25 de janeiro de 2018

UF ENTREVISTA: D.H. PELIGRO (2013)


Entrevista publicada pelo Universo Frusciante em 09 de setembro de 2013:

Nascido em 09 de julho de 1960, na cidade norte-americana de St. Louis, Darren Henley Peligro se radicou aos 17 anos em Los Angeles, onde desde 1978 vem sendo um ativo nome na cena do rock underground.

Em 1980, ingressou na banda punk Dead Kennedys, com quem gravou quatro discos - Plastic Surgery Disasters with In God We Trust Inc. (1982), Frankenchrist (1985), Bedtime For Democracy (1986) e Give Me Convenience or Give Me Death (1987).

No final de 1988, substituiu o baterista Jack Irons dos Red Hot Chili Peppers, tendo gravado faixas do álbum "Mother´s Milk" (1989). Foi ele quem apresentou John Frusciante ao Flea.

Participou, ao lado de Max Cavalera (Soulfly, ex-Sepultura), do projeto Nailbomb, com quem gravou o álbum "Proud to Commit Commercial Suicide" (1995).

Em 1995, D.H. Peligro formou sua própria banda, "Peligro", onde atua como vocalista e guitarrista. O grupo, um crossover de punk, hardcore e thrash metal, já lançou três discos - Peligro (1995), Welcome to America (2000) e Sum of Our Surroundings (2003) (que ganhou o prêmio de Melhor Álbum de Rock do ano do American Independent Music Awards). A banda também já foi indicada para um Grammy pelo cover de “Purple Haze” de Jimi Hendrix.

D.H. Peligro se prepara agora para lançar sua autobiografia intitulada "Dreadnaught: King of Afropunk".


O Dead Kennedys não lança um álbum de inéditas desde 1986. Vocês pensam em lançar algo depois de tanto tempo?
Talvez. Não posso garantir, não quero mexer com a magia.

O que pode falar sobre “MP3 Get Off The Web”? Como você enxerga o atual momento da indústria da música, depois do MP3 devastar a internet desde os anos 2000?

Com todos os arquivos sendo compartilhados, é difícil sobreviver e vender discos, e isso tem sido uma grande porrada, então temos que fazer mais turnês para compensar.

O DK esteve recentemente no Brasil. Como foi para banda tocar novamente aqui?
Amo o Brasil mais do que nunca. Adoro as pessoas e é meu país favorito!

Vocês conseguiram achar os “cases” de baixo e guitarra que haviam “sumido” aqui?
Não. Não conseguimos e isso é bem triste. Klaus tinha aquele baixo desde 1977 e agora já era. É como se uma peça tivesse sido arrancada de nós. É muito triste, mas temos muita esperança de recuperá-los.
[Nota do autor: entenda o caso, clicando aqui]

Como você entrou no Nailbomb? Você já era amigo do Max Cavalera antes da banda? Você gosta de Sepultura?
Adoro Sepultura e sou muito amigo de Max, Igor, Andreas e Paulo Jr.

Desde 1978, você vem sendo um ativo nome na cena do rock underground em Los Angeles e San Francisco. Em algum momento você pensou em desistir e tentar outra coisa?
Sim, fui ator por um tempo e fiz outras coisas. Eu tenho um livro chamado “Dreadnaught: King of Afropunk”. Vocês podem ter todas essas respostas lá.

Depois de tocar em tantas bandas como baterista, como surgiu a ideia de montar sua própria banda em 1995, onde você toca guitarra e canta?
Sempre tive versões de Peligro flutuando por aí desde 1982.



Depois de ter lançado 4 álbuns com sua banda, ela já foi nomeada para um Grammy, ganhou o prêmio de Melhor Álbum de Rock do ano pela “American Independent Music Awards”. Quais são seus planos atualmente para o Peligro?
A Peligro está para lançar um álbum ao vivo, gravar novas coisas e sair em turnê.

Com a morte de Hillel e posteriormente com a saída de Jack Irons, Flea e Anthony Kiedis chamaram você e Blackbird McKnight para a banda. Você já conhecia os caras havia bastante tempo e Blackbird já havia tocado com eles. Na sua visão porque essa formação não deu certo?
Foi parcialmente uma coisa a ver com imagem e sobre minha saída, vocês terão que ver a minha biografia.

É realmente difícil se adaptar ao processo de criação dos Red Hot Chili Peppers, onde todos criam juntos?
Não, éramos bons amigos, então tudo vinha naturalmente.

Como você conheceu John Frusciante? Foi em algum show do Dead Kennedys?
Não, não foi em um show, foi em um churrasco na casa do meu amigo Chris Neil.

Como ocorreu a entrada do Frusciante para banda? Ele realmente iria entrar no Thelonious Monster?
Ele já estava no Thelonious Monster. Fui eu, DH Peligro, quem apresentou John a Flea e Anthony, pois ele já tinha tocado em uma banda de garagem comigo.

Anthony disse em sua biografia que você tinha um entusiasmo selvagem ao tocar com eles, mas Flea era muito perfeccionista quando se tratava de aprender músicas. Isso foi realmente um obstáculo para você se desenvolver dentro da banda?
Sim e não. Eu não era perfeccionista, entretanto acho que menos é mais.


Anthony também chegou a dizer que ocorreram algumas tensões entre você e ele por conta do período no qual ele estava sóbrio e achava que todo mundo deveria fazer o mesmo. Depois da “Turd Town Tour” as coisas pioraram e você acabou sendo demitido da banda. Sua dependência química foi realmente o motivo da sua saída?
Bem, essa vocês terão que ler minha biografia.

Depois da sua saída, Chad Smith entrou e está até hoje na banda. Você o conhece? O que acha dele como baterista?
Ele é um bom baterista e hoje o conheço, mas não quando ele entrou na banda.


O que pode nos falar sobre o “The Three Little Butt Hairs”?
Era eu, Anthony e Flea. Fizemos alguns shows e tocávamos covers de punk rock por diversão e sem cobrar nada.

Qual sua sensação hoje sobre aquele período com o Red Hot Chili Peppers?
O que eu posso dizer? Hoje eles têm muito sucesso. São grandes estrelas do rock e estão no Rock n’ Roll Hall of Fame. Fico muito feliz por eles, que sempre serão meus brothers.

Qual sua relação hoje com Flea, Anthony e John? Ainda são amigos?
Sim, somos amigos.

Você conhece a carreira solo de John? Algum álbum favorito?
Desculpe, mas não conheço a carreira solo dele.

O que você acha da cena musical atual? Sente falta de alguma coisa do passado?
Não penso muito sobre a cena atual, apesar de sentir falta da camaradagem entre as bandas da cena antiga.

O que tem escutado atualmente e quais suas bandas favoritas?
Peligro é a minha favorita. Eu trabalho muito com novos materiais e não tenho tempo para ouvir bandas novas, exceto quando o Dead Kennedys sai em turnê. Gosto de Raimundos, Otaio e Sepultura.


Quais são suas influências como baterista e guitarrista?
Meu tio, Sam Carr, influenciou meu estilo de tocar guitarra. Sobre bateristas, eu gosto de Dennis Chambers e Billy Cobham.

O que você diria para alguém que está querendo aprender a tocar bateria?

Pratiquem, caras. Pratiquem.

Você tem planos de lançar alguma coisa no fim desse ano e em 2014?
Sim, o álbum “Peligro Live at the Viper Room” que já citei, e estou procurando uma distribuidora para meu terceiro LP, “The Sum o four Surroundings”.

Há algo que gostaria de dizer para quem está lendo essa entrevista?
Sim! Viva o Brasil!


Entrevista realizada por Felipe Marcarini pelo Universo Frusciante - publicada em 09 de setembro de 2013.

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