20 de novembro de 2019

Flea fala sobre a entrada de John Frusciante em sua vida


Em entrevista no Jewish Community Center de São Francisco para falar sobre seu novo livro Acid For The Children, no dia 08 de novembro, Flea recebeu uma pergunta de um fã brasileiro chamado Ren sobre a entrada de John Frusciante em sua vida.





Olá Flea, meu nome é Ren, sou do Brasil, todos te amam por lá, como você sabe. Minha pergunta é sobre... você fala tanto sobre o quão intenso era sua relação com Hillel, e o quão dolorido foi para você, e presumo que após isso você provavelmente sentiu muita falta de esperança, em perder tal conexão, e de repente um ano depois, o garoto de 17 anos, John, entra na sua vida e uma nova conexão é criada. Você sentiu que nesse ponto, a vida te dava uma nova esperança, uma nova luz, algo para sorrir novamente, talvez envolvendo todos os outros aspectos?

"Sem duvidas, cara. Tipo, eu sinto... John Frusciante que ele está falando, desculpe não peguei seu nome no começo, mas é um interstelar, transcendental, músico incrivelmente virtuoso, e após Hillel morrer, ele se tornou nosso guitarrista, eu conheci o menino de 17 anos, e eu fiz uma jam com ele, com um cara da Bay Area chamado DH Peligro, que tocava no Dead Kennedys, que também esteve na nossa banda por pouco tempo, um ótimo baterista. Realmente era uma nova oportunidade, e John nos deu tanto, ele é alguém que eu amo tão profundamente. Eu sinto que com a banda, muitas vezes estive frustrado, sabe, ou eu e Anthony sendo esses patetas brigando, sabe, como amigos fazem quando estão juntos constantemente, como por 37 anos, e se fazendo vulnerável no processo criativo quando estamos juntos, mas eu sempre sinto que por algum motivo, o Universo, Deus... como você quiser chamar, sempre da um motivo para você continuar, sabe, algo sempre acontece, e a vinda do John, foi uma dessas coisas. Eu não tento entender como os cosmos funcionam, mas eu acho que na minha relação com Anthony, muitas vezes a banda é como Deus nos dando esse veículo para nos mantermos juntos, ainda mais porque quando conheci esse garoto quando eu tinha 15 anos, eu estava zoando um menino e o Anthony chegou e disse “se afaste dele”, era anos 70 e todos tinham cabelos longos e colares de conchinhas, Anthony tinha corte militar e era musculoso, e quando apareceu eu disse “quem é esse cara?”. Eu me afastei e no momento que olhei para ele, pensei: “vou ser amigo dele para o resto da minha vida”. E eu sabia disso, e não entendo isso, talvez isso mude, mas por algum motivo, com o John, isso continua sendo um motivo, sabe. As coisas se movem, o mundo, as ondas de energia se movem, e nos as escrevemos."







Tradução: Bruno Portugal

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