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10 de março de 2018

Still - um tributo ao Joy Division


Still, banda tributo ao Joy Division, formada por John Frusciante na guitarra, Flea no baixo, e Josh Klinghoffer na bateria. A banda foi idealizada para um único show no Spaceland em Silverlake, na Califórnia, Estados Unidos, em 10 de outubro de 2000.








Setlist:

01 - Exercise One
02 - Disorder
03 - Twenty Four Hours
04 - Failures
05 - Shadowplay
06 - Wilderness
07 - Warsaw
08 - She's Lost Control
09 - New Dawn Fades
10 - Colony
11 - Love Will Tear Us Apart

8 de março de 2018

Red Hot Chili Peppers - MTV VMA's 2000


No dia 07 de setembro de 2000, foi ao ar o MTV VMA's 2000 direto do Radio City Music Hall em New York, U.S.A.

O Red Hot Chili Peppers foi um dos grandes nomes da premiação. A banda venceu as categorias de Melhor Direção Em Um Vídeo em Californication, diretores: Jonathan Dayton e Valerie Faris e a categoria de Melhor Direção De Arte Em Um Vídeo com Californication, diretor de arte: Colin Strause.

Outra premiação foi o Video Vanguard Award, ao qual o Red Hot Chili Peppers fez a performance de Californication ao vivo durante a premiação.

Red Hot Chili Peppers - MTV VMA's 2000 Interview


Red Hot Chili Peppers: VideoVanguard Award + Californication (MTV VMA's 2000)

24 de janeiro de 2018

Guia completo: Turnê Californication

A John Frusciante effects elaborou um guia completo dos equipamentos utilizados por John Frusciante durante a turnê de Californication.



SETUP 1 (1999-2001):

O principal utilizado na turnê e mantido até o seu final - com apenas algumas modificações nos pedais.

Guitarras:

1962 Fender Stratocaster Sunburst
1955 Fender Stratocaster Sunburst
1963 Fender Stratocaster Olympic White

- Foi alugada para a turnê sul americana em 2001 (incluíndo o Rock In Rio III) como substituta da Stratocaster de 1962 - posteriormente foi adquirida por John Frusciante.
1960 Fender Telecaster Sunburst
1963 ou 1965 Fender Telecaster Sunburst
1962 Fender Jaguar Fiesta Red
1966 Fender Jaguar Olympic White
Ampeg Dan Armstrong Plexi Electric Guitar

- Usada em algum ponto da turnê em 2000. Supostamente Dave Grohl, do Foo Fighters, teria emprestado para Frusciante em um dos shows que eles abriram para o Red Hot Chili Peppers.


Ordem dos pedais:

01 - Boss DS-2 Turbo Distortion
02 - Boss FZ-3 Fuzz
- Substituído pelo Electro-Harmonix Big Muff PI (Russian) em 2000.
03 - MXR Phase 90
 - Na gravação do álbum ele chegou a ser utilizado logo após o DS-2 e antes do FZ-3.
04 - Ibanez WH-10 V1/2
05 - Boss CE-1 Chorus Ensemble
- Dividindo o sinal entre os amplificadores.



Amplificadores:

Marshall Major

Marshall Silver Jubilee 25/55
- Ligados em estéreo pelo Boss CE-1 Chorus Ensemble - em grande parte da turnê o Electro-Harmonix Holy Grail Reverb era ligado após o CE-1 e apenas no Marshall Silver Jubilee.

"O Major era bem limpo e o mais alto que nós conseguíamos colocar. Bem agressivo. O Jubilee tinha só um pouquinho de sujeira. Mas também, praticamente limpo. Toda a distorção dele vinha dos pedais. E do seu ataque às cordas."
- Dave Mail 1: Como o Major e o Jubilee interagiam um com o outro?

Todos os cabeçotes eram ligados a caixas Marshall 4x12 com alto-falantes Celestion originais de fábrica.


SETUP 2 (1999-2001):

Usado para tocar "Californication" e "Otherside", pouco antes do final da turnê esse setup foi desmontado e a Gretsch White Falcon 1958 passou para o setup 1.



Guitarra:

1958 Gretsch 6136 White Falcon

Pedal:


01 - Boss DS-1 Distortion


Amplificadores:

Fender Silverface Dual Showman 
- Apenas em um curto intervalo de tempo da turnê em 1999 foi substituído pelo Fender Blackface Showman.



SETUP 3 (2001):

Entrou no lugar do setup 2. Frusciante criou esse terceiro setup no final da turnê para ter um timbre mais sujo utilizando sua Gibson SG e tocar a recém-criada "Fortune Faded".


Guitarra:

Gibson SG Sunburst
- Essa guitarra foi usada por Frusciante no Still - tributo ao Joy Division em 2000. Em 2001 foi usada em "Fortune Faded" e em algumas ocasiões como no Slane Castle em "Higher Ground". Porém, desde essa data ela não foi mais vista, nem Dave Lee recordou sobre ela.


Amplificadores:

Marshall Silver Jubilee 25/55
- Ele era ligada diretamente - sem pedais - a guitarra e regulado com um timbre de overdrive - o que deu origem depois ao Rig Slash da turnê de Stadium Arcadium.

12 de janeiro de 2018

"Otherside" dos Chili Peppers e o cinema alemão


Se você já assistiu o clipe Otherside, sem dúvida já viu os marcantes traços do cinema europeu. Dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris, o clipe em preto e branco/monocromia é semelhante ao estilo gótico de O gabinete do doutor Caligari de Robert Wiene, todo influenciado pelo expressionismo alemão.



Durante a década de 1920, o cinema na Alemanha se destacou em um movimento vanguardista que ficou conhecido como Expressionismo Alemão. Foi quando, influenciado pelas correntes artísticas da época, começou-se a pensar na direção de arte dos filmes. Os cenários e figurinos de fato faziam parte da narrativa, não apenas como objetos em segundo-plano, como no famoso O Gabinete do Dr. Caligari (1920).



O clipe “Otherside” foi lançado em 2000 e ilustra a 4ª faixa do álbum clássico do grupo, Californication.




O visual do clipe lembra bastante Caligari e a referência visual ao Expressionismo é explícita, embora traga elementos das outras vanguardas, como o Surrealismo e o Cubismo. A escada sem fim mostrada no clipe e a desproporção de elementos comuns como fio de alta tensão gigante e asa/boca voadora, reforçam essa tendência.

O roteiro revela a saga do protagonista pelos cenários cinzentos de seu sonho, enquanto os músicos da banda – todos vestidos de preto – estão isolados um do outro tocando seus instrumentos improvisados.




A novidade não é a música apropriar-se da arte do cinema, mas um álbum totalmente hollywoodiano valorizar o cinema europeu com traços especificamente demarcados. Vindo dos Red Hot Chili Peppers, a qualidade musical e visual é praticamente inquestionável.





Por: Cínthia Demaria
Fonte: RHCPbr

6 de janeiro de 2018

O mais jovem que parece ser o mais velho - Dezembro de 1999

Em passagem-relampago pelo País, os Chili Peppers soltaram o verbo e falaram sobre sexo, drogas, e - é claro - rock'n'roll

Com um único show lotado em São Paulo, 1h20 de duração. Foi curta e grossa a segunda passagem pelo Brasil de uma das bandas mais divertidas do rock americano: a californiana Red Hot Chili Peppers. Mas valeu a pena. Afinal foi a grande oportunidade de ver de perto a melhor formação do grupo: Anthony Kiedis, no vocal; Flea no, baixo; Chad Smith, na batera, e o retorno bem-vindo de John Frusciante, na guitarra. Ele é o cara que gravou os clássicos Mother's Milk e Blood Sugar Sex Magik e este novo, Californication, que retoma a mesma boa fase dos Chili Peppers do início da década. Em meio a toda correria desta passagem-relampago pelo Brasil, a banda recebeu a RevistaRock.. para um papo exclusivo.

John Frusciante

Ele é o mais jovem dos Chili Peppers. Mas parece ser o mais velho. Ficou detonado por causa das drogas. O guitarrista Frusciante colaborou com a fase mais criativa do grupo, quando mandou ver nos riffs alucinados do álbum Blood Sugar Sex Magik, de 1991 e agora está de volta em Californication.




O que você diria para quem está pensando em tomar drogas pela primeira vez?

"Às vezes eu penso em várias coisas brilhantes pra dizer sobre o assunto. Mas acho que isso envolve muita responsabilidade. Acabo falando do melhor jeito que as drogas podem funcionar. Eu costumava apenas falar de como era bom usar drogas. Mas agora minha vida está completa sem o uso delas. Elas provavelmente abriram algumas partes do meu cérebro, mas eu acho que posso rsproduzir as sensações das drogas sem precisar usá-las."

Você faria uma campanha contra as drogas?

"Não. E eu não acho que as pessoas que fazem são sempre sinceras. Eu fui preso, mas não tive a chance de fazer uma campanha: fui direto para uma clínica de reabilitação , em Los Angeles, tive de ir a aulas semanais para falar do uso de drogas com mais outros 30 perdedores. Foi como eu paguei pelo meu erro."

Mudando um pouco de assunto, é verdade a história de que você teve de mostrar uma ereção pra entrar na banda?

"Não. Eu lembro de ter inventado essa história quando tinha 19 anos. Foi durante as filmagens do clipe Higher Ground. Saiu publicado em várias revistas. E isso foi repetido muitas vezes. Uma coisinha que você diz ecoa milhões de vezes."




Fonte: Revista 89 Rock - Dezembro de 1999
Texto: Leandro Fortino

25 de setembro de 2017

Breve História - Maio de 2000


A piração começou no primeiro dia de aula da FairFax School, em Hollywood, Los Angeles (EUA), nos finais da década de 70. Folgado, recém-chegado e Michigan, onde saiu para morar com o pai, e aspirante a ator, um tal de Anthony Kiedis, intimou um australianinho baixinho não menos folgado, Michael Balzary, a largar o pescoço do seu melhor amigo. Balzary, Flea para os manos, não titubetou: solte a pobre vitima mediante as ameaças o garoto fortinho. Em vez de sairem na porrada, Flea e Anthony trocaram ideias e descobriram que tinham muito em comum: ambos vinham da California, tinham pais separados, o gosto por acampamentos, a vontade de pertencer ao mundo artístico e um grande amigo, o israelense Hillel Slovak, que já tocava guitarra e alucinava ouvindo Hendrix e Kiss. Com o tempo os três tornaram-se grandes amigos e tiveram suas primeiras experiencias importantes juntos - a primeira vez que usaram certas drogas, a primeira vez que ouviram Gang of Four e Echoo & The Bunnymen, a primeira vez que viram uma obra de Jean-Michaek Basquiat, a primeira transa. Slovak conseguiu enfiar o rock na cabeça do Flea que, antes, só se ligava em Jazz, muito por causa de seu padastro, um jazzista que fazia altas jam sessions em casa. Não precisou muito para o guitarrista convencer Flea a trocar o trompete que ele dominava muito bem, pelo baixo elétrico. Junto com o baterista Jack Irons, Slovak convidou o baixista para tocar numa banda de HardCore, chamada Fear. Flea foi e curtiu, Às vezes, Anthony aparecia nos ensaios e recitava poesias que escrevia. Nessas, decidiram que ele seria uma especie de mestre de cerimonias do fear, abrindo shows com seus poemas.

Em 1980, Flea, Kiedis e Slovak terminaram o ginasio, Kiedis foi estudar na Universidade da Califórnia, enquanto Slovak se dedicava cada vez mais a sua guitarra e Flea, misturando seu gosto por jazz ao interesse por Funk Soul, começava a sacar a pegada dos baixistas de musica negra. Em 83, com o Fear no bagaço, Flea chamou novamente Jack Irons e Hillel e batizou o trio inspirado no nome do trumpetista e idolo do baixista, Louis Armstrong, dera a seu quinteto no inicio dos anos 20: THE RED HOT CHILI PEPPERS. Fizeram alguns shows como trio e, numa dessas noites, Anthony subiu ao palco no meio da sonzera e recitou um texto que havia escrito a pouco, intitulado Out Of L.A. A plateia gostou e o dono do lugar pediu que a banda voltasse mais vezes. Como quarteto, começaram a tocar na cena subterrânea da cidade dos anjos e começaram a ser conhecidos também. Tempos depois, num show em um inferninho de strip-tease chamado Kit Kat Club, Kiedis teve a ideia que se tornaria a marca registrada da banda. Na hora do Bis, o vocalista sugeriu que eles tirassem a roupa e voltassem ao palco trajando meias cobrindo seus bingulins, só assim poderiam chamar mais atenção que as garotas gostosas que dançam nuas no mesmo espaço. Não deu outra: pisaram no palco quase pelados, pulando pra lá e pra cá com as meias cobrindo seus pintos e o povo adorou. Daí pra frente, as performances dos Chili Peppers seriam sempre marcadas por algum tipo de sacanagem. Isso fez que a banda ficasse mais conhecida no cirtcuito underground de Los Angeles. Sem entender bem qual era a de Kiedis e Flea, Irons e Slovak saíram para tentar estourar com um grupo chamado What Is This?. Só tentaram. Quase um ano depois de inventarem a moda meia na caceta, vocalista e baixista assinaram com uma grande gravadora, convocaram o guitarrista Jack Sherman e o Baterista Cliff Martinez, e gravaram o primeiro disco. Intitulado simplesmente The Red Hot Chili Peppers (84), o álbum foi produzido por um dos heróis da banda, o guitarrista Andy Gill, do grupo inglês Gang of Four. Mas Gill não sacou a levada dos peppers e tentou fazer um disco comercial. Resultado: "The Red Hot.." passou quase batido pelos criticos, que o consideraram muito cru e confuso, e as vendas deixaram a desejar. Mas os agora os californianos não estavam nem aí. Continuaram a tocar o caralho nos shows a atrair cada vez mais público. Slovak e Irons voltaram atrás e pediram pra voltar a tocar com os caras. Ainda na mesma gravadora, se trancaram em estúdio com outro de seus heróis, o mestre dos magos do p-funk, George Clinton, mentor groove espiritual de um dos maiores grupos de som negro da historia, o Paliament e o Funkadelic, entre os prediletos dos rapazes, No comando da produção, Clinton, maluco das antigas, entrou na onda da banda e destacou ainda mais seu lado funk. Ligado no rock desde que ouviu Hendrix pela primeira vez, o produtor estava em casa: soube dosar em, exatas medidas as doideras roqueiras com as rimas do rap - que ainda só era coisa de negão - e o funk, que comia solto. Em 1985, chegou às lojas Freaky Styley. Em uma escutada é fácil perceber a evolução musical que rolou entre o primeiro e o segundo trabalho, Flea arrepiava no baixão, Slovak ora distorcia os acordes como um Hendrix bêbado de cândida, ora limpava os sons e caprichava nas palhetadas afinadas feito um Catfish Collins, guitarrista de ajudou o reverendo James Brown em seu caminho para o estrelato. Shows lotados, performances endomidas e as - agora notórias - meias nos bingulins faziam a alegria do quarteto, que se armou direitinho para o álbum seguinte.

O terceiro disco do Red Hot Chili Peppers, The Uplift Mofo Party Plan (87), produzido por Michael Beinhorn (Soundgarden, Aerosmith, e Hole), veio rasgando, como navalha na seda, e, pela primeira vez, levou os Peppers as paradas. Tudo bem eles entraram em 148° lugar na lista dos mais tocados e vendidos, mas entraram. Décadas mais tarde, a ser chamado de funk-o-metal, os Peppers reviveram e deram nova cara ao estilo, com o baixão sempre botando pra fuder e a guitarra gritando de tanto apanhar nas mãos de Slovak. Kiedis fazia raps como um Flavor Flav alemão, rimando sacanagem com molecagem, Califórnia com esbórnia e baixaria com putaria. Em SPECIAL SECRET SONG INSIDE, ele avisa: "eu quero fazer uma festa na sua buceta". Nessa época, Hillel e Anthony se afundaram na heroína, a droga dos gênios jazzistas. Somente quando o guitarrista teve uma overdose, quase indo desta para uma melhor, eles decidiram que era a hora de largar a mão. Após uma cansativa turnê pela europa, em 88, os quatro deram um tempo e se separam por alguns meses para cuidar de suas vidas. Longe dos manos, Slovak entrou em depressão e recorreu novamente a heroína. Só que desta vez, a dose foi fatal. Slovak morreu de overdose em junho daquele ano. Kiedis e Flea ficaram arrasados, sentindo-se culpado por deixar o amigo sozinho, Anthony seguiu para um retiro no México decidido a exorcizar de vez seus vício. Vendo a casa cair e sem querer ser o último a sair para apagar a luz, Jack Irons anunciou sua saída e Flea ficou sem saber o que fazer, curtindo, na medida do possível, o nascimento de sua filha, Clara, e sua carreira cinematográfica. Na volta, Anthony chamou o amigo e, juntos, resolveram apertar o botão do já era e seguir com a banda.

Mal eles resolveram voltar a ativa, um moleque fanático pelo RHCP e, sobretudo, por Hillel Slovak, colou forte. Aos 18 anos, o guitarrista novaiorquino Jonh Frusciante não era o Robin, mas era um menino prodigio. Tocava muito e, para a surpresa dos Peppers restantes, sabia cada acorde, cada solo, cada variação que Slovak registrava em seus trabalhos com a banda. Faltava agora um batera de responsa para substituir Irons. Fizeram uma audição com mais de 30 pretendentes. Quando o último foi embora e o trio já estava desistindo da coisa, um grandalhão com visual Hell´s Angel passou pela porta, se apresentou e, sem tirar os oculos escuro e a bandana, sentou no banquinho da bateria. Flea chamou um som, Frusciante foi atras e o grandão tocou como nunca, debulhando a batera, casando perfeitamente seu estilo com o baixo de Flea. Ao final da sessão, Kiedis, só para tirar uma avisou: "Você só entra na banda se raspar essa cabeleira". O batera, Chad Smith, não raspou o cabelo, mas nunca mais os Peppers precisaram testar outros músicos para a posição. Tudo certo, contrato com a gravadora em dia, eles se reuniram, compuseram, arranjaram e gravaram seu primeiro disco de ouro, Mother´s Milk (89). Renovado, o Chili Peppers estava, mais uma vez pronto para reclamar seu lugar na musica jovem, pop, rock, funk, ou seja lá qual for o tipo de som. Alem de todo o àlbum ser dedicado a Slovak, a banda ainda compôs a emocionante Knock Me Down, em memoria ao guitarrista. A turnê de "Mothers.." foi um sucesso, as vendas também. Ninguém havia morrido ou saído do grupo. do 148° lugar na Billboard com "The Uplift..." , eles pularam para 52° lugar. Nesse clima, isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bom demais, os quatro, prestes a serem reconhecidos como a formação clássica dos Red Hot Chili Peppers, escolheram o barbudo Rick Rubin, odiado por muitos, amado por muitos outros, para produzir o que viria ser o graaaande disco da banda.

Em vez de bancar horas e mais horas em algum hiper-mega estúdio em L.A., eles escolheram uma velha mansão nas colinas californianas, com fama de mal-assombrada. Em vez de usar a última tecnologia em gravação, Rubin mandou buscar velhos amplificadores valvulados, mesas de som empoeiradas e todo o tipo de velharia apta para captar a atmosfera da casa, das gravações e da banda. Bingo! Blood Sugar Sex Magik foi lançado em 91 e trouxe o primeiro grande sucesso comercial da banda: a balada Under The bridge. Baseado em sua experiencia com heroína, Kiedis escreveu essa letra e a escondeu em seu caderno de anotações, considerando-a sentimental demais. Rubin leu, vislumbrou cifrões e mais cifrões e pediu que ele a mostrasse aos companheiros. Imediatamente, eles pegaram seus instrumentos e começaram a fazer o som. Com os clipes de Under the Bridge, Breaking teh Girl e Give it Away sendo repetidos incansavelmente pela MTV e as mesmas músicas rolando toda hora na radio, não teve jeito. "Blood.." vendeu mais de 2 milhões de cópias nos EUA. Finalmente, muita grana, fama no mundo todo e tudo que o mega sucesso traz. Incluindo a insatisfação de um dos integrantes. Talvez ainda muito jovem pra aguentar as turnês pelo mundo, entrevistas e loucuras, muita loucuras em forma de sexo e heroína, o menino John anunciou sua saída em 92. Entregue ao destino, Frusciante se exilou do mundo e tornou-se um viciado por opção. Puto da vida com o ex-colega, Kiedis não quis saber de choradeira e logo achou substitutos pouco brilhantes para Robin. Entre eles, um amigo de Flea, o não tão genial Eric "the frak" Marchal, que tocou com a banda no Brasil em 93. Em 94, vestidos como o Lampadinha, mascote do professor Pardal da Disney, estrearam no festival de Woodstock com seu novo guitarrista: o todo pose Dave Navarro, ex-Jane´s Addiction. Rapidamente sua influencia sobre a banda pôde ser sentida. Em One Hot Minute (95), Sons como Warped lembram demais Jane´s - Uma queda do nivel de originalidade dos Peppers. Navarro pareceu dominar a área acentuar o clima gay do RHCP, que sempre existiu. Sobretudo por conta da bitoca que dá na boca de Kiedis no clipe desse som. "One.." não surtiu o mesmo efeito que "Blood.." mas valeu. Especialmente porque a participação de Navarro durou pouco.

Em abril de 98, para felicidade de muitos fãs, Navarro saltou fora do barco alegando incompatibilidade criativa. Depois de deixar a banda, declarou que se sentiu ridículo em vestir as lâmpadas em Woodstock e que se demitiu porque não conseguia fazer caretas. O fulano era estrela demais para uma banda que nunca se preocupou em destacar aquele integrante. Como se não bastasse, Anthony Kiedis e Chad Smith sofreram acidentes com suas Harley Davidson em Los Angeles. Kiedis havia voltado a heroína, embutiu a moto na caranga de uma velhinha, fraturando os punhos e Smith chapuletou o ombro depois de tentar desviar de um carro em freada brusca. Longe da cena após sua saída do RHCP, Jonh Frusciante havia se enfiado na jaca até o pescoço. Depois de lançar dois discos solos tão legais quanto estranhos -NIANDRA LADES & USUALLY JUST A T-SHIT (95) (dedicado a Clara Balzary) e SMILE FROM THE STREETS YOU HOLD (97) mas sem nenhuma repercussão - nem os Peppers ouviram!, ele decidiu que iria acabar com a vida de qualquer jeito. Injetava heroína, cocaína, fumava crack, tomava valium, bebia vinho todos os dias e nem chegava perto da guitarra. Quando Flea disse para Anthony que Frusciante deveria voltar, Kiedis, ainda corroído pelas brigas de anos antes, recusou a ideia. Mas foi só o baixista dizer a frase magica " a volta dele é a unica coisa que nós pode manter vivos e juntos ", para o vocalista se ligar que estava num mato sem cachorro.

Encontrado num chalé de Los Angeles sem os dentes, os cabelos caindo , as unhas podres, quase sem voz e envelhecido uns 30 anos em apenas 4, Frusciante decidiu se internar para salvar sua vida, Para celebrar a volta do filho prodígio, o Chili Peppers chamou mais uma vez Rick Rubin e fez Californication (99).

Não o melhor mas o mais inspirado e melódico disco da sua carreira. Recheado de baladas em que Kiedis desliza sua voz limitada e com Frusciante provando ser um dos guitarristas mais expressivos desde que apareceu, o álbum é a visão musical de uma banda madura que não é mais o grupo da vez. Quando se fala em RHCP não se pensa mais nos termos "moda" ou "sucesso". No Brasil, em 99, subiram ao palco concentradíssimos na musica que faziam, quase sem ligar para as reações do publico. Horas antes a entrevista exclusiva a Revista Rock e "a 89 - A radio rock" Flea exibiu discretamente seus dotes - sem meia! - Frusciante desceu o pau na pose de ex-drogados do Aerosmith e Kiedis alertou Smith que os repórteres iriam peguntar sobre as relações da banda com o homossexualismo. O baterista responde com um grande e generoso beijo na bochecha do companheiro. Se outros revezes podem entrar no caminho, ninguém sabe. A certeza é que, por enquanto, ele ganham, e feio, a batalha contra o fim, lutando como bravos moleques californianos que se tornaram.


Fonte: Revista 89 Rock (Brasil) - Maio de 2000.

22 de setembro de 2017

Tem pimenta vermelha no Rock In Rio - Final de 2000











Fonte: Atrevida (Brasil) - Final de 2000
Agradecimento: Giovana (Brandy) - TheChiliSource.com

6 de julho de 2017

A inatividade dos Chili Peppers em prol de Frusciante - Dezembro de 2000


O guitarrista John Frusciante vai usar o tempo de inatividade antes do Red Hot Chili Peppers começar a trabalhar em seu próximo álbum para promover seu terceiro álbum solo, To Record Only Water for Ten Days.

No álbum, que será lançado dia 13 de fevereiro do ano que vem pela Warner Bros, Frusciante faz todos os vocais e música, inspirando-se no Synth Pop dos anos 80 e vários pioneiros do rock.

“Eu programei a bateria e toquei sintetizadores, guitarra e cantei”, disse quinta-feira no VH1 Music Awards. “É em parte inspirado pelos compositores que eu amo, como Lou Reed, David Bowie e Syd Barrett, mas instrumentação eu queria fazer tudo sozinho, é inspirado pelo tipo de som de Depeche Mode e New Order.”

“Eu estou começando a ter cores vagas na minha cabeça agora.”

O guitarrista John Frusciante, que gravou o álbum em seu estúdio em casa, vai montar uma pequena turnê promocional na Europa no final de janeiro e pode fazer alguns shows exlusivos em Nova York e Los Angeles. Frusciante lançou Niandra Lades And Usually Just A T-Shirt, em 1994, e Smile From the Streets You Hold em 1997.

Seu trabalho solo era radicalmente diferente do punk funk melódico do Red Hot Chili Peppers. Ambos de seus discos são constituídos de scratches, músicas pops em lo-fi com vocais estridentes como gatos colocados sobre atmosféricas guitarras acústicas e elétricas sendo manipuladas em loops de fitas. Frusciante escreveu sua própria biografia para o novo álbum, que diz: “Entre 1992 e 1997, John Frusciante teve muitos períodos em que sua principal atividade social era de espíritos manifestando-se como vozes, ondas de pensamento, corpos astrais e decomposição da matéria física. As coisas que eles ensinaram (muitas vezes em linguagem não-terráquea, mas muitas vezes em inglês) estão contidos nas palavras deste álbum. Os sentimentos desta música é o sentimento dos espíritos amigos de John Frusciante.”

Antes de sua turnê solo pela Europa, o guitarrista tocará em alguns shows na América do Sul com os Chili Peppers. A banda vai começar a trabalhar na repercussão dado ao CD Californication (1999), em fevereiro. “Eu estou começando a ter cores vagas em minha cabeça agora." disse Frusciante sobre o novo material. O baixista Flea disse que o grupo finalmente está pronto para colocar Californication para descansar depois de lançar quatro singles do álbum na América e passar um ano e meio na estrada em turnê. “Nós achamos que já fizemos demais.” disse Flea à VH1 Radio. “Nós provavelmente poderíamos fazer mais, mas é melhor ter tempo pra respirar e escrever algo novo. Nós estamos realmente gratos por tudo que está ao nosso caminho, e nós pensamos que, para nós, para permanecermos no espírito de oferecer às pessoas músicas novas e inspiradas, devemos escrever um pouco mais.” A banda de Los Angeles, pretende lançar o próximo álbum no ano que vem, disse o baterista Chad Smith.


Fonte: Sonicnet da VH1 - 06 de dezembro de 2000

2 de março de 2017

Hot hot hot hot hot - Abril de 2000

Capricho (09/04/2000)


Os californianos do Red Hot Chili Peppers viram o fim passar bem perto. Superaram os problemas e hoje, depois de 17 anos juntos, ainda fazem rock de primeira.



Californication, disco do Red Hot Chili Peppers lançado em junho passado, vendeu mais de 250 mil cópias no Brasil e emplacou três hits: Scar Tissue, Around the World e Otherside. Nada mal para um grupo que quase acabou. Em 1996, depois de dez meses de turnê do disco One Hot Minute, a banda teve uma estafa. As brigas começaram e o vocalista Anthony Kiedis voltou a se fundar na heroína.

A carreira do Red Hot sempre teve altos e baixos. Em 1983, Kiedis e o baixista Flea se juntaram a mais dois amigos e fizeram o show de estréia da banda. O primeiro quitarrista, Hillel Slovak, morreu de overdose em 1987, e o baterista, Jack Irons, foi tocar no Pearl Jam. John Frusciante, guitarrista que entrou em 1989, saiu depois de uma briga, três anos mais tarde. A volta dele, em 1998, foi o pontapé que faltava para mais um recomeço. Em entrevista dada à gravadora Warner, que a CAPRICHO publica com exclusividade, os red hot falam sobre carreira e drogas.

Como você está se sentindo de volta à banda?

John Frusciante – "Estou muito feliz. Por que minha vida está assim: eu não preciso pensar em mais nada além de fazer música. Então, fico concentrado na música o dia todo, não vivo com ninguém, não sou responsável por ninguém, visito as pessoas que eu amo quando eu quero, e a maioria do tempo fico sozinho, lendo livros ou tocando guitarra."

É importante todos serem amigos, ou é até mais produtivo quando rolam as brigas?

Flea – "As brigas podem ser produtivas, sei lá. Às vezes, estar na banda é difícil por causa das viagens, das coisas que você faz além de tocar música, que é melhor. Se você puder viver dentro do grupo com amizade, melhor, senão vira um inferno. Para a gente é muito importante dar apoio um ao outro, mas não tínhamos essa consciência até o John voltar. Agora é muito natural e vai continuar desse jeito. Porque o principal é que nos amamos."

Então vocês são amigos.

Flea – "Eu e Anthony nos tornamos amigos com 15 anos, agora temos 36. E sempre fomos inseparáveis."

Rolou muita coisa chata entre vocês nesses anos todos?

Flea – "Muitas, mas nos últimos anos Anthony mudou, cresceu bastante, se tornou uma pessoa mais amável. Isso é evidente. Coisas chatas que aconteceram não acontecem mais. Eu o respeito muito."

Essas coisas tinham a ver com drogas?

Flea – "Não sei. Acho que tinha a ver com ele atingir ápices na vida. Só depois de todo ápice vem o período em que a pessoa acha o máximo. Mas ele está muito agradável agora."

Ele disse o que o fez mudar de vida?
Flea – "Eu sei que ele ficou lutando com isso por anos."
John Frusciante – "Ele ri de tudo agora, mesmo sabendo que não é engraçado. O Anthony teve muitas coisas trabalhando contra ele, mas ainda buscou dentro dele mesmo o que há de melhor, de mais doce. E tornou isso predominante em sua personalidade."

Quando vocês se encontraram novamente em 1998 e voltaram a tocar juntos, foi como a primeira vez?

John Frusciante – "Rolou uma conexão instantânea, foi maravilhoso. As músicas que escrevemos foram muito criativas e naturais. Não precisamos falar muito no assunto, ficar discutindo. Ficamos somente tocando e nos sentindo bem. Mas definitivamente não foi como se nada tivesse acontecido porque muitas coisas aconteceram e isso faz parte da nossa história. Nós abraçamos a nossa história."

Quando vocês fazem música, tocam o que vem à cabeça?

John Frusciante – "Não há nenhuma regra, mas o que acontece na maioria das vezes é que nos encontramos e começamos a tocar e a fazer barulho. Às vezes, vem o que está no ar, o que sentimos e, quando percebemos, saiu uma música interessante."
Flea – "Isso torna o som do Red Hot diferente do de outras bandas. Escrevemos nossas músicas juntos, como uma banda. Elas não são produto de um só cérebro."

O que significa Californication?

Anthony Kiedis – "Todo mundo está liberado para criar sua própria definição. Para mim, a palavra ilustra o processo de o mundo ser afetado pelo que nasceu e foi criado na Califórnia, seus filmes, músicas, idéias ou a própria ridicularização, os estereótipos."

Muitas das suas letras, principalmente para as pessoas que não tem o inglês como primeira língua, não são muito diretas. Vocês acham que todo mundo entende o que elas querem dizer?

Anthony Kiedis – "A questão é que você não precisa falar nada de inglês, a língua não importa. A vibração que acontece quando você ouve nossa música já é o suficiente. As pessoas no Japão têm o mesmo sentido que os americanos porque o som da palavra é tão importante quanto o significado."

Fonte: Capricho - 09 de abril de 2000
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