14 de março de 2020

JF EFFECTS ENTREVISTA: ROBBIE "RULE" ALLEN (2020)

Robbie Allen abraçado por Anthony Kiedis e por John Frusciante em algum momento de 1989.

A John Frusciante effects teve o privilegio de entrevistar Robbie "Rule" Allen, que entre muitos serviços com os Red Hot Chili Peppers, foi o técnico de guitarra de John Frusciante em sua primeira passagem pela banda. Robbie começou a trabalhar com eles na turnê do The Uplift Mofo Party Plan vendendo camisetas da banda, depois passou a ser roadie, chegou abrir shows da turnê do Mother's Milk com um número de comédia e por fim foi vocalista e guitarrista de apoio na turnê de One Hot Minute - um cara que vivenciou muitas das fases dos Chili Peppers. Essa entrevista ocorreu em uma tarde de domingo no final de fevereiro, "Rule" falou com nosso colaborador Felipe Freitas diretamente da sua casa em Long Beach, e é fruto de quase uma hora de bate-papo.




Primeiramente nós da John Frusciante effects queremos te agradecer, estamos muito felizes com a oportunidade de falar com você. Sua trajetória com o Red Hot Chili Peppers começou na era The Uplift Mofo Party Plan. Como foi seu primeiro contato com a banda?

"Eu devia ter entre 18 e 19 anos, tinha um colega de quarto que também era meu amigo, ele era roadie da minha banda na época, e também era gerente de turnê de bandas da região como The Untouchables, TSOL… Entre outras bandas pequenas com quais ele saía em turnê, tipo caras em uma van ou motorhome, e umas dessas bandas locais era o Red Hot Chili Peppers. Eles não eram grandes, faziam turnês em motorhomes ou trailers. E eu tinha acabado de concluir o ensino médio, ia ser um enfermeiro psiquiátrico [risos], e esse treinamento meio que me preparou para lidar com os Peppers.

Ele chegou em mim um dia e perguntou se eu poderia vender camisetas para os caras, pois eles faziam o próprio merchandise. Havia um cara chamado Greg “Old” Link que fazia as camisetas. Eles desenvolviam os próprios designs com ele, confeccionavam as camisetas, levávam-as no trailer, eles mesmo vendiam e faziam uma enorme quantidade de dinheiro assim. Aí me chamaram pra fazer isso, e quando me disseram quanto eu ganharia eu pensei: “Isso é mais do que eu conseguiria trabalhando em qualquer outra coisa”. Então eu fui com eles naquela turnê. Era com Hillel Slovak, Jack Irons, Flea e Anthony. Eu era um garoto.

Eu tinha visto os Peppers quando tinha uns 17 anos. Eles tocaram aqui em Long Beach no Fenders [Ballroom], um bar punk local. E os vi tocar provavelmente para mil pessoas. E eles explodiram minha mente. Meu amigo disse: "Venha ver essa banda comigo". Eu fui e foi avassalador. Aí fui e comprei o primeiro EP deles, comprei o segundo álbum e eu ouvia constantemente em vinil. Então eu já era um grande fã deles. E quando Mark me ofereceu a oportunidade de trabalhar com eles, eu simplesmente agarrei. Aquela turnê foi brilhante. Hillel estava se afundando no uso abusivo de drogas... Todos eles caiam nisso o tempo todo, mas na época eles haviam feito um pacto de não usar heroína. E ele obviamente estava quebrando este pacto e escapando para usar heroína. Eles acharam agulhas certa vez. Havia muita tensão por causa disso. E ele não era muito comunicativo, ele estava sempre introspectivo. Então voltamos dessa turnê e ele morreu logo depois disso."



Anthony disse certa vez que muitas coisas bonitas nascem de desastres e o que nasceu da morte de Hillel foi a entrada de John Frusciante. Qual foi seu primeiro contato com John e como foi a adaptação dele à atmosfera do Red Hot Chili Peppers?

"Foi curioso que Hillel morreu e eles tentaram algumas substituições. Se não estou enganado, [DeWayne] Blackbyrd McKnight [guitarrista do Parliament-Funkadelic] fez uma pequena turnê com eles em algum ponto e vieram alguns outros caras. Depois daquela primeira turnê em que eu vendia camisetas, na turnê seguinte eu já era técnico de guitarra do John ou do Blackbyrd. Mas quando John entrou, a primeira vez que o vi ele tinha um moicano bem longo e vermelho, tinha 17 anos de idade, os Chili Peppers eram sua banda favorita no mundo, ao mesmo tempo em que ele ia à escola de guitarra GIT [Instituto de guitarra e tecnologia] e seu guitarrista favorito era Steve Vai. Ele estudava o estilo de Vai, assistia o Frank Zappa e todas aquelas coisas eram o que ele realmente curtia. Só que eu não estava gostando muito desse meu trabalho. Quando eu o conheci, ele era metido e arrogante, tinha péssimas habilidades sociais, provavelmente vivia dentro de casa... Na maior parte do tempo ele não era muito bom com pessoas e não sabia como lidar com a equipe. Ele era tipo "sou a melhor coisa no mundo", um garoto arrogante e esnobe."

É, ele era um jovem garoto e provavelmente o Chili Peppers foi a primeira banda séria em que ele esteve…

"Bem, como eles o acharam? Ele estava numa banda chamada Thelonious Monster, com Bob Forrest. A melhor turnê do oeste era Thelonious Monster, Fishbone e Chili Peppers. Bob achou esse garoto e disse a eles: “Vejam só como ele é ótimo!”. E aí Anthony roubou esse garoto em três meses [risos]. Foi tipo: "Esse garoto tem que ficar comigo".

Então ele era aquele garoto metido e arrogante e seu jeito de tocar era bem “metal”, por conta da influência de Vai. Essa bobagem de jazz-metal-fusion. Dá pra ouvir isso no Mother's Milk. Eu nem gosto tanto desse disco porque é muito metal, como se estivesse pegando pesado demais. E foi a mesma coisa com o disco que fizeram com o Navarro, muito metal, e eu não gosto muito disso."



Nessa turnê você promovia um show de comédia como abertura. Era um número musical no qual você fingia cortar o próprio pênis através do seu alter-ego “Rob Rule”? Imagino que vocês se divertiam bastante com isso.

"Eles que deram esse apelido para mim, eles me chamavam de Rob Rule. Pois na época tinha sido lançado o single de “Let Love Rule” do Lenny Kravitz, e todo mundo adorava essa música quando ela foi lançada. Eles tinham mudado meu nome pra Rob, e eles andavam cantando "You Got To Let Rob Rule" [remetendo ao refrão da música]. Então estávamos na Europa, acredito que era a turnê do Mother’s Milk, e eles não tinham uma banda de abertura. Eles nunca haviam tido uma. Quando eu entrei eles já tocavam para platéias de mil pessoas em pequenos clubes, esgotando entradas, fazendo dinheiro cruzando o país e indo muito bem para uma banda pequena. Daí veio o Mother’s Milk e eles tiveram grandes singles como “Knock Me Down” e a canção do Stevie Wonder [Higher Ground], apareceram em programas de TV e coisas assim. Com isso, estavam tocando em lugares maiores. Mas quando fomos para Europa eles não tinham um show de abertura. E de alguma forma decidimos que quando não tivesse alguém do local pra abrir, eles teriam eu abrindo o show. Seria eu e Chad tocando juntos umas 4 músicas e tinha uma coisa que eu chamava de "truque da faca", no qual eu pegava uma faca e fingia cortar meu próprio pau [faz os gestos com uma faca] só que usando o lado sem corte. Pegava uma banana, picava e jogava para o público e assim ia enrolando. Tocávamos uma música de James Brown, uma música do Clash e qualquer coisa que a gente tivesse vontade na hora. Com Chad tocando atrás de mim, não importava que nunca tinha baixista, não importava o que quer acontecesse.

Eu abri um show em Londres provavelmente pra umas 3 mil pessoas, entrei com Chad e começamos a tocar “I Feel Good” do James Brown e a platéia todo ficou “Uau, incrível!”. O engraçado é que eles me pagavam 100 dólares para abrir o show, só que Flea era meu empresário, então ele ficava com 10 dólares, John era meu agente então ele ficava com 10 dólares e Anthony era qualquer outra coisa. Todos tinham um cargo na minha carreira, então eu acabava com a porcaria de 70 dólares [risos]. Devo ter feito esse show umas 10 vezes nessa turnê. E o mais legal disso foi que fiz esse show em Londres, com aquela coisa da banana no final, e Rat Scabies [baterista do The Damned] estava na platéia numa noite dessas porque ele tinha conhecido a garota que vendia nossas camisetas. Ele me viu fazendo essa coisa e quando voltei pra casa nos Estados Unidos, ele me ligou e disse: “Ei, eu vou começar uma banda, venha pra Londres e seja o cantor da minha nova banda. Será eu, Brian James...” ou seja, os dois do The Damned e mais outros caras começariam uma nova banda. Então eu voltei para Londres e morei lá por 3 ou 4 meses, aí Rat [Scabies] se mudou para Califórnia uns seis meses depois disso pra trabalhar comigo numas músicas. Ainda somos grandes amigos por causa disso tudo.

Robbie ao lado esquerdo de Frusciante em uma apresentação do Red Hot Chili Peppers em 1989.

O show que eu fazia era só algo pra banda ter alguma diversão. Pois era sempre: chegar, passar o som, fazer o show... Então era só um projeto pra descontrair a banda enquanto eles faziam a mesmíssima coisa todo dia. E tenho que dizer que nesse ponto John não era mais um cuzão arrogante e metido, a equipe e a banda tiveram uma série de conversas com ele. Ele se tornou um ser humano depois dele ter passado por suas próprias coisas. E nos tornamos irmãos. Ele sempre me via como um irmão mais velho. Ele mesmo me disse isso depois, que eu fui como um irmão mais velho e que cuidava dele. E eu cuidei mesmo. Na medida em que fomos passando por certas mudanças e acontecimentos, ele se apoiou bastante em mim pra conseguir passar pelos seus dias. Eu tomava conta dele, éramos irmãos."



Você pode nos contar um pouco sobre o equipamento utilizado por John Frusciante na turnê do Mother’s Milk? Sabemos que a Ibanez tentou fazê-lo usar o equipamento da marca mas Anthony e Flea foram contra.

"Quando eu comecei a trabalhar como técnico pra eles, na época que gravaram o Mother’s Milk, eles se venderam à Mesa Boogie quando vieram até eles e disseram "Ei vamos dar a vocês todo esse equipamento". Naquela época eu era técnico dos dois. Era eu e Mark Johnson que montávamos tudo da banda. John e Flea tinham aqueles sistemas de rack empilhados. Acho que eram chamado de “600” ou “800” [provavelmente se referindo ao power amp Strategy 400 Stereo da Mesa Boogie], e vinham com esses enormes power-amps que tinha umas 16 válvulas que deviam dar uns 800 watts de potência. Então John tinha esses gabinetes, powers e pre-amps da Mesa Boogie pra conseguir seu timbre e Flea tinha algum outro tipo de pre-amp. Tinha todo tipo de equipamentos da Mesa Boogie. E francamente, soava tudo um lixo. Eu adoro os Mesas mas eles são para uma coisa específica, tipo Slipknot [risos]. Eles são pesados, bonitos e tem headroom de sobra se você quiser um som limpo. Só que por eles ter uns 800 watts de potência, provavelmente nunca vão crunchar naturalmente. Vai ser necessário usar o pre-amp pra conseguir o som sujo. Eles são sempre “mansos”, se me entende. Então fizeram toda a turnê com esses equipamentos. John já tocava Stratocasters aí, mas ainda não tinha a beleza de estarem ligadas num Marshall. Ainda soava muito Satriani, muito Vai. Tinha uma Les Paul também. Quando ele ganhou dinheiro ele comprou duas Stratocaster ‘69 e uma Gibson Les Paul Custom preta [Black Beauty]. Me lembro que numa noite tocávamos em Austin, no Texas, eu coloquei as guitarras enfileiradas no palco e fui fazer alguma outra coisa. Quando voltei, uma das Stratocasters tinha ido embora. Alguém veio e roubou dele uma Stratocaster de 1969. Aí tiver que ir lá e dizer: “Cara, alguém roubou sua guitarra”. E ele chorou. Até que a banda chegou e disseram "John, você é um milionário" [risos]. "Vamos amanhã até uma loja e compraremos outra guitarra igual" e ele "Ah, ok". Isso em Austin, que é a capital das Stratos. Então no outro dia fomos a uma boa loja de boutique, achamos uma guitarra igual e eles a compraram por um alto preço. E nunca mais foi dita qualquer coisa sobre isso. Depois alguém me ligou e disse que sabia onde a guitarra estava, mas aí eu não iria até Austin só pra comprá-la de volta."




Era uma strato sunburst?

"Sim, era uma sunburst. E eventualmente ele teria umas 15 delas. Porque daí ele percebeu que podia ter todas as guitarras que quisesse, então ele foi e comprou todas que queria. E eram todas stratocasters dos anos 60, ele deve ter comprado 10 ou 15. E eu comecei comprando as “falsas”, as reproduções que a Fender fazia dessas guitarras dos anos 60 [reissues]. E ele tinha uma ‘59 e uma ‘55. Eu levava com a gente duas de cada vez, e as usávamos. Porque você não quer andar com essas guitarras por aí, elas são roubadas, elas quebram... Ele gostava de quebrar suas guitarras de vez em quando. Ele quebrou uma ‘54 no palco, do primeiro ano em que foi feita a Stratocaster. Aí eu fui lá e juntei os pedaços e perguntei o que deveria fazer com aquilo, e ele disse "Joga para a multidão" e eu “Nem fodendo, cara!”. Juntei tudo, coloquei na minha mala, levei pra casa e remontei ela. Mas aquela primeira era a primeira. Ele ficou mal por um momento, até perceber que poderia ter qualquer guitarra que quisesse."




Você falou dos Mesas e depois ele mudou para os Marshalls, mas não sabemos quais Marshalls.

"Durante todo aquele período ele usou o chorus [Boss] CE-1... [Ibanez] WH10, que é o melhor pedal de wah-wah do mundo. Ainda tenho dois deles, eles são incríveis. Quando você os liga eles dão um pequeno boost, você não precisa ligar a distorção, é só pisar e eles já te dão um ganho. E o jeito que você pisa no pedal, não é como um Cry Baby assim [gesticula como se mexesse no pedal], no WH10 você tem mais espaço pra ir pra cima e pra baixo quando pisa. Então costumávamos em ir em lojas de usados em cada cidade procurando por WH10 e comprávamos todos que podiamos. Porque o problema é que eles são feitos de plástico e eles quebram."

Também sabemos que em algum momento ele substituiu o Boss CE-1 Chorus com um DOD Stereo Chorus, há alguma razão pra isso?


"Eu não me lembro disso. Quando eu trabalhei para eles, eram basicamente os 3 mesmos pedais que ele usava: o CE-1, o WH-10 e o Turbo Distortion laranja. E depois teve mais um fuzz preto que não lembro o nome, mas não era DOD. Eu costumava grudá-los no chão com uma fita, ele não tinha um pedalboard. Depois ele passou a ter todos aqueles pedais em uns dois pedalboards, mas aí já era um problema do Dave Lee [risos].

Depois quando estavam gravando o Blood Sugar ele estava usando o Marshall 2550, o Silver Jubilee. E acho um dos melhores discos já feitos. É brilhante! Na época que saiu, eu ouvi e foi “Meu Deus!”. Os caras fizeram esse disco duplo que era tão bom! [Na versão em LP eram dois discos]."



Na época ele já usava os Silver Jubilee?

"Começamos a usar esses depois da turnê do Mother’s Milk, antes deles irem gravar. Compramos nesse meio tempo. Porque falamos com ele: “Queremos que você toque com uma Stratocaster, que ouça bastante Jimi Hendrix e que consiga adquirir esse timbre” e ele o fez. Ele ouviu isso e foi fundo. Então ele usaria o Marshall Major e o Silver Jubilee, só que eram os pretos e não os cinza. Ele tinha os dois e quatro gabinetes. Colocávamos lado a lado, e quando você estava em frente e fazia “waka-waka” [imitando o som de wah-wah] soava como se fosse em stereo. Eles não eram especiais, não eram modificados, apenas pegavam frequências diferentes como os amplificadores fazem mesmo. E eram altos pra cacete. Por isso eu ficava do lado, por que não queria estourar meus ouvidos. E ele estourou os ouvidos dele numa vez. A gente tinha passado o som, começamos o show e depois de umas cinco músicas ele chegou e me disse: "Robbie acho que os amplificadores estão estragados". E eu disse: "Não cara, seus ouvidos estão estragando. Você ta acabando com seu ouvido, pois está alto pra cacete e você não consegue mais ouvir como está soando na realidade". Isso aconteceu. Mas a coisa que ele trouxe, essa combinação, foi algo mágico. Um timbre bom pra cacete.

A coisa mais grandiosa era que, eu tocava com esses equipamentos e esses caras o tempo todo. E eram muito generosos com isso. Eu tocava com quem estivesse lá, eu pegava um instrumento e tocava com eles. Se John não estava pra passar o som eu tocava guitarra, se Flea não estava eu tocava baixo, ou bateria... Eu tocava por meia hora durante a passagem de som. E uma das coisas mais generosas que aquelas caras fizeram por mim, foi me ensinar a fazer uma jam. Me ensinaram como entrar naquele groove com músicos realmente bons. Eles me ensinaram muito. Foi uma das melhores épocas da minha vida."



É dito que John se comportava de maneira artificial para se encaixar no Chili Peppers, e depois ele mudou e passou a rejeitar isso, e então aí acabou chegando em sua real pessoa artística.

"Não sei se era artificial. Ele me contou, e eu sei o que aconteceu porque eu estava lá com ele e a banda pra ver a história e o que aconteceu. Não sei como te explicar, porque até ele quando me explicou… Ele era um garoto de 17 anos e essa era a sua banda, a banda que ele sempre amou. E quando ele se juntou a banda ele não sabia como agir então ele agia como Anthony. Ele podia ser como o Anthony, se me entende. Depois deles fazerem o Blood Sugar ele percebeu o que poderia ser a coisa dele e ele meio que rejeitou aquele jeito de ser, que era o estilo “super rockstar”. Ele rejeitou aquilo. E uma das razões dele sair na primeira vez era que, durante o tempo todo em que eles estavam fazendo aquele disco Anthony dizia coisas como: “Isso nunca vai dar certo”, “Não é um bom disco”, “Isso é muito excêntrico”, “Isso não é o que nós queremos”, “Isso vai ser o fracasso da nossa banda”, “Esse disco não vai chegar a lugar nenhum”. Enquanto que para John, era um trabalho de amor. Ele estava amando o que eles estavam fazendo. Ele achava que era o melhor disco que já tinham feito. Quando o álbum se tornou um sucesso, Anthony pegou para si muito dos créditos e começou a dar declarações do tipo “Eu já sabia”... Ou seja, ele mudou de conversa. Porque foi um sucesso. John viu uma falsidade no que o Anthony estava fazendo, e isso foi o começo do fim. E o começo da perda de um herói para John. O começo de John não conseguir mais confiar na pessoa que tinha lhe mostrado tudo e com quem ele aprendeu como ser. E aí ele percebe que era tudo falso. Não sei se isso vai me trazer problemas por qualquer razão, mas eu não trabalho para eles mais [risos]. Eu sei a verdade porque ouvi a história várias vezes."

Para a gravação de Blood Sugar Sex Magik os membros da banda mudaram para a mansão no Laurel Canyon, exceto Chad que voltava para casa toda noite. Uma vez ouvi você dizer que o álbum deveria se chamar "O florescer de John Frusciante" pois ele deu tudo de si e meio que arranjou tudo naquele álbum. Você esteve lá naquele momento? O que mais te marcou nessa época?

"Eu os levei até lá, ajeitei eles e passava uma vez por semana para dar um “oi” e ver o que eles estavam fazendo. Mas eu não morava lá. Louie [Mathieu] ficava lá no dia-a-dia. John não tinha um técnico, ele mesmo trocava suas próprias cordas. Todos faziam suas próprias coisas. E Chad ia pra casa. Eles diziam que a casa era mal-assombrada. John não teve problema com isso, mas Chad não gostava. Era um lugar bonito, uma grandiosa mansão nas colinas. E era um bom lugar pra se fazer um disco, funcionou pra eles."



Recentemente eu descobri uma pessoa chave na vida de John, um antigo amigo chamado Robert Hayes que era um baixista que John conheceu no Musicians Institute logo que se mudou para Hollywood. John disse certa vez que foi o primeiro músico com quem ele realmente se conectou, a mesma coisa que depois ele teve com Flea, depois com Josh [Klinghoffer] e Omar [Rodriguez]. Quando John entrou na banda, eles se afastaram e em certo momento se reconectarem logo depois da turnê de Blood Sugar Sex Magik. Naquela altura John queria continuar a ser um artista criativo e já tinha essa ideia de não querer sair em turnê. Mas aí ele acabou tendo que concordar em fazer essa turnê. E aconteceu que Robert morreu durante essa turnê. Então John entrou em uma tristeza profunda. Talvez tenha sido uma das principais razões dele sair da banda. Alguma vez John falou algo sobre isso para você?

"Não, eu não sabia da morte desse amigo. Ou devo até ter ouvido isso em algum momento. Durante aquela turnê ele estava ficando muito deprimido, estava bebendo muito vinho, estava fumando muita maconha de alta classe... Ele ainda não usava heroína, ele só estava bem deprimido pela situação com Anthony. E estava ficando um pouco psicótico, vendo coisas que não estavam lá. Quando estávamos no Japão, ainda tínhamos Austrália pela frente, então ele saiu de um elevador e me jogou algumas coisas e disse: "Preciso pegar um avião para casa imediatamente, você precisa me tirar daqui, eu preciso ir pra casa e não posso mais fazer isso aqui". Eu fui até o gerente de turnê e disse que John queria ir embora. Eles fizeram uma reunião e o convenceram de fazer aquele show e finalizar a turnê do Japão para cumprir os contratos. E aquele último show foi triste, eu vi ele entrar no palco e chorar por um tempo. Foi a coisa mais triste. Ele estava deprimido, não queria mais estar lá e não queria mais fazer aquilo. Assim ele foi pra casa. E nós fomos para a Austrália. E eles tentariam trazer Zander Schloss [guitarrista do Thelonious Monster] para cobrir John. Então eu disse: "Caras, eu consigo fazer isso, eu posso terminar esses shows, eu tenho visto isso o tempo todo e eu sei como se faz. Me dê três dias e vamos pra um estúdio de ensaio, eu posso fazer isso". E eles: ”Não, vamos trazer Zander.” Eles o trouxeram por uma semana e estávamos curtindo pela Austrália. Fomos na casa do pai do Flea, fizemos viagens, subimos montanhas… Só tendo um tempo de curtição. Colocamos eles num estúdio e a equipe saiu para passear. Mas então não conseguiram fazer a coisa funcionar, não acharam que ficaria bom. Aí simplesmente cancelaram tudo."



Um pouco depois de sair da banda, John lançou seu primeiro álbum solo, que tem várias músicas que ele gravou enquanto ainda estava na banda. Ele chegou a tocar pra você alguma dessas músicas?

"Sim, sim! Porque eu ia à casa dele depois dele ter saído pra levar de volta uns equipamentos e fazer uma coisa ou outra assim. Ele também estava pintando na época. Ele ficava lá pintando aquelas pinturas por todo o lugar e dizia: "Não ande tão forte, vai bagunçar a pintura", e eu dizia: "John, não vou bagunçar as pinturas".

E ele estava lá com o gravador cassette de quatro canais gravando todo o Niandra. Ele tocava isso pra mim e eu ficava “Cara, isso é estranho pra cacete. Isso é Yoko Ono.” [risos]. Eu não falava isso, mas pensava qualquer coisa assim. Aquilo não é minha coisa favorita.

Ele precisa deles [a banda], e eles precisam dele [Frusciante]. Ele precisa deles para temperar as ideias artísticas dele, e aí não vai ser tipo a porra de 12 minutos gritando bobagens. E eles precisavam dele porque não podem escrever a porcaria de uma canção [risos]. É óbvio poxa, era óbvio para a equipe, a gente via o que eles faziam. Sem ele eles não eram nada, e sem eles ele não era nada. E quando ele saiu pela última vez eu pensei "Por que você não faz como Brian Wilson [Beach Boys], você fica em casa, faz os álbums e manda o garoto com eles” [Se referindo a Josh Klinghoffer]. Porque ele [Frusciante] criou aquele garoto para ser ele, por um ano, ele o levou em turnê como segundo guitarrista. Ele o criou para ser um John. Então era só ficar em casa, fazer os discos e não sair em turnê [risos]. Apenas faça sua arte com eles. Pois como eu disse, ele sem a banda também não é nada. Ele precisa de um produtor, precisa de Rick Rubin para dizer: "Corte essa bobagem fora, é aqui que a canção está". E ele me disse certa vez, quando estava fazendo os outros discos como o Californication e tal, que aquilo era tudo Brian Wilson. Ele estava ouvindo o que os Beach Boys fizeram e estudando Brian Wilson por bastante tempo. E aquelas coisas todas saíram de discos dos Beach Boys. Pois eu falei com ele em várias ocasiões depois disso. Pouco depois dele sair da banda, ele apareceu com sua nova esposa [Nicole Turley] num show do Soundgarden no The Forum [em 22 de julho de 2011]. E eu cheguei nele disse: "Que porra é essa cara, o que você tá fazendo?" [risos]. Ele disse: "Eu tinha um plano. Fiquei sem dinheiro, precisava do dinheiro de volta, queria voltar para a banda, fazer alguns bons álbuns e fazer um dinheiro suficiente para viver o resto da minha vida. Era um plano". Ele planejou a coisa toda."





Isso foi depois da segunda saída dele da banda?


"Depois da primeira saída, quando Navarro entrou . Eles se separaram e ele se envolveu muito com heroína, aí as pessoas se aproveitavam dele. E o contador disse a ele: "Você tá sem dinheiro cara, você não pode mais viver assim. Você acabou com o dinheiro". Então ele botou na cabeça que seria um plano de cinco anos: "Vou voltar para a banda, vou fazer três ou quatro discos de sucesso, vou fazer dinheiro suficiente para nunca mais ter que me preocupar com isso novamente e aí vou sair de novo". Era um plano, e ele fez isso. E não sei, talvez agora ele estivesse sem dinheiro novamente e voltou [risos]. Mas ele me contou tudo isso, que era um plano de fazer 20 milhões de dólares, para poder construir o estúdio, pra trabalhar com o cara do At the Drive-in [Omar Rodriguez] e fazer seus próprios discos. E essa também não é uma boa idéia, porque esse cara também é outro maluco e isso não colocaria ele nos eixos. Ele precisa de alguém que o leve a fazer música pop. Mal posso esperar para ouvir o que eles farão, mal posso esperar pra ver como vai ser. Vai ser brilhante."

Sim, porque ele é o melhor em escrever músicas pop, como você diz.

"Sim, mas ele é bom em trazer elementos de loucura e psicose à música e colocar isso numa estrutura pop. É assim que eu vejo. E eu aposto que ele fará isso novamente. Aposto que esse próximo disco será lindo.

Li todas as entrevistas com Klinghoffer e aquilo tudo é tão triste, foi terrível a forma que agiram com ele. Ele é um garoto tão legal. Mas eles realmente estão fazendo o melhor pela arte."



Arik Marshall substituiu John e com ele fizeram dois shows marcantes no Brasil, no Hollywood Rock Festival de 1993. No show do Rio a banda convidou a escola de samba Mocidade Independente para subir com eles no palco e fizeram uma grande jam. Você tem memórias desses shows e dessa viagem?


"Eu me lembro bem disso. Eles trouxeram a banda de samba e foi incrível. Naquela viagem nos levaram para Búzios por uns 3 dias. E eu fiquei doente de beber caipirinha gelada e aquelas coisas todas. Aquilo foi doentio [risos]. Aqueles shows no Hollywood Rock foram com o Nirvana e o Alice in Chains, e estávamos todos no mesmo avião, e quando chegamos no aeroporto no Brasil o avião fez uma manobra assim e assim [mostra com a mão o avião pendendo para todos os lados] e freou bruscamente e todo mundo no avião pensou "Vamos todos morrer". Todos conheciam eles mas o movimento todo estaria morto. Tipo “Podem ir pra casa, acabou o evento” [risos]. Porque era um tempo especial mesmo, eram bandas especiais que 3 anos atrás estavam tocando em clubes e então se tornaram as maiores bandas no mundo. Todos eram meio estranhos, ainda não tinham profissionalizado a coisa toda. Sendo que agora todos os técnicos vestem seu uniforme militar preto e todo mundo é tão bom no seu emprego. Ali estavam todos vivendo a loucura da época, e apenas íamos para os shows. Foi especial para todo mundo. E lembro que Courtney Love [Hole] estava lá. Ela e seu namorado [Kurt Cobain] estavam tendo um tempo difícil, ele estava em sérios problemas com drogas."




Mais à frente, na turnê de One Hot Minute, você assumiu os backing vocals e guitarra base. Certamente você foi o primeiro guitarrista de apoio da banda. Como você assumiu esse papel e que equipamentos utilizou na época?

"Bem, o engraçado é que eu fazia backing vocal para eles por pelo menos 4 anos antes disso. Eu ficava na minha bancada de técnico de guitarra, então eu fazia esses backings [cantarola o refrão de "American Ghost Dance"], colocava o microfone do lado, voltava a afinar as guitarras e depois voltava para fazer o próximo refrão. Na turnê seguinte me colocaram um monitor, aí eu já podia me ouvir. Fiz isso por 4 ou 5 anos antes de Dave chegar. E quando entrou, ele disse que tinha umas três músicas em que ia precisar de alguém pra tocar outra guitarra e cantar os backings vocals porque ele não iria fazer isso [risos]. Mas acho que eu tinha uma Strato e um outro Marshall, aí tocava “My Friends” e mais umas outras músicas na guitarra. Mas nada especial. Eu apenas plugava uma Strato num Marshall e tocava. E eles também trouxeram Rain Phoenix [Irmã dos atores River e Joaquin Phoenix] pra fazer os backings, e ficamos amigos também.

Só tenho coisas boas para falar de Dave Navarro. Ele é um doce de pessoa, é um cara legal de verdade. Essa sua persona pública de rockstar é algo totalmente irônico. Ele é muito esperto, engraçado e generoso. A gente ficava junto toda manhã. Ele me ligava e eu ia ao quarto dele pra gente tomar café de roupão. Porque ele descobriu que todos ali eram meio insanos. Flea e Anthony são um pouco fora de órbita. Dave é um tipo de cara bem normal. Assim como Chad, que também não tenho nada além de coisas boas pra dizer sobre ele. Chad é aquele roqueiro legal do meio oeste, que eu amo de paixão. E Dave também. Todos foram maravilhosos em suas próprias maneiras e em seus próprios tempos. Tive momentos especiais com todos eles."



Tivemos a oportunidade de entrevistar Dave Lee, que se tornou o técnico de guitarra da banda durante a turnê com Navarro e continuou com Frusciante até sua segunda saída. Ele é um cara maravilhoso, que nos contou grandes histórias e ainda colabora com nosso site. Você pode comentar algo sobre a sua relação com Lee?

"Adoro Dave Lee! O que aconteceu foi que quando colocaram Navarro na banda, num período de mais ou menos um ano eu fui para casa e trabalhei com outras coisas. E eu achava que tinha acabado. Porque eu acompanhei as audições quando eles colocaram na [revista] Rolling Stone: "Venha ser o novo guitarrista do Red Hot Chili Peppers". Então eram audições abertas para o mundo inteiro basicamente. Alugaram um estúdio de ensaios por 6 semanas e eu ficava numa sala tocando slaps no baixo, e cada pessoa na fila (geralmente uns 75 caras por dia) entrava e eu dava 5 minutos para saber se sabia tocar ou se só estava lá pra conhecer a banda. Eu filtrava eles e daí mandava para os caras apenas quem realmente podia tocar. E a banda ficava em outra sala maior testando essas pessoas. Praticamente eu toquei com todos os guitarristas de Los Angeles e do mundo que queriam fazer aquilo. Passamos por todo esse processo de 6 semanas testando esses caras e por fim eles acabaram chamando Dave. E eu pensei: “Que porra eu estava fazendo lá então?” [risos].

Durante esse processo eles estiverem lá com Adrian Belew [guitarrista que passou pela banda de Frank Zappa, de David Bowie, Talking Heads, King Crimson… Entre outros]. Eu era super fã do Adrian Belew, adoro o que ele faz e quem ele é. E eles me escalaram pra buscá-lo no aeroporto, com a minha pickup ‘81, e levá-lo para aquele mesmo estúdio de ensaio. E ele chegou duas horas adiantado. Trouxe todo seu rack cheio de efeitos e tal, então eu toquei com ele por duas horas. Ele foi na bateria e eu no baixo, depois ele tocou baixo e eu guitarra. Eu estive lá com ele nessas duas horas, e ele era a pessoa mais incrível do mundo. Então a banda chegou e eles fizeram mais umas duas horas de jam. Então você pode imaginar, Chad e Flea tocando com Adrian Belew enquanto ele fazia as coisas dele. E Mark [Johnson, um dos membros da equipe da banda] gravou tudo isso numa fita cassette que ele tem em algum lugar. Eu até já perguntei a ele: “O que aconteceu com a porcaria daquela fita Mark? Lance aquela coisa!” [risos]. Mas não sei onde aquilo foi parar.

Então eu saí de lá nessa época e eu não tinha mais aquele emprego. Obviamente Navarro levaria seu próprio técnico. Eles me ligaram e perguntaram: "Você tá pronto pra isso?"; e eu: "Pronto para o que?"; e eles disseram: “Você vai vir cantar e tocar guitarra". Então eu fui para os ensaios e Dave Lee estava lá trabalhando para Navarro. Então naquela última turnê eu conheci Dave Lee, que era uma das pessoas mais engraçadas. Sinto por não ter uma boa história dele pra contar, mas o timing pra comédia de Dave Lee é impecável. Ele é o cara mais engraçado. Me deixava no chão de rir, toda noite. Ele é brilhante, engraçado pra cacete e eu o adoro. Porque eu ficava entediado de ir para as passagens de som e fazer aquilo. Mas era isso, eu fui pra cantar e tocar um pouco de guitarra, Dave me ensinou as músicas durantes os ensaios e eu estive algumas vezes no programa do David Letterman pra fazer isso.

Uma coisa engraçada a respeito disso foi que, eu acabei ficando amigo de uma banda de reggae chamada Pepper, do Havaí. Estive com eles numa turnê, eram grandes fãs do Red Hot Chili Peppers e ficavam me perguntando todas essas coisas. Eles ficavam no ônibus assistindo shows do Chili Peppers. Eles disseram que tinham ouvido que alguém ficava do lado do palco cantando porque Anthony não podia cantar, e eu disse que não era verdade e isso nunca tinha acontecido. E eles insistiram: “Qual é, não tinha um cara que ficava do lado no palco cantando com Anthony?” e eu: “Não caras, isso nunca aconteceu”. Até que percebi que estavam falando de mim [risos]. Eles acharam que eu fazia as partes do Anthony. Mas o fato é que estavam falando de mim, porque era o que eu fazia. Eu estava lá com meu monitor o meu microfone fazendo os backing vocals. Então nessa última turnê fiz backing vocals e toquei guitarra. Foi divertido, mas foi meio estranho."



No final dessa turnê, sua jornada de quase 10 anos com a banda chegou ao fim. Você escolheu focar em sua própria carreira com a banda Rob Rule ou outras decisões levaram a essa separação?

"O negócio é que eu vinha fazendo isso ao longo desse tempo todo. A agenda de turnê deles nunca foi maluca, então terminávamos e eu voltava. E conhecia muita gente trabalhando com eles, como o Mary’s Danish [banda da onde vieram dois membros da Rob Rule], os caras do Pearl Jam, do Soundgarden e todas aquelas pessoas com as quais meio que viramos uma família no Lollapalooza, todos fazíamos turnê juntos. Tinha também os [The Smashing] Pumpkins e fizemos turnê até com o Moby por um tempo. Eu conheci muita gente e fiz essas conexões que me permitiram fazer alguns álbuns enquanto trabalhava com eles [Red Hot Chili Peppers]. Então eu saía e quando iam partir para uma nova turnê, eu voltava pra trabalhar com eles. Umas três vezes eu “saí” e depois voltei. Então quando isso aconteceu eu continuei trabalhando com música. Eu saí em turnê com Rob Rule por alguns ciclos de álbuns, depois com o Thermadore fizemos uma turnê abrindo pra Paul Westerberg [vocalista e guitarrista do The Replacements]. Então isso tudo me permitiu sair em turnê com minhas próprias bandas. "

Você parece ter conseguido um belo negócio com seu próprio projeto, o Thermadore. Você lançou o álbum Monkey in Rico através do grande selo Atlantic Records. Com a participação dos dois grandes bateristas Chad Smith e Josh Freese [Devo, Guns N’ Roses e Nine Inch Nails entre outros], e ainda do guitarrista fundador do Pearl Jam, Stone Gossard.

"Em minha carreira musical eu fui muito abençoado com grandes bateristas. Eu sei o que é um bom baterista, eu adoro eles, eu toco bateria e eu amo isso. Também cheguei a tocar na banda do Jack Irons por um tempo. Eu toquei com vários bateristas incríveis, fui abençoado com isso. Então eu estava fazendo esse disco do Thermadore, e eles meio que gravavam com todo mundo essa época. Stone [Gossard] veio e fez algumas músicas. Eu o conheci naquela primeira turnê deles [Pearl Jam] com os Chili Peppers. Ele era apenas um garoto como eu, e basicamente nos tornamos melhores amigos. Tocávamos guitarra, saíamos juntos, viajávamos juntos e quando ficaram maiores me levaram pro Havaí só pra passear. Foi um tempo bom e aquele disco foi muito divertido de fazer. Chad conheceu Josh [Freese] quando tinha 17 anos, ele cresceu na área de Long Beach em Orange County. Eu acabei trabalhando com Josh uns 5 anos atrás. Trabalhei com ele no Sublime [with Rome], no Replacements e no Devo."



Depois disso você se juntou ao Candlebox que na época tinha também Dave Krusen. Ele que foi o primeiro baterista do Pearl Jam e que depois também tocou em outra banda que eu gosto bastante, o Unified Theory, com os caras do Blind Melon.

"Sim, Dave Krusen é um baterista brilhante. E ele também trabalhou com Shannon [Hoon, vocalista do Blind Melon]... E sim, no Pearl Jam e no Candlebox por um tempo. Como eu te disse, eu fui abençoado em trabalhar com bateristas incríveis."

Eu sei que Lindy Goetz (primeiro empresário do Red Hot Chili Peppers) também foi empresário do Candlebox.

"Sim, aí estava a conexão. Porque eu conhecia Lindy muito bem, basicamente ele era meu chefe. E ele trabalhava com o Candlebox no primeiro álbum deles, e foi assim que eu os conheci. Aí quando tive a banda Rob Rule, eles gostaram do disco e nos convidaram para abrir o show deles. Foi aí que começamos a conversar, e na turnê seguinte eles precisaram de um guitarrista. Então eu fui ensaiar, e fiz turnê com eles por uns 3 anos. Então isso tudo meio que veio do Chili Peppers mesmo."



Ano passado outro ex-baterista do Pearl Jam, Dave Abbruzzese, colocou na internet a gravação de uma jam que ele fez com John Frusciante e Flea e você fez uns vocais nisso. Acho que Dave Rat gravou isso.

"Sim, Dave Abbruzzese, adoro ele. Isso foi durante Lollapalooza, tinha todas aquelas grandes bandas e costumavamos fazer jams todo dia. Montávamos a bateria, os amplificadores, todo mundo vinha e tocávamos o dia todo. Teve inúmeras jams que não foram gravadas, mas todos tocavam juntos constantemente. Com Josh [Freese] e Matt [Cameron] do Soundgarden.... Montávamos dois kits de bateria e Chad e Matt tocavam, então os caras vinham e agitavam o dia inteiro."


Você esteve no meio de todas essas bandas dos anos 90, quão significante para você foi estar ali com aqueles caras?

"Foi tudo, aquilo foi tudo. Aquela turnê do Lollapalooza foi provavelmente o melhor período que tive na minha vida. Foi tanta diversão, tanta energia, foi o surgimento de todas essas pessoas, nunca existiu nada como aquilo e provavelmente nunca existirá. O Lollapalooza foi uma loucura e foi divertido. E, como essa, teve outras grandes turnês por volta dessa época. Como aquela com o Pearl Jam e o Smashing Pumpkins, essas bandas estavam explodindo. Eu vi o Pearl Jam sair do nada, eram só a banda de abertura, e aí o single de “Alive” saiu e eu vi todo mundo chegando mais cedo para ver o Pearl Jam. Eu vi eles se tornarem essa mega banda no decorrer daquilo. Foi um tempo louco, um tempo maravilhoso e uma coisa incrível de se ver."



Eu sei que você tem contato com muito desses caras, como com Josh Freese que você disse ter trabalhado no Sublime. Sei que você gravou alguma coisa com Mike McCready não muito tempo atrás...

"Sim fizemos uma coisa para o “We Bought a Zoo” [filme de Cameron Crowe de 2011] num estúdio em que eu e minha parceira trabalhamos. E fizemos uma coisa pro Hawaii Five-0 [Série de TV]. Ele arranja esses pequenos projetos malucos e eu digo “Certo, vamos lá fazer isso!”. [Risos]"

Mas você ainda tem contato com os caras do Chili Peppers?

"Não muito. Não tanto quanto eu tenho com o Pearl Jam, por exemplo. Eu ainda posso ligar para saber como estão. Eu vi Chad no NAMM [Evento anual da indústria de equipamentos pra música]. Mas eu não chego a ir até eles. É uma coisa de Hollywood, se você me entende. Eu moro em Long Beach."


Pra fechar, você tem algum projeto musical em andamento? O Thermadore está inativo pra sempre?

"Ah, fizemos um show do Thermadore uns seis meses atrás e eu toco numa banda agora chamada Cowboy and Indian. Sou eu e um baterista e tocamos músicas sobre trens no estilo de Johnny Cash. Você pode vê-las no Facebook, Cowboys and Indian, músicas sobre trens. E divertido."






Obrigado, Robbie. 
"De nada. Vou levar meus cachorros pra passearem. [Risos]"



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Entrevista:
Redação: Raphael Romanelli
Redação, realização e revisão: Felipe Freitas
Tradução: Eloá Otrenti - Frusciante Brasil
Contato e convite: Ygor Almeida



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