackbird. Flea disse: "é estranho, porquê nós já temos um guitarrista, mas esse garoto se parece mais conosco". Flea me mostrou o som que havia feio com John dizendo "aah, vamos fazer o que é preciso fazer". Nós não ainda não tínhamos demitido Blackbird, mas já estávamos andando com John um pouco.




John disse que tinha um teste com Thelonius Monster. Eu disse "Ok, eu te dou uma carona até lá". Eu leve John até garagem de Bob Forest. John chegou lá e arrasou no teste. Eu pensei: "Eu não posso deixar ele se juntar ao Thelonius Monster. Ele é o nosso guitarrista. Eu tenho que intervir nisto agora! Nós temos que pegar esse garoto para nós. Eu odeio fazer isso com com Bob, mas eu não poderia deixar John escapar."

De alguma forma, Bob sabia que John foi feito pra tocar no Red Hot Chili Peppers. Bob provavelmente estava puto e frustrado porque estávamos roubando o que poderia ser um grande guitarrista, mas, ao mesmo tempo, eu sentia que havia um entendimento oculto de: "eu entendo, ele é o cara certo para vocês". Bob é generoso, eis que sabia que Blackbird tinha que sair do Red Hot Chili Peppers.




Flea e eu tinha passados por muitas contratações e demissões desde Jack Sherman e agora era minha vez de fazê-la. Liguei para Blackbird, expliquei calmamente que as coisas não estavam dando certo com ele na banda, mas ele acabou levando pro lado pessoal. "Anthony, seus filho da puta! Eu vou queimar a sua casa"."
An Oral/Visual History - págs. 48-49




Fonte: Scar Tissue - Anthony Kiedis e Larry Sloman; e An Oral/Visual History.

18 de dezembro de 2019

Anthony Kiedis respondeu sobre uma possível volta de Frusciante em 2016


Anthony Kiedis foi perguntado se a porta estava aberta para uma possível volta de John Frusciante à banda em uma entrevista para o Journal de Montreal, publicada em 23 de julho de 2016.


Josh Klinghoffer está na guitarra, ele está de maneira definitiva no Red Hot Chili Peppers ou a porta está ainda aberta para um retorno de John Frusciante?
"Ha! Ha! Ha! Gostaria apenas de dizer que não há porta. Isto não é necessário. Acho que ele está feliz com o que ele fez e estou extremamente feliz com o que estamos fazendo com Josh. Ele é um músico incrivelmente criativo e inspirado. Sempre serei grato por ter feito música com John. Ele é um dos grandes roqueiros. Mas ele não sente falta disso."
 

Você ouviu falar dele recentemente?

"Não, mas eu ouvi algo positivo, que ele queria ouvir o álbum. Eu pensei que seria o oposto. Isso mostra que ele se preocupa com a gente. Eu prefiro assim."



Fonte: Journal de Montreal - Julho de 2016

19 de julho de 2019

A relação de John Frusciante e a autobiografia de Anthony Kiedis


Anthony Kiedis lançou sua autobiografia - Scar Tissue, em parceria com Larry Sloman - em outubro de 2004. No livro, Kiedis narra histórias desde o seu nascimento em 1962 até o início de 2004, sendo grande parte dedicado ao Red Hot Chili Peppers. Como esperado, John Frusciante é um elemento chave ao enredo: a entrada na banda, a amizade entre os dois, as composições, as turnês, os problemas de Frusciante, a volta e muitas outras memórias.



Porém, teria Frusciante lido a autobiografia do vocalista do Chili Peppers?
Ele não leu. "Pedi a Anthony uma cópia em três ocasiões. Ele diz: Claro, mas nunca chega", diz Frusciante que sorri. Mas o guitarrista ouviu o que está nele. Ele não ficou impressionado. "Existem coisas que deveriam ser segredos. Nós dissemos, nós não vamos falar sobre isso, mas está tudo lá. Não é a merda mais legal do mundo... mas eu o perdoo".
- Q Magazine (238) - Maio de 2006

10 de maio de 2019

Frusciante fala sobre o estilo vocal de Anthony Kiedis - Meados de 2003


"Eu acho que a ideia de ter um cantor como Anthony é que muita gente o vê como não músico e isso vem de uma premissa de um ponto de vista de alguém que os sentimentos pela música são muito concisos mas ele tem uma grande capacidade de sentir a musica, apesar de não saber nada sobre música, ou notas ou qualquer uma dessas coisas. E isso faz uma interessante justaposição contra Flea ou Hillel, que era o guitarrista antes de mim, que são muito devotos aos seus instrumentos. E faz um bom equilíbrio. Durante o tempo em que estive, ele mudou seus vocais de basicamente melodias faladas, não exatamente notas melódicas mas um tipo de movimento de rap, que não é melódico. Ele foi disso para agora que é quase sempre exclusivamente melódico.




Para mim ele esta crescendo, como um escritor de canções maduro, e originalmente ele estava saindo daquele lugar de não fazer melodias. Para mim tem sido tudo intuição da parte dele, ele ainda não sabe nada, ele não consegue se encontrar no piano, então é tudo inspiração.




Para mim é inspirador por que eu gosto de ouvir, você sabe, gosto de dar a ele uma progressão de acordes, uma série de acordes e ver o que ele faz, as notas que ele escolhe desses acordes, por que muitas vezes ele escolhe uma nota estranha do acorde que eu não esperava que alguém que não toca um instrumento soubesse que aquela nota estava lá."
- John Frusciante fala sobre suas bandas favoritas - Meados de 2003




Tradução: Eloá Otrenti - Frusciante Brazil

8 de julho de 2018

Anthony Kiedis fala sobre "discórdia e tensão" antes da saída de Frusciante


Em entrevista feita pelo Chuck & Randy Show em 2011, no entanto, divulgada no dia 07 de julho de 2018, Anthony Kiedis fala sobre a saída de John Frusciante dos Red Hot Chili Peppers e os momentos que precederam tal decisão.


Sobre John sair da banda, como você se sentiu sobre isso? Quando você soube que iria acontecer?

"Err. Sabe, depende do quão intuitivo você é. Essas coisas podem sempre acontecer de formas diferentes, mas foi ótimo porque precisava acontecer e é difícil ter a coragem de fazer essas coisas acontecerem, porque é algo tão sensível, mas quando ele fez isso, ele fez de maneira muito correta. Ele veio e falou de forma muito calma e sincera que ele simplesmente queria fazer outra coisa, o que é totalmente compreensível. E foi um grande alívio porque havia uma certa quantidade de discórdia e tensão que havia crescido dentro dele por não estar onde queria estar e vice e versa, então foi um gesto muito gentil dele e acabou dando muito certo. Eu acredito que ele está feliz fazendo o que está fazendo. Isso fez acontecer o que não conseguiríamos fazer com nós mesmos, nos permitiu ter um novo relacionamento e começar do zero. E já era tempo de começarmos do zero, e se tivéssemos começado de algum outro lugar e não do zero, seria algo chato; então fomos forçados a nos conhecer novamente e ver quem éramos e ir trabalhar, o que é algo maravilhoso de se fazer."


Tradução: Pedro Tavares
Agradecimento: Rebecca e Invisible-Movement.net
Fonte: Chuck & Randy Show

24 de fevereiro de 2018

O episódio do Saturday Night Live por Anthony Kiedis



Em 22 de fevereiro de 1992, o Red Hot Chili Peppers participou do programa americano ultra-famoso Saturday Night Live para divulgar seu novo disco Blood Sugar Sex Magik, do ano anterior. O que era para ser apenas mais uma apresentação na televisão acabou se tornando uma das mais clássicas performances da história da banda. E tudo por causa de uma pessoa: John Frusciante.




Os Peppers tocariam duas músicas: "Stone Cold Bush" e "Under the Bridge". Em ambas, aconteceram problemas: na primeira, Anthony rola no chão e acerta um chute aparentemente sem motivo em John e na segunda John inventa uma introdução deixando Anthony totalmente perdido, além de não cantar sua parte vocal da música, apenas dando berros no lugar. John Frusciante já estava saturado de tudo que envolvia a rotina da banda e tocava sem nenhum cuidado, além de estar constantemente drogado. Ele sairia do RHCP em dois meses, mas antes de sair, deixou duas performances marcadas em sua carreira e na carreira da banda.




Anthony Kiedis dá grande ênfase a esse momento em sua autobiografia Scar Tissue. Confira abaixo o que o vocalista relata sobre esse dia, após deixar claro que sua relação com John estava completamente insuportável:

"Interrompemos nossa turnê européia para voar para New York no fim de fevereiro para participarmos do programa Saturday Night Live, o que foi um desastre do começo ao fim. Nem cinco minutos que estávamos lá e John já estava brigando com o staff. O supervisor musical, um cara que estava lá há anos, deu um leve esporro em John. John deu as costas e disse para Louie “Se esse cara falar mais uma palavra pra mim, eu não faço essa porra de show”. Eu já estava apreensivo porque íriamos tocar “Under the Bridge” como segunda música, e era sempre um desafio para eu cantar. Eu era totalmente dependente de John na música por causa da deixa, e quando fizemos o ensaio de camarim, ele estava tocando uma coisa diferente, fora do tom, num tempo diferente, basicamente reinventando a música apenas para si mesmo e mais ninguém. Eu fiquei desorientado. Falamos com ele para esquecer aquilo ainda no camarim, mas não tinha conversa com ele. Ele encontrou Toni e foi para outra sala.



Mas ele ficou no camarim tempo bastante para se sentir puto quando Madonna apareceu para nos visitar. Ela estaria em um dos quadros naquela noite, então apareceu para dizer olá. Eu já a conhecia por anos e anos, desde o seu clipe de “Holiday”, quando ela me queria para participar se eu aceitasse mudar meu corte de cabelo (o que eu não aceitei). Por todo o tempo que ela ficou lá, sem perceber, ela ignorou John e ele ficou louco, irado por ela não ter dado a ele nenhum amor e nenhuma atenção.



O programa começou e tocamos nossa primeira música, “Stone Cold Bush”, um rock rápido. Foi tudo bem. Então quando voltamos para tocar “Under the Bridge”, eu ouvi alguém dizer que John tinha usado heroína durante o programa, mas ele deveria estar em outro planeta, porque começou a tocar uma merda que eu nunca tinha ouvido antes. Eu não tinha nem idéia de que música ele estava tocando ou em que tom ele estava. Ele parecia estar num mundo diferente. Até hoje, John nega que estava tocando fora do tom. De acordo com ele, ele estava experimentando o jeito que faria se estivéssemos ensaiando a música. Bem, não estávamos. Estávamos na TV ao vivo na frente de milhões de pessoas e aquilo foi uma tortura. Comecei a cantar no tom que eu achava que era o certo, mesmo que ele estivesse tocando em outro. Senti que estava sendo esfaqueado pelas costas, me matando na frente de toda a América enquanto aquele cara estava num canto, no meio da sombra, tocando um experimento dissonante fora do tom. Achei que ele estava fazendo aquilo de propósito, só para foder comigo.



Tocamos a música e soou como quatros caras diferentes tocando quatro músicas diferentes. Nessa época eu estava saindo com Sofia Coppola, mais uma das minhas intermináveis tentativas de relacionamento naquele período da minha vida. Ela era de longe a garota mais legal com quem eu tinha saído, especialmente no período pós-Carmen, e disse a ela para não perder a apresentação. Chegou a hora e eu estava lá naquela porra morrendo. Quando uma coisa assim acontece, é como se um cara perdesse um pênalti no fim do jogo: a única chance dessa dor ir embora é o cara jogar outro jogo e ter outra chance de acertar um pênalti.



Essa dor continuou por um bom tempo, pois voltamos para a Europa e o comportamento de John ficava cada vez mais errático. Quando era hora de seus solos, ele tirava o cabo da guitarra e fazia um barulho escroto, aí plugava de volta e, se ele se sentisse bem, tocava o refrão. O fato irônico sobre o Saturday Night Live foi que, uma semana depois da nossa apresentação, nosso disco estourou. Talvez fosse coincidência, mas talvez as pessoas ouviram algo naquela performance caótica que os tocou."


20 de fevereiro de 2018

Quando Anthony Kiedis quase inutilizou a Strat '55


Esta história foi contada por Dave Lee, ex-técnico de guitarra de John Frusciante, no 106° Dave Mail em 29 de setembro de 2017.




"Nós estávamos gravando nos estúdios Ocean Way, em Hollywood. A '55 estava em um banco no saguão do estúdio. Anthony Kiedis a pegou e começou a dedilhar nela. E depois que ele terminou, ele a colocou em pé no sofá (ao invés do banco). Então ela deslizou, caiu do sofá e bateu no canto de uma mesa. Eu não pude acreditar.




Ninguém deu uma bronca no Anthony porque todo mundo naquela sala, a não ser eu, teria feito a mesma coisa. Lol. Eu levei-a para a Eric's Guitar Shop em Panorama City. Ele a consertou."



EM TEMPO: Nesse Dave Mail 106, de setembro de 2017, Dave Lee nos contou essa história e atribuiu os danos da escala a esse incidente. Contudo, no final de 2019, ele lembrou que ela já havia vindo com esse reparo nas casas 18 e 19, e que na verdade Anthony Kiedis foi responsável por um dano no semicírculo do headstock que Dave Lee a levou no Eric's Guitar Shop para ser reparada. Com isso, essa Stratocaster de 1955 possui dois reparos: 1) é visto na parte inferior da escala nas casas 18 e 19, ela já veio assim quando Frusciante a comprou e eles não sabem o motivo; e 2) no semicírculo do headstock por qual Anthony Kiedis é responsável, ele apoiou a guitarra em um sofá enquanto a banda estava gravando nos estúdios Ocean Way, em Hollywood, e ela escorregou e bateu no canto de uma mesa - Dave Lee a levou no Eric's Guitar Shop para ser reparada.





Dave Mail
Confira nossa entrevista com Dave Lee: Português | English

17 de fevereiro de 2018

Anthony Kiedis faz uma série de elogios a John Frusciante - Dezembro de 2014


Anthony Kiedis esteve em um evento especial da livraria Barnes & Noble em Nova York no final de novembro de 2014 e falou bastante a respeito do ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers, John Frusciante.



Primeiro, ao ser questionado sobre como Frusciante lidou com o fato de ser fã da banda onde estava tocando, ele revelou:

"Deveria ter sido extremamente difícil, mas foi muito fácil. Havia algo nele que estava além do fã típico, porque ele também era fã de muitos outros músicos, nós não éramos seu foco principal. Nós éramos um dos tantos artistas que o inspiravam para criar música das mais diferentes maneiras que ele havia estudado, mas ele havia feito o mesmo com Frank Zappa e tantos outros. Quanto mais o conhecia, mais aprendi sobre a profundidade do seu conhecimento musical. Ele não era vivo tempo o suficiente para aprender sobre tudo aquilo, mas aprendeu. A transição foi que nós éramos indivíduos arrogantes naquele ponto de nossas vidas, jovens, estúpidos, rudes e egoístas."


Éramos pequenos idiotas, para falar a verdade, e depois crescemos, e ainda bem que as pessoas não nos largaram. Mas ele tornou tudo fácil, divertido, ele era um verdadeiro estudante de música e arranjos. Eu só precisava lhe mostrar uma ideia minúscula para uma música, tipo “eu tenho esse verso, tenho essa melodia,” e ele falava, “ótimo! vamos para o quintal e terminamos a canção.” De alguma maneira essa barreira dele ser um fã não existia, ela desapareceu assim que nos cumprimentamos e começamos a tocar."



Kiedis ainda falou sobre como Frusciante teve problemas ao lidar com a fama, algo que deve ter ficado com o guitarrista durante toda sua carreira a ponto dele dizer que nunca mais quer estar em uma banda:

"Ele era jovem, bonito, talentoso e de repente tinha algum dinheiro no bolso. Eu acho que esse nível de adoração é difícil para seres humanos, eu não acho que ninguém receba essa quantidade de adoração e lide bem com ela. É estranho, você se torna egoísta, cheio de si, porque todo mundo está te dando atenção. Não tem como ninguém lidar direito com isso. Algumas pessoas acabam morrendo por causa disso, como jovens atores, “Você é o melhor de todos os tempos. Oh – você passa pela puberdade então.” É algo muito difícil, e acho que foi difícil para John, acho que o acertou de maneira pesada.



Eu não acho que ele tenha sido preparado para tudo isso, tanta coisa ficou estranha e mudou tão rápido. Fizemos muito em pouco tempo, e tudo se evaporou rapidamente, aí ele voltou e fizemos mais um monte de coisas. Nós claramente fomos feitos para compor música juntos, e escrever letras juntos, e ter as experiências caóticas que tivemos. Sempre serei grato e irei me considerar um homem de sorte por ter conhecido essa pessoa com quem eu posso sentar para escrever músicas de uma maneira tão fácil."




Tradução: Tenho Mais Discos Que Amigos
Fonte: Alternative Nation - Dezembro 2014

22 de janeiro de 2018

Melódica dada por Frusciante a Anthony Kiedis é vendida pela Recordmecca


Uma Melodica Piano 32 da Hohner, mais conhecida como escaleta, dada por John Frusciante para Anthony Kiedis, está sendo (foi) vendida pela RECORDMECCA por 500 dólares. Kiedis, posteriormente, deu o instrumento para o filho de Louie Mathieu, Cash, após deparar com o garoto tocando-o no estúdio em que os Red Hot Chili Peppers estavam - após longos anos na mão de Cash, o presente agora foi vendido acompanhado por uma declaração de Mathieu que era gerente de turnê da banda na época.









"Essa nota serve de autenticação para a Hohner Melodica Piano 32 dada por John Frusciante para Anthony Kiedis. Não tenho certeza se Anthony o usou, mas meu filho, Cash estava visitando o estúdio e Anthony o viu tocando com ela e a deu pra ele. Eu não acho que Cash tenha a usado muito depois desse dia também. Eu trabalhei com os Red Hot Chili Peppers de 1986-2004 em várias funções, eventualmente atuando como gerente de turnê.

Isso é da minha coleção pessoal."






Flea tocou uma escaleta na canção "On Mercury", lançada no álbum By The Way, em 2002, porém não se sabe se seria esse mesmo instrumento.

- John Frusciante: "['On Mercury'] também foi uma das primeiras coisas que eu compus. Eu tinha acabado de voltar de uma pequena turnê tocando minhas próprias músicas, e eu voltei pronto para dar todo o meu foco e energia para os Chili Peppers. Eu estava escutando muito The Smiths, durante todo o tempo em que estávamos fazendo o disco, e eu me lembro de acordar de manhã e escrever essa música, essa guitarra. Flea adicionou a escaleta enquanto estávamos gravando, e eu achei que isso deu mais dimensão à música".
- Anthony Kiedis: "Nascida de uma jam, e todos os membros dessa banda tem uma enorme variedade de gostos musicais, nós escutamos de tudo, nós tocamos de tudo. E isso apareceu e ficou guardada, foi uma das primeiras músicas, mas ela passou no teste de tempo. Enquanto outras músicas foram cortadas, essa continuou achando seu lugar, foi uma das últimas músicas que eu cantei no estúdio. Foi a penúltima canção que eu concluí a letra. Obviamente, ela tem um groove bem ska para o Red Hot Chili Peppers. Flea toca escaleta nessa música, o que realmente dá aquele toque extra que ela precisava para soar bem para o disco. É uma das músicas mais alegres do disco, então nós a queríamos também por esse motivo. É isso, é tudo que eu posso dizer sobre 'On Mercury'."




Acesse: RECORDMECCA

13 de janeiro de 2018

Tensões pós-Blood Sugar Sex Magik


"Eu via nosso sucesso como uma benção monumental. Não achava que éramos maiores que antes - éramos os mesmos caras, mas estávamos cantando para muito mais ouvidos, olhos e corações. Eu acreditava que devíamos respeitar esse dom, esse incrível golpe de sorte. Nós não nos vendemos, não mudamos nossos princípios para alcançar mais pessoas, simplesmente aconteceu. John, porém, via nossa nova popularidade como algo ruim. Costumávamos ter enormes discussões nos bastidores.

- Estamos populares demais! Não preciso desse nível de sucesso. Para mim bastaria tocar nossa música em clubes, como vocês faziam anos atrás - John dizia.

- Não é ruim que esses garotos tenham vindo - eu dizia. - Vamos fazer um bom show para eles. Não precisamos nos odiar e ficar loucos com eles porque isso aconteceu.




Ele ficava furioso, se escondia e não queria fazer o que eu queria. Esse foi o meu grande erro, querer que todos reagissem à situação da mesma maneira que eu. John já tinha decidido o que era legal, e tocar para um estádio cheio de garotos deixou de ser legal para ele. Preferia estar em casa escutando Captain Beefherat e pintando. John estava lendo muito William Burroughs na época, e sua idéia, tirada de Burroughs, era que todo verdadeiro artista está em guerra com o mundo.




Ironicamente, quanto mais ele desprezava nosso sucesso, mais populares ficávamos. Qunato mais ele batia os pés, mais discos vendíamos; quanto mais decepcionado ele ficava com o número de pessoas que passavam pela porta, mais pessoasvinham aos shows. Eu achava maravilhoso o fato de termos criado algo especial e o mundo responder assim.




Meus crescentes problemas com John estavam criando enormes tensões na banda, que causavam angústia adicional para Flea. Ele estava se separando da mulher, então tudo isso o fazia tomar alguma coisa para dormir, alguma coisa para acordar e alguma coisa para o meio do dia. A química de seu cérebro estava sendo perfurada por receitas médiacas. O que poderia ter sido a época mais exitante de nossa carreira acabou sendo muito estranho. John estava sombrio e traído. Flea sob influência de todas as medicações prescritas, e eu apesar de sóbrio ainda era aquele maluco exagerado. E Chad era Chad.




Minhas tensões com John chagaram a ponto de ebulição em um show que fizemos em Nova Orleans. A casa estava lotada e John ficou parado num canto, mal tocando a guitarra. Quando saímos do palco, eu disse:

- John não importa o que você esteja pensasando ou onde preferiria estar, mas quando damos um show e há tanta gente que pagou para nos ver e gosta de nós, o mínimo que você pode fazer é aparecer e tocar para elas - gritei.

- Não é assim que eu vejo. Preferia tocar para dez pessoas e... bla-bla-blá....




E a discussão continuou. Flea nos observava, pensando: "Ah, não, aconteceu... A briga entre Anthony, O Maniaco controlador, e John O Cara que odeia isso tudo". John e eu entramos num banheiro para ver se conseguíamos nos entender. Afinal chagamos a um entendimento e concordamos em aceitar a visão diferente um do outro..."
Scar Tissue - págs. 217-218.






Uma entrevista feita com John em 1997 no progama 'Eric Blair Show' com Keith Morris (à direita) do lendário grupo Circle Jerks. Feito um mês antes do lançamento de "Smile From The Streets You Hold".



Então você foi bastante "duro"...

"Talvez alguém possa ter sido ruim, mas se eu tivesse sido uma pessoa que gostasse de dar autografos, eles provavelmente não teriam pensado que eu era interessante, para mim como à realidade, eu os considerava...

Anthony amava dar autógrafos, gastar tempo e energia fazendo coisas que eu não me sentia realizado."




Então dizer que o fato das pessoas se aproximarem para lhe pedir um autógrafo, o fazia se sentir humilhado?

"Não, eu sou modesto... sempre fui desde pequeno, eu sempre tentei permanecer modesto... sabe... Quando se fala com um fã, está falando com alguém que não está falando com você. Estamos falando de uma foto com sua imagem, estamos falando com um cartaz, e ainda se você cometer o erro de pensar que eles estão falando com você, quando dizem que é um gênio ou um merda... Independentemente de sua imagem, se você acredita no verdadeiro ser humano, você morre. E é por isso que muitos rockstars tornam-se uma imagem."

David Bowie e Brian Eno negaram convites para produzir discos dos Chili Peppers


Em 26 de janeiro de 2016, Anthony Kiedis esteve presente no programa Joynesy's Jukebox pela rádio 95.5 Klos de Los Angeles, e em conversa sobre a morte de David Bowie, revelou que o camaleão do rock negou de maneira "respeitosa" produzir dois (ou três) álbuns dos Red Hot Chili Peppers - que vieram a ser By The Way e Stadium Arcadium, lançados respectivamente em 2002 e 2006.



Anthony disse também, em tom de brincadeira, que Brian Eno já disse não oito vezes e que os Red Hot Chili Peppers tentam por toda carreira que ele produza os discos da banda.




Veja abaixo a tradução da conversa:
"Toda vez que a gente gravava um disco, tínhamos uma discussão na banda. “Quem a gente deveria convidar para produzir o álbum?” “Eu não sei, deveríamos tentar alguém novo. Vamos chamar David Bowie!” “Ok, vamos ligar pra ele.”
Então no começo a gente ligava para ele, e ele dizia não de maneira respeitosa. Aí depois a gente escrevia longos e-mails explicando tudo e porque era hora para a gente se reunir, e ele sempre recusou respeitosamente. Por dois minutos eu ficava de coração partido, aí eu ouvia o Chad Smith tocar bateria e pensava, “Estamos bem, podemos fazer outra coisa.” 
Pedimos para que ele produzisse By The Way, enquanto estávamos compondo By The Way, e aí pedimos novamente para o nosso próximo disco, que acabou sendo Stadium Arcadium. Ele disse não para nós duas ou três vezes, mas seu colega Brian Eno, a quem também pedimos para produzir nossos discos durante toda a carreira, disse não oito vezes."
Tradução: Tenho Mais Discos Que Amigos


John Frusciante e a admiração pelo trabalho de David Bowie e de Brian Eno:

David Bowie

Ele cita David Bowie como uma de suas inspirações para os vocais e já colaborou ele na mixagem da música "Bring Me the Disco King" em 2003. Em 2010, Frusciante teve a oportunidade de colaborar em um cover da música "Red Money", com o Swahili Blonde, tocando guitarra e fazendo os back vocals, banda da sua ex-esposa, Nicole Turley.











Brian Eno

Já com Brian Eno, John Frusciante começou uma amizade durante a passagem da turnê de By The Way pela Inglaterra - quando ele foi a um show dos Chili Peppers - os dois se encontraram após décadas de admiração e ele sendo um "herói" para Frusciante. Após o encontro, Brian Eno convidou John Frusciante para passar um dia em seu estúdio, eles passaram o dia ouvindo discos e conversando sobre gravação e equipamentos, e para demostrar o setup de gravação de guitarra, Eno pediu para que Frusciante tocasse alguns solos que acabaram sendo gravados e com eles Eno montou uma música - conforme John Frusciante disse em entrevista a revista Scene Point Blank (USA) em março de 2004. Além disso, John Frusciante cita constantemente a influência de Brian Eno nas suas gravações e abordagens de texturas nos sintetizadores e nas guitarras. 


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