9 de abril de 2017

Review: Enclosure - Premier Guitar


Em fevereiro de 2014, a revista digital Premier Guitar disponibilizou um review do álbum Enclosure feito por Tessa Jeffers, que o classificou com uma nota 4/5. 

Um sombrio e pulsante sintetizador vibra enquanto o falsete de John Frusciante o supera e canta “I’ll tell you...I’ll tell you” na faixa de abertura de seu mais novo passeio solo. Essa justaposição é apenas uma receita de um compositor que sabe construir de modo autêntico e que se tornou extremamente abençoado em fazer camadas de imagens sobre melodias cativantes. E mesmo se algumas ideias saírem girando para direções dissonantes, elas ainda funcionarão.

Assim como os últimos álbuns de Frusciante foram para o território do prog-pop, Enclosure usa drum machines e efeitos expansivos para criar o ambiente. Embora Frusciante injete solos de guitarra à vontade, alguns fãs podem sentir que o gênio da guitarra está bem discreto aqui, especialmente quando comparado ao trabalho influencial feito em seu passado como Chili Pepper. Durante as nove faixas, os solos de Frusciante – como o que sequestra a inteira metade final de “Stage” – aparecem não como meras tangentes, mas como o evento principal: a guitarra é um veículo oscilante que leva sua música para novos planos.

Várias faixas nos dão uma refrescante vibe de anos 80 sem muito esforço – pense nos bons anos 80, como Peter Gabriel, mas com a sensibilidade de Radiohead. Frusciante usa efeitos como sons de órgão para criar profundidade sob sua voz forte pulsando sobre os versos e ainda habilidosamente cria ondas de guitarra e harmonias de teclado como acompanhamento. Todas as faixas tem vocais, exceto “Cinch”, uma obra de arte com mais de seis minutos, com arpeggios de guitarras distorcidas em casas alternadas.

Frusciante está alcançando seus limites como cantor/compositor e multi-instrumentista, e a arte que ele está fazendo é um bom casamento entre o groove e o “embolado”, possuindo o tipo de balanço que deixa uma música ser uma música sem ficar muito bagunçada ou alienante ao público. Pode ser um pouco difícil ouvir as músicas procurando uma coerência durante o álbum inteiro, mas cada joia individual é uma cápsula prazerosa de criação e tudo fica ajustado quando se pensa que ouvi-lo é uma experiência aventureira e atlética.
- Tessa Jeffers

Faixa para ouvir: “Crowded”

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