28 de novembro de 2016

Vermelho e Quente No Empíreo - Abril de 2009

Vintage Guitar - Abril de 2009

Foto por Neil Zlozower.
Mais conhecido por seu trabalho no Red Hot Chili Peppers, John Frusciante aprecia completamente todos os aspectos de fazer música, e experimenta continuamente com novas e estranhas formas de criá-la. Quando adolescente, Frusciante começou a se interessar em compor e gravar sua própria música. Ele começou a fazer álbuns solos há anos, e com o luxo de ter seu próprio estúdio de gravação, Frusciante combina técnicas próprias de gravação desenvolvidas através da experimentação com os truques aprendidos com o celebrado produtor Rick Rubin.

Frusciante recentemente completou seu último disco solo, The Empyrean - um álbum conceitual onde ele usou uma seleção de equipamentos vintage. Ele explicou alegremente seu processo criativo de gravação das faixas e graciosamente permitiu à Vintage Guitar acesso total à muitas de suas guitarras favoritas. Embora ele não se considere um colecionador, através dos anos, Frusciante reuniu um arsenal impressionante de instrumentos, favorecendo Strats pré-CBS como suas guitarras escolhidas tanto para uso no palco como no estúdio.


Como compor e gravar as músicas do The Empyrean se compara a fazer seus álbuns solos anteriores?

A estória do álbum é difícil de traduzir porque foi intencionalmente escrita de forma abstrata. Foi uma estrada estranha para mim, que na verdade começou quando eu fiz as minhas primeiras gravações quando criança. Por anos, até eu me reunir à minha banda quando eu tinha 28, tudo que eu tinha feito como artista solo eram gravações caseiras num gravador de quatro pistas. Foi assim que eu fiz os meus primeiros três discos solo. Então quando eu comecei a gravar num estúdio, minha única experiência de gravação em estúdio era com Rick Rubin como produtor. Eu tentei aplicar tudo que eu sabia quando gravei Shadows Collide With People, meu primeiro disco solo em estúdio. Eu não gostei mesmo dessa experiência; eu fui perfeccionista demais e tentei fazer tudo se aderir a um tipo de conceito de perfeição.

Daí em diante, eu comecei a gravar discos bem rapidamente, como um tipo de exercício onde o objetivo era fazer aquilo o mais rápido possível. Eu tenho amigos que nunca gastaram mais que $10,000 num disco, e eu me inspirei nisso. Então eu comecei a fazer discos em quatro ou cinco dias entre as gravações, a mixagem, e tudo mais. Isso deu muito certo. Gradualmente, meu amigo Josh Klinghoffer e eu ficamos bem confortáveis em fazer performances sob esse tipo de pressão. Nós nos tornamos muito bons em fazer as coisas em um take.


Alguns anos atrás, eu gravei seis discos em seis meses, num instante. Para esse disco, eu já tinha a maioria das músicas escritas, então [na mixagem] nós tomamos nosso tempo experimentando, fazendo overdubs malucos, e todo tipo de tratamentos. Não havia a intenção de deixar tudo perfeito, só queríamos que eles fossem o que nós sentíamos no momento, e capturar essa energia.


Nós gravamos muita coisa no espírito dos outros, mas ao invés de tentar mixar 12 canções em um dia, nós mixamos uma canção em dois dias cada, e gastamos muito tempo brincando com o som, e tocando a mesa de mixagem como um instrumento, tentando criar uma atmosfera. Eu enxergo a música como a construção de um prédio, onde você está criando esses espaços artificiais. Quando se está mixando, você está se deslocando de uma atmosfera para outra. A maioria foi gravada em 48 pistas, e existe muito deslocamento de uma cena para outra em um instante, onde você está num ambiente e atmosfera acústica diferente. Isso tudo foi feito com edições na fita.


Não estávamos sob pressão de fazer aquilo rapidamente ou de estar dentro de um limite econômico. Nós realmente decidimos não gastar mais que $10,000, e foi tudo gravado num período de um ano - eu estava em turnê e fazendo vários outros projetos, e também eu queria fazer as coisas num ritmo relaxado. Eu acho que nós ensaiamos por cerca de um mês, e depois gastamos um mês gravando e 20 dias mixando.


Muito daquilo soa bem improvisado.

Eu queria ter mais sessões de jams. Eu estava começando a achar que havia muito de "canção, canção, canção" nos meus álbuns solo anteriores, embora jams e solos sempre tenham sido partes importantes de mim, como músico. Por qualquer motivo que seja, eu nunca tinha usado muito disso, com exceção do meu primeiro disco solo; eu não estava solando tanto quanto tocando melodias. Alguns dos meus álbuns tinham solos bem longos, e eu queria fazer mais disso. As vezes eu tinha uma canção que tinha dois minutos e ela acabava tendo cinco minutos, porque eu adicionava um longo solo nela ou porque o arranjo original tinha vários longos solos no meio dela onde eu planejava fazer jams, para mudanças de atmosfera. "Central" é um bom exemplo porque ela vai de um espaço para outro, repetidamente.

Isso foi difícil após dar pausas tão grandes nas gravações?

Não mesmo. Eu não perdi nada. Eu pensei que perderia, e eu gosto de trabalhar em ideias musicais quando elas estão recentes. Quando as coisas são interrompidas por uma turnê, isso pode diluir o que o você faz. Mas nesse caso isso não aconteceu porque eu esperei por momentos em que eu estava me divertindo muito trabalhando naquilo. Então o disco aderiu-se ao conceito que a música deveria refletir, e isso se deu de maneira mais específica e pronunciada que eu esperava. Havia uma energia motivando as coisas que eu descobria que assegurava que nós trabalhássemos com a mesma vontade que no primeiro dia de gravação. Eu nunca tinha sentido isso em nenhum outro disco feito durante um longo período de tempo.

No meio do processo, algo mudou dentro de mim, e eu comecei a pensar em música como apenas o ato de fazê-la, e parei de me preocupar com a perspectiva de fazer um álbum. Eu comecei a pensar em termos de fazer música que eu gostaria de escutar saindo dos meus alto-falantes tarde da noite. Quando as pessoas começam a pensar em lançar um disco, há um tipo de investimento egoísta nisso. Mesmo que você seja um artista independente fazendo pequenos álbuns, quando você está pensando em fazer um disco ao invés de fazer música, você está negando um enorme aspecto dos poderes da criatividade. Eu acho que é um processo mais inteiro, natural. Essa mentalidade funcionou bem comigo, me fez olhar de volta com alegria para quando eu costumava gravar no meu quatro pistas. Quando eu fiz meu primeiro álbum, era música para eu escutar tarde da noite com meus amigos. E quando estávamos mixando esse álbum, foi totalmente isso que queríamos. Como eu disse, eu gosto de criar ambientes criativos, para que quando você escute tal música, seu quarto pareça um palácio.


Quais suas faixas favoritas no álbum?

Cada música era conectada com as outras em relação ao que elas expressam. Esse álbum não me parece uma coleção de músicas. Parece uma declaração única. Eu enxergo todas como se estivessem equilibrando umas as outras.

Se alguém estivesse vindo aqui e eu fosse mostrar a essa pessoa somente quatro músicas, eu mostraria "Before the Beginning", "Dark/Light", "Central", e "After the Ending" porque elas são pontos específicos do álbum. A música e o assunto das letras fazem um arco de um ponto baixo a um ponto alto. Eu queria dar a sensação de tentar alcançar alguma coisa e desistir, e depois tentar alcançar mais uma vez, depois desistir e então tentar alcançar de novo. Toda vez que você começa a alcançar, isso continua subindo para um ponto alto. Eu queria que a música, as letras, e o tema se sujeitassem à uma ideia específica. Não é que eu goste mais delas do que das outras canções, é só que eu gosto de quão bem elas funcionam. Pra mim, "Before the Beginning" começa nas profundezas sombrias de algum lugar estranho, e eu gosto de quão bem ela dá essa imagem. Originalmente, o álbum iria começar com um "bang" bem maior, mas eu percebi que isso não encaixaria no que eu estava tentando fazer em relação ao arco do tema.


Como você descreveu, existem várias atmosferas diferentes, e soa como se fossem setups diferentes para cada música. O que você usou para conseguir esses sons?

Em relação à guitarras e equipamentos, em todos os meus discos solo passados, eu nunca usei o mesmo rig que eu uso nos Chili Peppers. Nos Chili Peppers, eu sempre tenho um Marshall Major, Marshall Jubilee, e minhas velhas Fender Stratocasters. Minha Strat principal é uma sunburst de '62, e minha segunda favorita é uma sunburst de '57 (Nota do editor: consultas sugerem que a Strat na verdade é de '55), e minha terceira é uma vermelha de '61. É interessante, a relação entre o timbre de quando você toca uma guitarra desplugada e como ela soa através de um amp. Definitivamente existe uma relação entre como ela soa acusticamente e como soa com um amp. Essa é a minha guitarra com o som mais gordo, tanto desplugada como plugada. Tem muito a ver com a maneira como ela vibra quando você toca notas diferentes. Nessa guitarra, existem algumas casas em que você pode escutar um som quase que com reverb. Isso é por causa das molas na parte de trás, mas é interessante como algumas guitarras possuem certos pontos únicos e como elas parecem vibrar mais que as outras em alguns locais específicos. São essas coisas que dão personalidade a ela. Eu gosto de trabalhar e brincar com coisas desse tipo. Te dá um caminho a seguir ao invés de te dar todas as opções e nenhum lugar para ir. É como ter liberdade ilimitada, mas não saber o que fazer com ela.

Então, as guitarras desse álbum foram alguma dessas três Strats, e nas partes acústicas, um Martin todo de mogno. Para os amps, eu estava usando o Major e o Jubilee. Eu usei um Fender Bassman em algumas coisas, também. Nos últimos anos eu entrei de cabeça no que eu posso fazer com um Marshall e uma Strat, em relação a feedback, timbre, e coisas como pedais de wah. Como eu curto sintetizadores, eu comecei a estudar as ferramentas de um setup básico de guitarra com distorção, wah, alavanca, e amplificação. Eu comecei a encarar essas coisas como parâmetros, assim como os knobs de um sintetizador.  Elas são maneiras de produzir sons diferentes. Para esse, eu queria usar o mesmo equipamento que eu uso nos Chili Peppers porque essa é a parte de mim que eu passei mais tempo desenvolvendo.


O principal para o som da guitarra foi esse rig, e eu estava tratando-o com um sintetizador modular. Então as gravações geralmente não tinham nada além de um pedal de wah, distorção e fuzz. Eu uso o Boss Turbo Distortion bem regularmente, e um fuzz English Muff'n da Electro-Harmonix, que tem uma equalização bem extrema e um som grande, grosso, forte. Eu usei-o no solo de "Enough of Me". Eu aumentei a EQ, mas deixei os knobs de timbre da minha guitarra lá embaixo e usei ou o captador do meio ou do braço pra que o som inicial seja bem obscuro e meio que plano. Se você topar os controles de timbre no efeito, você consegue um som bem forte e bonito que me faz lembrar de um timbre do Eric Clapton no Cream bem exagerado, onde há um fuzz bem suave. Para esse solo, eu estava saltando de notas baixas para altas ao invés de seguir um pensamento linear. Eu estava meio que pensando de duas formas ao mesmo tempo ao, alternadamente, tocar notas bem baixas com notas altas, a umas duas oitavas de distância, e isso funcionou muito bem.


Eu também usei muito o Mosrite Fuzzrite, e um Maestro Fuzz-Tone, que é um pedal engraçado. Ele tem um cabo que entra na guitarra, e só existe uma saída para o amp. O reverb E-H Holy Grail é algo bem normal para mim, e o Ibanez WH-10 é meu wah padrão desde o Blood Sugar Sex Magik. Eu não acho que exista um wah melhor. Quando estávamos fazendo o Stadium Arcadium, haviam tantas partes com wah que eu pensei em usar uma variedade de pedais e não houve nenhum que chegasse perto do Ibanez. Existem alguns Crybabys que são legais, mas pra mim, eles não eram tão bons, porque eu uso muito feedback. Eu quero algo que quando eu coloque em uma posição, uma nota ressoe, e quando eu coloque em outra posição, outra nota ressoe. Simplesmente tem uma variação maior com o Ibanez porque ele tem uma faixa de frequência maior. Outro pedal é o Boss Chorus Ensemble, que eu uso para dividir o sinal no meu rig.


E, unidades de reverb digital antigas como o EMT 250, AMS, e o Lexicon Prime Time definitivamente foram uma grande parte do som da guitarra. Muita atmosfera foi criada usando esses reverbs e passando-os pelo sintetizador modular, e depois fazendo coisas estranhas como brincar com eles na mesa de mixagem. Eu gosto muito da combinação de usar reverbs digitais antigos com sintetizadores analógicos, módulos de sintetizador analógicos, e EQ's analógicas. Eu acho isso uma combinação mágica.


Como os sintetizadores foram usados?

Eu quis gravar a guitarra com os efeitos, depois tirar o som da fita, passá-lo pelo sintetizador modular, e mexer em alguns knobs e ter alguns dos outros knobs em essência mexidos pra mim por outros módulos. Brincar com os knobs do sintetizador pelo qual a guitarra está passando é bem parecido com adicionar efeitos. São como filtros passa-altas e passa-baixas, e tipos diferentes de deslocamento de fase. As vezes, eu toco um filtro como se fossem notas num teclado, mas tudo que você muda é basicamente a posição em que o seu pedal de wah está colocado, embora você esteja fazendo isso por passos ao invés de em uma maneira linear como é feito num pedal de wah. Mas você pode saltar de uma frequência para outra. Estou fazendo isso no final de "Unreachable", que tem quatro guitarras fazendo harmonias. Então, estou tocando um ritmo, como uma batida de bateria, mas é como se as frequências altas fossem a caixa e as frequências baixas são o bumbo. Então é basicamente como tocar um pedal de wah por passos, ao invés de em uma maneira linear. Ou seja, qualquer coisa que soe meio phaser ou chorus, ou incomum para uma guitarra, tipicamente eu faço com o sintetizador modular.

Você tem as guitarras preparadas de formas diferentes para atingir sons específicos?

Eu tenho. Eu uso cordas D'Addario .010 nas minhas guitarras principais, com elas numa altura nem alta nem baixa. Sempre que eu toco uma guitarra com cordas muito baixas, não parece ter muita diferença entre quando eu toco com muita força ou muito suave - o corpo vibra menos. Eu imagino que se eu tocasse as cordas com menos força, provavelmente eu me daria bem com cordas mais baixas. Mas eu vou de extremos, de tocar a guitarra bem suavemente até bem forte, e também existe uma diferença no som entre pressionar a corda com força ou não.

Que tipo de palhetas você usa?

Eu uso palhetas Dunlop Tortex .60mm laranjas. Quando eu toco com uma palheta pesada, parece ter menos diferença no som entre tocar suave e com força. Eu gosto da relação acústica do instrumento e de quando ele vibra mais. Parece que eu consigo aplicar mais variações no som ao ter uma palheta como essa, dependendo da maneira como ela é segura. Você pode fazer a mesma coisa com uma palheta pesada, mas uma palheta pesada nunca pode realmente fazer o que uma mais leve consegue em relação ao ritmo. Eu costumava usar palhetas pesadas quando eu era adolescente e gostava de tocar heavy metal rápido. Mas enquanto eu gradualmente passava a tocar com mais textura, eu passei a usar as palhetas Tortex laranja.

Quais são alguns dos instrumentos favoritos da sua coleção?

Eu amo as Fender Jaguars. A guitarra que eu possuo há mais tempo é uma Jaguar vermelha de mais ou menos '61. Ela tem um headstock da mesma cor. Eu também tenho uma branca bem velha que eu transformei em um sintetizador de guitarra. E eu tenho a minha Gretsch White Falcon. Eu costumava usar outras guitarras nos álbuns para dar uma variada no som, mas para o Stadium e o The Empyrean, foi praticamente só Strats. Eu também tenho uma Gibson SG Custom de 1960 com três captadores PAF. É uma guitarra legal. Similar ao que estávamos falando sobre cordas baixas, porque os captadores dela são tão próximos uns do outro, que não dá pra você tocar muito forte porque não há espaço embaixo das cordas. Você fica bem limitado por ter só a ponta da palheta pra tocar as cordas, e eu acho que muito do meu som, especialmente de guitarra rítmica, e de solo, vem de acertar as cordas com muita força usando mais ou menos da palheta, dependendo da nota. Então, eu não consigo tocar muito bem nessa guitarra então eu apenas uso-a quando eu quero ter uma regularidade suave no som, o que não é muito comum.

A Les Paul é de '69, mas eu não tenho certeza de quais anos são a ES-175 e a 335. Eu não toco muito nelas; eu as comprei porque Steve Howe tocava elas, mas elas não combinam muito com meu estilo. Eu acho que as Strats são uma extensão de mim mesmo, e uma Jaguar parece ser a segunda coisa mais próxima de ser uma extensão de mim mesmo. Les Pauls e SG's estão mais distantes. Com uma 175 ou uma 335, eu me sinto como uma pessoa totalmente diferente. Eu quase não consigo ver uma relação entre a maneira como eu toco e a maneira como essas guitarras são feitas. Se você cresce desenvolvendo um estilo numa Strat, é ela que você toca o tempo todo.


Eu também tenho uma Mustang vermelha, e ela é divertida. Eu também me sinto como uma pessoa diferente, mas ela é bem confortável, como uma extensão de mim mesmo... mas também parece um brinquedo ao invés de uma guitarra. A mesma coisa para a Duo-Sonic.


Na época do By The Way, eu tocava mais Telecasters que uma Strat.


Aquela Fender baixo de seis cordas é algo que eu procurei e que consigo me imaginar tocando mais. Existem certas direções estilísticas que eu escuto na minha cabeça, então um instrumento como esse é interessante de explorar porque eu gosto de tocar baixo. Eu acho que o P-Bass deve ser de '61. Eu toquei ele no fim de "Dark/Light" no meu disco.


Para violões, eu queria um igual ao que John Lennon toca em Magical Mystery Tour. Eu tenho um que é similar e do mesmo período, cerca de '65. Todos os meus violões tem o corpo pequeno e eu queria um que tivesse um corpo maior e que fosse bom para tocar acordes.


Eu tenho a maioria dessas guitarras há muito tempo. Quando eu entrei de novo nos Chili Peppers, eu só tinha uma guitarra - a Jaguar vermelha. Eu comecei a colecionar e meu amigo, Vincent Gallo, me ajudou a encontrar muitas guitarras. Eu queria especificamente aquela guitarra baixo de seis cordas porque era algo em que eu estava interessado em explorar, e o violão clássico que eu comprei, que é um Enrique Garcia; eu estava treinando violão clássico durante a turnê. Aquela St. George XK12... aquela coisa é uma chatice pra afinar! Eu tocaria mais nela se eu conseguisse afiná-la. Ela também não é das mais bem feitas. A Rickenbacker era de James Burton, e essa tem uma ponte especial com a sua inscrição. Essa foi outra que Vincent achou porque por um tempo, eu estava muito interessado nas músicas de James com Ricky Nelson.


Tem uma Strat branca legal do começo dos anos 60 que me foi alugada em algum momento por algum motivo, e eu me diverti tanto tocando ela que acabei comprando. Mas ela acabou não sendo muito capaz de se alternar com as minhas outras guitarras; é o tipo de guitarra com que você pode se divertir, mas que não é muito prática. Se você partir uma corda e alguém lhe der essa guitarra, você não vai conseguir fazer a mesma coisa com ela.



Com o passar do tempo, eu fiquei menos interessado em experimentar com guitarras diferentes e passei a tentar tirar o máximo que eu puder de uma Strat com fuzz. Para mim, existe uma certa mágica nisso, especialmente em Strats dos anos 60. No outro dia, um amigo me pediu para fazer um feedback para que ele pudesse samplear, e quando eu sentei com meu amp, eu estava fazendo sons como um modulador em anel - sons que eu nunca tinha escutado sair de uma guitarra.

Existem possibilidades incríveis quando se trata de tocar bem alto e com tipos diferentes de distorções e fuzz, usando a alavanca e a palheta, e cordas com diferentes tensões. Acho impossível eu me cansar disso.


Você manteve os captadores originais nas suas Strats?

Eu gostaria de ter mantido, mas eles eventualmente precisam sem trocados. A minha [de '55], eu comprei com um especialista que insistiu que a abríssemos para ver se os captadores eram originais. Ele e todo mundo da loja achou que eram originais. Então, anos depois nós descobrimos que eram captadores Seymour Duncan Vintage de Strat. Eles são tão similares aos originais que é difícil dizer a diferença no som. Eu tinha a minha '62, que tem captadores originais, e eu tinha a '55 com os Duncans, e o som era bem similar. As diferenças tem mais a ver com as guitarras do que com os captadores. Eventualmente, eu tive que colocar Duncans na de '62, também.

Muitas das suas guitarras foram compradas para ter sons diferentes em gravações, mas não com o intuito de usar no palco?

Eu as comprei porque eu pensava em tocar um estilo diferente em cada guitarra. Mas com o passar do tempo, eu não as usei muito. Com a Strat branca, foi uma experiência muito legal porque me fez tocar diferente, e fez a banda soar diferente. Se eu não tivesse passado por essa fase de compras, eu nunca teria descoberto a White Falcon e algumas outras. Eu definitivamente usei a SG e a Les Paul em maneiras que também deram um som diferente à banda. Eu tive que comprar guitarras diferentes para ver como elas se encaixariam no meu repertório, nas minhas composições, e na minha performance. Então foi uma experiência valiosa e fico feliz de ter comprado todas elas. As vezes eu passo por uma fase em que eu aprendo muito jazz, onde minha 175 ou a 335 é útil. Você nunca sabe em que tipo de direção você está seguindo. Foi só nos últimos anos após passar por uma longa fase de blues e estudar muito de Hendrix quando eu estava fazendo o Stadium Arcadium que eu me tornei bem conectado à Strat e a colocar todas as minhas energias criativas nisso.

Qual guitarra é a mais importante pra você, sentimentalmente?

A Strat de '62.

Existe uma guitarra que você ainda está procurando, ou algo que você sempre quis?

Existe; eu adoraria ter uma Les Paul de '59. Por anos, eu sempre quis ter uma mas elas continuavam subindo de preço. Eu realmente acho que existe uma guerra entre pessoas que pensam artisticamente e pessoas que pensam em negócios. Mesmo assim, eu acho que o mundo adoraria que as pessoas que pensam artisticamente começassem a pensar mais com uma mentalidade de negócios. Apenas por uma questão de princípio, você não compra uma guitarra só porque é um bom investimento. Então você passa a pensar em algo com que você deveria fazer música e ser criativo como um algo que tem um certo valor monetário ou benefício econômico. Eu não acho que isso seja uma boa maneira de se pensar num instrumento, e é a mesma coisa com muitas outras coisas. Eu gosto de pinturas, mas eu não quero comprar pinturas só porque eu as considero como algo que eu possa vender um dia. Eu quero olhar pra elas e pensar nelas como algo que me faça feliz. Eu prefiro olhar as pinturas que minha afilhada me fez ao invés de olhar algo e pensar, "eu posso vender isso um dia".

Me ofereceram Les Pauls de 59, e eu adoraria tocar uma. Mas elas são muito caras pra se considerar. Eu acho que é importante, como artista, a nunca pensar que qualquer coisa relacionada à música é julgada pelo seu preço. O que você pode fazer com aquilo é bem mais importante do que o custo. Se colecionadores que não tocam guitarras não as comprassem, o valor delas seriam baseados no que os guitarristas achassem que valesse. Mas quando as pessoas que realmente as usariam não tem essa chance, é uma pena.



-As três principais guitarras de Frusciante para uso no palco e no estúdio, tanto em sua carreira solo como no Red Hot Chili Peppers são essas Fender Stratocasters de 62...

-...da metade da década de 50,...

-...e de 61 (em vermelho Fiesta).

-Gibson SG/Les Paul de cerca de 1961 customizada com acabamento em vermelho-cereja.

- Fender Bass VI

-Esse Fender Precision Bass de cerca de 1961 pode ser ouvido em "Dark/Light", no "The Empyrean".

-Rickenbacker 365 Deluxe com acabamento em maple do começo dos anos 60, que pertencia a James Burton com uma ponte customizada com uma inscrição.
-Essa Fender Stratocaster do começo da década de 60, Frusciante afirma, é "...uma guitarra legal, mas é muito limitada pra mim. É o tipo de guitarra em que você pode se divertir, mas não é muito prática."

1969 Gibson Les Paul Custom

-St. George XK12 por Bartell da Califórnia.

Gretsch White Falcon

-Essa Fender Jaguar de 1962 em vermelho Fiesta é a guitarra que Frusciante possui há mais tempo que qualquer outra.
-Frusciante adquiriu essa Gibson ES-175 "porque Steve Howe tocava uma dessas".

-Frusciante adquiriu essa Gibson ES-335 "porque Steve Howe tocava uma dessas".

-Frusciante usou esse Martin 0-15 para gravar todas as partes acústicas no "The Empyrean". Ele também pode ser escutado em faixas do Red Hot Chili Peppers e do Mars Volta.

Veja todas as fotos dos instrumentos: A Coleção de John Frusciante

Tradução: Pedro Tavares

Fotos: Neil Zlozower
Fonte: Vintage Guitar - Abril de 2009

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