18 de julho de 2016

Foregrow EP

31 de março de 2016

"No dia 16 de abril, estarei lançando um EP pela gravadora Acid Test. É composto por quatro músicas eletrônicas gravadas em 2009. Esse foi o período quando comecei a gravar minhas máquinas e sintetizadores em um computador, usando o programa Renoise. Embora eu ainda estivesse usando a TB-303 muitas vezes, eu já estava longe de fazer estritamente Acid House. Não há gênero estilístico em que essa música se encaixe. Eu explorei duramente minhas máquinas, constantemente tentando coisas que eu nunca tinha feito antes. Eu a descreveria apenas como música eletrônica aventureira. Durante todo esse tempo, eu também fiz uma grande quantidade de música com o Speed Dealer Moms, e essas experiências definitivamente ajudaram minha abordagem experimental. Na verdade, a programação de uma música começou em um quarto de hotel em Londres, com a intenção de tocá-la com o SDM na rave Bangface Weekender em 2009, mas tivemos que cancelar devido a alugueis de equipamentos com defeito.

Algumas das técnicas de programação e produção foram inspiradas por pessoas como Venetian Snares, AFX, Squarepusher, Gescom, DMX Crew, The Railway Raver, Ceephax Acid Crew, Luke Vibert, e Autechre. A produção de Martin Hannett no Joy Division, e coisas como Depeche Mode, o primeiro disco do Heaven 17, New Order, e o início do Human League, também foram influentes nesses meus materiais. Mas, musicalmente, é a minha abordagem à síntese, o meu senso de melodia e meu senso de ritmo que dão a essa música seu estilo, como quer que queiram chamá-lo.

A EP começa com uma música chamada “Foregrow”, e esta é a única música em que eu canto. As letras dizem respeito a uma vívida memória pré-vida, em que eu era uma seção do espaço exterior. Eu usei uma guitarra MIDI para tocar um sintetizador DX7, para fazer esses tipos de sons de queda e sopros, dando bends nas cordas de uma maneira que uma pessoa nunca poderia fazer usando um pitch bender ou um mod wheel. O som da guitarra em si nunca foi gravado e é, portanto, inaudível.

A segunda música é chamada “Expre'act”, e essa foi a primeira vez que eu tive o prazer de programar máquinas em um ritmo que está continuamente acelerando e desacelerando. Essa música tem um solo de guitarra tocada através de um Electro Harmonix Micro Synthesizer. A introdução da música é um Monomachine, usando vários parameter locks. Quando o 303 entra, eu uso o seu sintetizador interno, usando, ao mesmo tempo, seu sequenciador para tocar vários sintetizadores diferentes, um após o outro em rápida sucessão, às vezes usando apenas controladores CV e Gate, e outras vezes usando um CV para um conversor de MIDI.

A terceira faixa é “Lowth Forgue”, que, como já referi anteriormente, começou como música quando eu pretendia tocar ao vivo em raves britânicas. Mas quando não deu certo, eu a levei para casa e ela foi em uma variedade de direções. Como várias faixas que fiz nestes últimos oito anos, ela passa por várias seções diferentes que são totalmente diferentes umas das outros em instrumentação, mistura, estilo, e assim por diante. Esta ideia surge a partir de bandas como Genesis e Yes, que fizeram músicas longas constituídas por seções que eram totalmente distintas uma das outras em termos de edição. No caso de “Lowth Forgue”, existem quatro seções em sequência que nada têm em comum uma com a outra, exceto que elas compartilham o mesmo ritmo e fluem bem de uma para a outra. Essa faixa não tem guitarra. No entanto, ela tem samples, o que todas as outras faixas não tem.

O EP termina com “Unf”, que foi a primeira música que eu fiz em ritmo 4/4 por algum tempo. Ela possui um solo de guitarra que é fortemente tratado por um sintetizador modular, que o meu amigo e colega de banda, Chris McDonald, construiu para mim. Há também algumas outras partes de guitarra, incluindo um funk uma vez e uma outra meio Siouxsie & The Banshees, mas essa música, como as outras, consiste principalmente em baterias eletrônicas e sintetizadores, especialmente o MC-202. Tem muito 202 nesta faixa, incluindo uma seção que soa como alguém tocando um piano elétrico Wurlitzer, mas são realmente seis 202s programados para soar como um cara tocando teclado.

O que eu acho deste EP é música divertida que foi divertida de se fazer. Overdubbing, na música eletrônica, foi uma bela coisa nova para mim naquela época, e muito dessa música foi desenvolvido ao vivo (ou seja, com muitas máquinas tocando juntas), e, em seguida, gravadas como instrumentos individuais, cada uma com a sua própria respectiva faixa. Isso me deu a capacidade de ser bem mais extravagante com a minha produção do que eu estava sendo no material de Acid House do Trickfinger, quando eu tinha apenas máquinas, sintetizadores, um pequeno mixer e um gravador de CD. Este EP foi o início do setup de estúdio que eu continuo utilizando, refinando e desenvolvendo desde então. Aqui estão quatro fotos dele, tiradas há uns dois anos atrás.








O Foregrow EP é uma compilação de faixas escolhidas por Oliver Bristow da Acid Test. Outras músicas deste período estão em minhas páginas do Soundcloud e Bandcamp, JF Directly From JF.

A capa do EP é uma escultura concebida por Marcia Pinna. É uma representação visual das "regras" de letras que eu aderi na canção “Foregrow”. Nós estávamos passeando de carro uma noite, e eu disse a ela, por fim, da ligação entre o livro de Aleister Crowley, Book Of Lies (falsamente intitulado), e as letras de Ian Curtis, o que percebi pela primeira vez em 1997. A minha explicação destas regras inspirou em sua mente uma visão, que se tornou um desenho, em seguida, uma escultura em miniatura, e depois uma escultura de seis metros de altura, que ela e Sarah Sitkin construíram em estúdio de arte de Sarah, onde então foi fotografada. Um dia depois, a coisa caiu no chão e quebrou em um milhão de pedaços."

Tradução: Felipe Marcarini

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