24 de junho de 2017

John Frusciante querendo ouvir The Getaway - e a relação com os Chili Peppers!


Há um ano os Red Hot Chili Peppers lançavam o álbum The Getaway. Como é de praxe, para a divulgação do trabalho muitas entrevistas foram realizadas, junto a elas uma enorme onda de perguntas sobre John Frusciante foram direcionadas a Anthony Kiedis, Flea, Chad Smith e, principalmente, ao herdeiro do cargo, Josh Klinghoffer.




Anthony Kiedis

- La Viola - Junho de 2016



Entertainment Weekly - 21 de junho de 2016
Após entrar e sair, o guitarrista John Frusciante deixou a banda em 2009 e foi substituído por Josh Klinghoffer. Você tem falado com John recentemente?

"Não tenho falado com o John recentemente. Mas escutei algo positivo e adorável, que era sobre ele estar querendo escutar o disco. Isso me deixou feliz, escutar que: (a) ele se importou e (b) que não havia nenhum tipo de rancor no ar. Quando John saiu foi uma grande perda, porque ele é um parceiro de composição brilhante e simplesmente um grande ser humano musical. Mas isso também abriu a oportunidade de termos alguém novo. E muitas vezes o sangue novo cria uma nova química e talvez lhe dá aquela injeção de energia na bunda pra te manter seguindo por outros cinco ou dez anos."

Como os Chili Peppers mantiveram uma relação de trabalho frutífera por tanto tempo?

"Nunca tivemos nenhuma confusão sobre que tudo deve ser igual: a partilha do trabalho, do dinheiro, da alegria, da dor. Esse foi um grande passo na direção certa para termos o potencial para a longevidade, porque muitas bandas brigam: "Ei, eu escrevi isso!" Temos amor e respeito uns aos outros; nós brigamos regularmente. Nossas atitudes, nossos humores e nossos egos entram em conflito - mas conseguimos superar isso. Somos capazes nos virar. Flea e eu somos como irmãos. Eu acho que o relacionamento nunca vai acabar não importa o motivo, porque você não consegue abandonar seu irmão. Você simplesmente não consegue."

Journal de Montreal - 23 de julho de 2016
Josh está na guitarra, ele está de maneira definitiva no Red Hot Chili Peppers ou a porta está ainda aberta para um retorno de John Frusciante?

"Ha! Ha! Ha! Gostaria apenas de dizer que não há porta. Isto não é necessário. Acho que ele está feliz com o que ele fez e estou extremamente feliz com o que estamos fazendo com Josh. Ele é um músico incrivelmente criativo e inspirado. Sempre serei grato por ter feito música com John. Este é um dos grandes roqueiros. Mas ele não sente falta. "

Você já ouviu falar dele recentemente?

"Não, mas eu ouvi algo positivo, que ele queria ouvir o álbum. Eu pensei que seria o oposto. Isso mostra que ele se preocupa com a gente. Eu prefiro assim." 

- Qmusic - Novembro de 2016
"Nós efetivamente excursionamos com [Josh Klinghoffer] no Stadium Arcadium, pois ele foi o nosso guitarrista de apoio em algumas partes da turnê. John [Frusciante] queria uma guitarra extra para partes rítmicas e coisas assim, então tivemos uma prova do Josh na era de Stadium Arcadium."

Quando perguntado sobre ter que substituir Frusciante, Kiedis disse que ele sabia que seria um desafio.

"É sempre uma chatice."

Ele acrescentou: "É sempre como rolar os dados. Poderia ir bem, poderia ir mal, você não sabe, mas sabíamos que Josh era um músico descontroladamente dedicado, tanto nas composições e no estúdio, como em turnês. Sua vida é dedicada a música, mais do que qualquer pessoa que eu saiba o bastante. Ele era uma aposta relativamente segura para nós, [mas] não éramos necessariamente uma aposta segura para ele. Quando oferecemos para Josh o trabalho, ele foi tipo, 'Está okay se eu pensar sobre isso por uma semana?' - e eu, 'Sim, você deve pensar sobre isso por uma semana'."

"Fiquei agradavelmente surpreendido, isso o fez parecer mais inteligente para mim, porque se ele dissesse que 'sim' sem pensar, talvez seus motivos não tivessem sido tão claros. Mas para ele pensar, se isto seria o que ele realmente queria dedicar a sua vida a fazer, eu poderia ter certeza de que ele estava certo disso." 

- The Woody Show - Março de 2017
"Eu apenas diria por meio de magia. Não pensamos muito nisso, não ficamos excessivamente analíticos. Eu penso que apenas deixamos o espírito seguir, e prestamos atenção ao longo do caminho. A vida é inspiradora, a dor é inspiradora, as mudanças no mundo são inspiradoras, a natureza é inspiradora. Também tivemos sorte, e muitos acidentes imprevistos aconteceram ao longo do caminho.

Tivemos o grande John Frusciante tocando música conosco durante anos. Um dia, ele se levantou e foi embora. Ele foi tipo: 'Certo, eu já estou cheio de fazer essa coisa de rock and roll' e nós: 'Ok, compreensível.' 'Josh [Klinghoffer], você se importa de tocar guitarra conosco?' E então tivemos todo esse novo reservatório de sangue derramado em nossa existência, e isso inspirou mais dois discos. Isso simplesmente continua acontecendo ao longo do caminho." 



Flea

- Folha de S. Paulo - 10 de junho de 2016
"Eu aprecio o amor que as pessoas têm por ele. Eu amo John, é meu amigo. Mas ele não está mais interessado nisso. Ele só quer se divertir fazendo as coisas do jeito dele", diz Flea. Frusciante declarou que não vê mais espaço para ele na "música comercial".






Chad Smith

Rolling Stone - 20 de junho de 2016

Você fala com John Frusciante?
"Não tenho falado. Uma vez ou outra ele me manda uma mensagem ou um e-mail ou algo assim. Eu sei que o Flea encontrou com ele recentemente e eles passaram um tempo juntos. Mas eu não tenho tido muito contato. Ele está fazendo as coisas dele. Eu amo o John. Ele é um dos músicos mais incríveis com quem eu já toquei. Fico muito feliz que ele esteve no nosso grupo. Mas eu acho que ele está feliz fazendo as coisas dele, o que ele quer fazer, e isso é ótimo. Eu quero que ele seja feliz."



Josh Klinghoffer


- Jornal Metro - Julho de 2016
Falando desse "não gostar", você se cansa da constante comparação com John Frusciante? 

É claro, fico entediado. Com essa observação, é uma honra fazer parte desse grupo, e uma honra ser mencionado no mesmo contexto que Frusciante. Mas todas essas comparações são absurdas. Sério, a pessoa que tenta nos comparar, é uma coisa idiota. Porque somos duas pessoas completamente diferentes. Eu nunca tentei imitar seu estilo. E, é claro, eu não estava tentado tirá-lo da banda.

Acho que você já respondeu essa pergunta repetidamente, mas como você conheceu Frusciante? 

Depois de Bob Forrest, eu toquei com ele. Com a ajuda dele, eu conheci o resto do Red Hot Chili Peppers.

Você tem tido boas relações com John desde que ele saiu da banda? 

Elas não são boas e não são ruins. Eu diria que não há muito de uma relação no momento. Entre nós, em um certo momento, houve um tipo de vazio - ele tentou se distanciar do grupo o máximo possível, e eu, ao contrário, tive que aprender a viver nele. Nós não brigamos, só que de alguma maneira nossos caminhos se separaram. Eu acho que um dia nós iremos novamente nos comunicar bem.

Mas você esteve com ele no mesmo projeto conjunto maravilhoso, Ataxia, por que não continuaram trabalhando nisso? 

[Nós não paramos, porque você nunca para o que não começou.]* Nós gravamos dois álbuns - cada um com cinco músicas - por semana. Então o baixista (Joe Lally) foi pra Itália com sua família. John voltou pro RHCP, e eu comecei a trabalhar com outras pessoas.

Você gostaria de compor algo novamente com Frusciante? 

Sim, definitivamente.

- La Tercera - 03 de julho de 2016
Apesar do tempo decorrido, você sempre é comparado a John Frusciante. Foi muito difícil encontrar seu próprio lugar na banda?

"Não foi difícil para mim. Como eu disse, desde que entrei, meus companheiros de banda foram muito acolhedores e muito abertos a minha entrada, meus sons e minhas opiniões sobre música e sobre tudo. Eu nunca poderei agradecê-los o suficiente, mas sobre o que as outras pessoas pensam, eu não tenho controle sobre isso. Eu sei que há pessoas que estão sempre me comparando ao John [Frusciante], o que é ridículo. Eu não sou ele.

Eu não me tornei um guitarrista da mesma maneira que ele se tornou. Ele estudou muito meticulosamente desde quando era muito jovem. Ele se tornou um guitarrista incrível, e ele se concentrou em um instrumento específico. Eu não fiz isso. Eu era um baterista e eu peguei a guitarra quando eu não queria mais tocar bateria. Eu não leio muito as coisas na internet, mas eu sei que há muitas discussões sobre esse assunto. É bom que as pessoas estejam interessadas em falar sobre música, mas eu tento ficar longe disso."

- Daily Record - 30 de agosto de 2016
"Eu ainda continuo a ser criticado. A internet é um lugar assustador. Você não consegue deixar de notar algum comentário ruim no YouTube quando vai assistir um vídeo de alguma performance ao vivo sua ou ver alguma filmagem de como a banda costumava tocar certa música.

Existem muitos ótimos vídeos também mas é engraçado como as pessoas podem ser tão insensíveis e achar que significa alguma coisa eles postarem seus comentários negativos na internet.

Na minha mente, quando o Flea me pediu pra entrar na banda, eu considerei tudo - inclusive todas as críticas que eu poderia receber das pessoas que são devotadas ao meu antecessor.

Você tem que ficar lembrando a si mesmo que tudo isso é um faz de conta e que isso não reflete a maneira como todos realmente pensam - seja positivo ou negativo. É por isso que estamos num clima político tão estranho.

As pessoas não tem senso de atenção e reagem de maneira estranha a comentários extravagantes. Veja Donald Trump. Isso é outra piada que se não for levada a sério pode se tornar um grande problema para todos nós. Felizmente, isso não irá acontecer e todos nos iremos manter a cabeça fria, e as mentes mais calmas prevalecerão. É tudo uma bagunça."

- Pirate Rock 95.4 - Setembro de 2016
"John Frusciante sempre foi um dos meus guitarristas favoritos, o que é estranho, pois eu toco na mesma banda em que ele tocou."

"Ele está fazendo sua própria música em casa. Ele e eu não nos falamos há anos, pelo fato de ambos estarmos fazendo coisas que o outro quer estar distante. Se eu vou estar nessa banda, já é o suficiente que eu tenha que subir num palco e tocar as canções escritas por alguém que era tão próximo de mim, e fazê-las ficarem do meu jeito. Do mesmo jeito pra ele, ele queria ficar distante dessa banda. Se ele e eu estivéssemos nos falando o tempo todo, seria muito difícil pra ele manter distância da banda."

"Eu acho que iremos nos falar um dia, eu ainda tenho todo o amor que eu sempre senti por ele, eu só acho que para o bem de nós dois, nós precisamos não estar de frente com o que o outro faz. Não vou nem falar do fato que tenho certeza que muitas pessoas gostariam que ele estivesse aqui, e não eu. Se eu estivesse falando com ele toda noite, seria estranho."

- La Razon - 28 de setembro de 2016
Não é uma tarefa fácil quando tem três décadas de história e você entra no trem já em movimento, como no caso de Klinghoffer, que substitui o lendário e instável guitarrista John Frusciante.

"Não, claro. As pessoas esperam algo em particular de você, mas eles não são capazes de explicar o que é, essa vibração que só Anthony Kiedis e Flea podem obter e ninguém mais. Propus minhas idéias sem medo, embora seja verdade que algumas estavam longe de ser o padrão do grupo. Claro, as mais distante foram rejeitadas, mas há um par de músicas do álbum que veio de minhas propostas."

Frusciante escreveu algumas linhas de guitarra memoráveis.

"Sim, e eu não estou cansado de pessoas me perguntarem sobre ele, embora eu não sei o que dizer. Eu só... Eu faço o melhor que posso. Eu acho que parte da minha contribuição também tem sido algo pessoal. As três pessoas que compõem a banda por muitos anos gostam do que fazem, acho que agora, pelo menos de verdade. E isso é o que faz as coisas funcionarem."

- Gitarre & Bass (Alemanha) - Novembro de 2016
Você tinha 17 anos quando se tornou um músico profissional. Abra seu coração: você em algum momento tinha sonhado em tocar em uma banda como os Chili Peppers?

"(Risos) Não, nunca. Você tem de se lembrar como tudo aconteceu. Eu era amigo de John Frusciante e toquei com ele em seus álbuns solo. Depois, eu toquei como guitarrista de apoio para os Chili Peppers e fiz a turnês com eles. Então, John decidiu deixar a banda e eles me convidaram para se juntar a eles. Eu acho que foram um monte de coincidências das quais eu jamais sonharia. Sabe, é impossível. Eu estava no lugar e na hora certa, em várias ocasiões."

Você ainda mantém contato com John?

"Não. Nós dois estamos muito ocupados. Honestamente, seria muito estranho, eu, tocar com os Chili Peppers e ainda conviver com John. Eu acho que pra ele, isso não rolaria de forma natural também. É melhor manter uma distância, na minha opinião."

Mas vocês eram melhores amigos. Certo?

"Sim, com certeza. Na vida particular. Mas não são meus planos ficar sem falar com ele até o dia em que eu morrer. Nós decidimos trilhar caminhos diferentes. Seria estranho se eu e ele conversássemos pessoalmente. Especialmente para mim, que tive alguns problemas com este novo álbum. Eu não posso ligar pra ele para reclamar "disso ou aquilo" e contar como eu me sinto mal a respeito de certas coisas. Por que mostrar minhas fraquezas? Por que ele deveria ouvir isso? E o quanto doloroso isso seria para ele? Eu acho que nos deveríamos por as coisas às claras entre nós."

Você se imagina tomando uma decisão radical como a que John tomou de sair da banda para gravar um álbum solo algum dia?

"Não faço ideia (risos). Eu acho que ele teve mais razões para sair da banda, além da vontade viajar menos em turnês e ter mais tempo para fazer sua própria musica. Portanto, pessoalmente, eu acho que eu não tomaria tal decisão tão cedo. Pessoalmente, eu adoro tocar com eles e eu espero por mais projetos e oportunidades de criar algo especial." 

Winnipeg Free Press - Maio de 2017
 Você sente dificuldade em se impor, então?

"Não, eu não sinto dificuldade para me impor. Eu acho que você está num grupo de quatro pessoas de vontades muito fortes e não importa o que você faça, você estará indo contra mais de 30 anos de história de banda e sem saber onde tudo isso vai dar, então é difícil deixar qualquer um tomar a direção... mas eles foram mais do que generosos, acolhedores e abertos a cada ideia, a tudo que eu contribuí.

Quando eu entrei na banda, com exceção de talvez um show que eu tenha feito com alguém ou de quando Flea e eu estávamos tocando juntos com John Frusciante em um dos seus álbuns solo, e eu estava tocando bateria, Flea e eu não tínhamos tocado muito juntos, basicamente ainda estávamos formando esse relacionamento musical e eu acho que isso também seja algo raro.

Eu entrei na banda sem ter tocado muito com eles. Eu acho que quando ideias são descartadas, não existe uma história, e talvez seja isso que vá contra o que estávamos discutindo antes. A coisa toda é estranha, mas, tendo dito tudo isso, eu acho que está funcionando e que ainda está crescendo e o mais importante é que eles três são três das melhores pessoas que eu poderia considerar amigos."


Matéria: Raphael Romanelli Andrade de Oliveira
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