20 de março de 2017

A Essência de The Empyrean


John Frusciante descreve a essência do álbum The Empyrean, em parte excluída da entrevista ao site Hillingdon Mind da Inglaterra, publicada em outubro de 2008.


Você pode descrever a essência de seu novo álbum?

[Longa pausa e um gemido de John] "Ok cara... Eu acho que sim, eu não sei se posso responder a isso. Eu me pego pensando nos lugares de onde eu estava vindo ou as coisas que estão ligadas umas as outras. Eu sinto que eu estaria fazendo um desserviço tentando colocá-los em um parágrafo ou algo assim. Eu sinto muito por isso. Nunca me senti tão bem, sendo eu me colocando em um estado onde a gravação insistia em ser feita. Era mais parecido eu estar sendo usado para fazer uma gravação uma espécie de... Acho que eu poderia dizer como um nível de existência que não se expressa através da matéria ou por meio de pessoas em suas atividades, que é o nível de existência que está sempre lá, e eu tinha que colocar no lugar certo, para que esse nível de existência se expressa-se através de mim e é exatamente isso que ocorreu.

Eu nunca me senti tão bem, exceto talvez com a gravação do meu primeiro álbum solo, parecia que a mesma coisa estava acontecendo. Que eu sentia como se houvesse algum outro plano de existência que estivesse se expressando através de mim, que não poderia ser expressado de outra maneira ou senão por alguém exatamente no mesmo estado mental, de mente, espiritual e psicológico que eu estava, naquele momento. E que fosse através da música, não podia ser expressado de qualquer outra forma, mas com à música e suas letras.

A essência dele é algo imensurável, insondável não quantificado - e não é um lugar onde qualquer um poderia alcançar. Essa é a melhor maneira que posso descrevê-lo sem tentar reduzir todas as coisas compreensíveis, que seria fiel ao que aconteceu. Era quase como se eu tivesse idéias para as coisas e elas simplesmente aparecem, idéias de uma direção que eu queria que as coisas fossem ou o som que eu estava procurando e da maneira e circunstâncias que acabariam, portanto, em harmonia com isso, ou qualquer pensamento vago foi: como um conceito. O que estava acontecendo muito é que essas idéias vagas de um conceito ou de direção ou de continuidade nas letras, como as coisas gradualmente vieram juntas, como eu trabalhei nesse álbum tantas vezes ao longo de um ano, eu teria que encontrar coisas que parecem ser oportunas e acabariam tendo uma ligação direta para consubstanciar essas vagas idéias, que não era algo vago em tudo. E assim ele carrega aquela sensação de que isto é algo tentando se expressar e ele está me usando para fazê-lo. E embora eu tivesse idéias conceituais específicas em relação a ele, elas eram muito mais vagas do que o resultado final foi. E por isso senti que meu cérebro e minha alma eram uma espécie de intermediário, senti como se o participante real em algo era desconhecido, e o resultado final não poderia ser outra coisa do que acabou sendo.

Isso é o mais próximo que eu posso vir a descrever sobre à essência dele, porque isso é algo que não está acessível em qualquer outra forma, senão exatamente da maneira que eu obtive para poder alcançá-las. Eu estava realmente querendo fazer um disco que eu pudesse sentar e ouvir até tarde da noite, seria colocar minha mente em uma viagem para longe. Eu realmente não estava ouvindo muito rock, é estava realmente querendo fazer uma música que tinha todas as qualidades que eu estava querendo ouvir nesse tipo de música. Eu não posso ir muito à fundo nele, mas coisas como a variação tonal e coisas como efeitos sonoros e psicodélicos... O tipo de música que constroem... a música constrói espaços.

Você pode estar em uma sala com um teto de 4 metros, mas a música que você está ouvindo faz você se sentir como se fosse 100 metros de altura ou algo assim. Eu queria produzir esse tipo de efeito com a música. Era importante para mim a necessidade de criar esses espaços com música. Então eu acho que muito da minha motivação foi o desejo de construir locais e espaços e criar um certo ambiente artificial através do meio eletrônico do estúdio. Eu acho que eu não quero ... Eu não estou preparado agora para ir para o aspecto lírico, mas o que eu queria alcançar com as letras também foi muito específico. E novamente eu não tinha idéia de como específicas elas iam ser. Tão específicas quanto foi para mim em relação a qualquer outra coisa que eu fizesse, ainda eram muito vagas em um monte de maneiras específicas em comparação com o que acabou por ser. E por esta razão eu me sinto como se eu fosse só uma espécie de uma ligação, para algo que precisava ser expressado. Portanto, a essência do que é provavelmente todas as coisas desconhecidas. [John ri]

Na música esta idéia está sendo expressa, e no final, na música há cada elemento que tem vindo a fazer alguma coisa para música, está constantemente em um número diferente de outras coisas, e ainda por cima, dependendo de onde um músico coloca algo, em relação a onde o outro músico coloca algo, essas coisas parecem ter o tipo de forma de empurrar e puxar cada compensação entre si. A bateria pode soar como uma batida realmente funky se o guitarrista delicadamente coloca suas notas no meio de determinadas maneiras. Eu tenho o ponto onde eu estou constantemente analisando a música deste ponto de vista numérico, como eu me tornei ciente de um sistema de análise de música onde é muito palpável a partir dessas relações. Eu aprendi música no meu violão minha vida inteira estudando - aprendendo a parte de baixo, aprendendo a parte de guitarra, aprendendo a parte do teclado, e eu notei que na música que ouço como sendo ruim - expressa muito pouco sobre as mudanças - e isso é uma outra coisa que eu sinto que a música está constantemente expressando - a mudança: essa é a natureza do deslocamento e movimento, e no final não é nada, na verdade o que mudou... Estou ficando fora do assunto..."


Postado originalmente por Cidimar Lima no Universo Frusciante em julho de 2011.

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