10 de julho de 2017

Josh Klinghoffer responde sobre uma possível volta de Frusciante aos Chili Peppers


Em uma entrevista à rádio Montreal em 03 de julho de 2017, o guitarrista Josh Klinghoffer foi questionado sobre como reagiria se John Frusciante o chamasse e pedisse seu antigo emprego de volta no Red Hot Chili Peppers e a pressão que é substituí-lo. 

Vamos falar um pouco disso. Você substituiu vários guitarristas que passaram pela banda antes de você. Você pensa mais em trazer seu próprio estilo ou então diz: “Ei, quer saber: eu serei seu próximo John, eu serei um imitador.” Houve alguma pressão na banda para ser o novo John ou o novo alguém, ou você só vem e faz o que quer?

“Não, não, certamente não existe pressão para ser o próximo “alguém”. Quer dizer, eu acho que o único jeito que funcionaria, entrando em uma banda como essa, seria tendo a habilidade de ser você mesmo e trazendo algo único e algo que seja fresco e empolgante para eles dentro da banda. Preferivelmente, se for capaz de respeitar o que fizeram no passado e conseguir incorporar isso, é onde eu acho que funcionaria melhor. Quer dizer, você sabe, isso depende de com quem você está falando, mas eu tenho tanto respeito pela música e pelo trabalho que eles fizeram com o John, e com todos que já passaram por essa banda, mas particularmente com John, quer dizer, ele era o guitarrista quando eu conheci a banda, quando eu tinha 10 ou 11 anos, quando eu escutei pela primeira vez a música deles, ele estava na banda e, obviamente, anos depois eu fiquei amigo dele e de todos eles.

Eu tinha uma relação musical com ele, então eu meio que entendo como a banda funciona. E tocando com Bob Forrest, que é amigo dos Chili Peppers desde o começo dos anos 80, nessa banda nós abrimos pro Chili Peppers, então eu sabia como cada aspecto dessa banda funcionava, desde a turnê até o processo de gravação.”

Você conhecia a infraestrutura.

“Sim. Eu acho que essa seja outra razão pelo qual a transição quando eu entrei foi mais fácil, ao contrário do que alguns possam pensar.”

Deixe-me perguntar sobre essa transição, porque você foi amigo do John por muitos anos, você fez um número incrível de gravações com ele, quer dizer, mais do que eu possa contar. Como foi chegar na banda e não apenas substituir o guitarrista do Red Hot Chili Peppers, mas substituir seu amigo?

“Toda essa coisa é estranha e eu nunca poderia imaginar que aconteceria. Eu não poderia imaginar que eu fosse estar fazendo isso anos antes de acontecer, mas, você sabe, a banda não tem sido nada além de acolhedora e apoiadora de tudo que eu quis fazer e, quando eu penso por eles, a relação deles com a banda, com os quatro com John no passado se tornou o que se tornou e acho que eles estavam empolgados em fazer isso com uma pessoa nova, com uma nova energia. O único ponto negativo é que é como se alguém tivesse pressionado o botão de pause com a minha amizade com o John quando eu entrei na banda, mas faz sentido para mim.”

Eu ia te perguntar sobre isso. Existe algum tipo de respeito diferente acontecendo? Se John ligasse amanhã e dissesse: “Ei, eu quero meu antigo lugar de volta.”, você falaria “Oh, tudo bem, somos amigos e você pode ter seu lugar de volta.”?

“Eu não sei se… Eu acho que isso seria muito…”

Estranho?

"Quero dizer, eu não sei, isso é hipotético. Mas isso seria, bem, seria estranho, mas isso é algo que exigiria uma conversa dele com as outras pessoas da banda, não comigo. Ele deixou a banda, ele não queria mais fazer isso, por boas razões.

Ele esteve na banda e trabalhou pesado por muito tempo, ele não queria viver sua vida da maneira que você precisa quando se está nesta banda. Esses caras queriam, então é muito simples, a banda não vai simplesmente acabar porque ele não quer mais fazer isso, embora algumas pessoas tenham desejado que esse fosse o caso.

Como eu disse, como eu já sabia e tinha um grande respeito pela forma como essa grande engrenagem funciona, eu fui capaz de me tornar parte dela, e talvez até ajudá-la a crescer. Há momentos em que ainda me sinto... Eu espero que o novo trabalho que fizermos, e a nova música que fizermos seja tão emocionante para algumas pessoas como algumas das coisas antigas. Eu não sei se isso é possível, alguns dos pontos altos alcançados por essa banda são simplesmente insuperáveis.

Eu acho que essa banda tem feito um bom trabalho em pelo menos tentar criar novos [pontos altos], e espero que isso dê certo. Estou surpreso, se você estivesse falando comigo durante esse momento da última turnê, eu não sei se teria sido tão otimista, porque quando você está fora por um tempo e faz um longo período desde que você escreveu novas músicas ou esteve no estúdio ou se conectou com seus colegas de banda de um jeito íntimo, ao invés de estar no palco, o que é muito mais um espetáculo, onde você toca majoritariamente as mesmas músicas todas as noites (nós fazemos um bom trabalho em mudar isso), mas, você pode perder um pouco do foco do que quer na banda, e o fato de que você está numa banda.

Em certo ponto você está há um ano e meio em turnê, você sente que é mais um artista de turnê. Eu acho que agora, tendo feito basicamente duas turnês com eles, apesar de não termos terminado essa ainda, mas estamos quase, eu acho que tudo se saiu bem, eu acho que as pessoas gostam da banda e gostam de nos ver tocar e eu acho que as pessoas envolvidas gostam da companhia um do outro.”

Shows esgotados atrás de shows esgotados meio que provam esse fato, certo?

“Sim. E para mim, tocar música com esses caras ainda é um presente, é mágico. Até mesmo quando não está indo bem e você está bravo com alguém pelo jeito que te olharam, pelo jeito que eles tocaram aquela noite (não que eu faça isso).”


Anthony Kiedis recebeu uma pergunta semelhante em agosto de 2016, o vocalista respondeu que "não há portas" e a banda está feliz com o que está fazendo com Josh Klinghoffer.


Tradução: Pedro Tavares e Arthur Covales
Fonte: CTV

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