13 de julho de 2017

John Frusciante homenageia Johnny Ramone - Agosto de 2008


Em 01 de agosto de 2008, o radialista Joe Escalente estava presente no evento para homenagear o falecido Johnny Ramone no cemitério Hollywood Forever, em Los Angeles, e entrevistou algumas celebridades convidadas para a Radio Indie 103,1. John Frusciante foi umas das pessoas convidadas a falar sobre Johnny Ramone e The Ramones.


103,1 Indie. Nós temos John Frusciante do Red Hot Chili Peppers, sentado conosco agora. John, obrigado por ter vindo.
Obrigado.

O que você acha do espetáculo? Esta bem legal...


"É uma noite agradável."

Sim, é uma noite agradável em Hollywood. Em um cemitério. Então, John... The Ramones... Bem, vamos contar mais algumas histórias.

"Umm ... na medida em que Johnny foi... Eu só... Eu nunca conheci ninguém que tivesse uma ideia tão clara sobre o que ele achava que era legal e o que ele achava que era bom na música e na performance ao vivo, e os Ramones eram definitivamente como, um resultado de todos os anos desde que... Desde os anos 50, quando ele foi um dos primeiros ouvintes da música rock'n'roll , até a década de 60, quando ele estava constantemente indo a shows inconstantemente avaliando e classificando cada artista e cada banda que ele viu. Isso é bom, é bom quando um cara tem um elemento principal, e é bom quando eles estão perto de um ao outro, ou quando eles não olham uns para os outros, você sabe, ele teve todas essas idéias."

John Frusciante e Johnny Ramone em 1999.
Sim, ele escreveu um livro...

"Sim, todas essas idéias que ele desenvolveu a partir de ser apenas um fã de música e, eu penso que, o que os Ramones acabaram sendo em termos de performance ao vivo e em termos de sua manifestação na música... é como esta ideia específica do que era legal e o que era bom, cruzou-se com, total... ele teve naturalmente um pulso direito muito forte, então ele foi naturalmente, capaz de fazer rápidos movimentos descendentes, mas eles... Pra mim a verdadeira lição nisso, é apenas o que eles mostraram, que você poderia fazer algo que era tão bom e tão legal quanto, como qualquer uma das coisas que haviam sido considerado boas antes disso. É... coisas como Led Zeppelin e coisas do tipo, essas pessoas eram grandes músicos."

Virtuose, técnica, mas...

"...Mas você poderia ser apenas tão legal e tão bom quanto isso, e ter tanto poder quanto uma banda, só por estar meio que seguindo essas orientações que ele havia desenvolvido em sua cabeça em termos de, tanto quanto do que é legal, é a maneira como ele teria de colocar isso, e ele também foi muito coerente com suas crenças, ele só não queria estar sempre se contradizendo ou voltando atrás. O que ele sentia, se sentiu muito forte sobre isso e o que também foi a razão pela qual os Ramones não parava de fazer as suas coisas, sem se importar, não importasse o quê. Ele não quis, assim... Começar a mudar o estilo e começar a mudar a sua estética. Você sabe, ele sentiu, sentiu muito fortemente que foi o que ele tinha encontrado e você sabe..."

Eu posso imaginar certo tipo de pessoas dizendo a eles... "Ei, você tem que fazer isso, você tem que fazer aquilo, você não quer chegar deste nível, a esse nível?" Ele não parecia se importar.

"Bem, sim, havia outras bandas de sua mesma época que foram num sentido mais comercial, enquanto os Ramones apenas continuaram fazendo barulho a diante, fazendo as coisas deles. Mas, você sabe, isso... foi um verdadeiro prazer para mim poder ser amigo de alguém que tinha um espírito tão... Porque pra mim todas essas coisas são subjetivas, não há realmente uma coisa que é legal, ou uma coisa que é boa ou o que quer que seja. Mas..."

Você tem que ter coragem para dizer "Certo, eu estou indo com isso!"


"E... O que você sabe, a ideia de que essas coisas são subjetivas é algo que para mim é importante, mas se Johnny se sentisse assim, nunca teria existido os Ramones. Havia coisas como os Stooges ou o que quer que seja antes disso e, no que me diz respeito, eles foram a banda mais punk em primeiro lugar, mas não foi tão conciso, não era tão..."

John Frusciante e a viúva de Johnny Ramone, Linda Ramone, na cerimônia em 2008.
Foi tudo fora do lugar.

"Sim, foi um pouco... Quer dizer... Eu só quero dizer em termos de fazer exatamente, algo especificamente em..."

Em foco?

"...Neste esfera centrada daquilo que é punk rock, os Ramones foram muito mais. Eu não acho que haja algo de grande em não fazer solos de guitarra ou algo que você estava dizendo, mas é..."

...Mas que ele tomou essa decisão?

"Mas o fato de que ele não fazê-los, abrir espaço para muitas pessoas que não podiam tocar solos de guitarra, sentir-se confortável em estar em bandas, eles poderiam ter..."

Flea, Linda Ramone e John Frusciante na cerimônia em 2008.
Começar uma banda...

"Eles nunca estiveram confortáveis com isso antes dos Ramones."

Eles estavam intimidados pela "Stairway To Heaven" antes disso, e ele disse que eu não preciso disso.

"Isso."

Quero dizer, veja isso, que é o que aconteceu comigo. Como baterista, eu disse: "Qualquer um pode tocar bateria... se esse cara pode." Mas você pode fazer isso com o poder e você pode fazer isso com a persistência... Mas ainda assim, você é arrastado para dentro daquilo.

"Sim, tem mais a ver com atmosfera, energia e o colocar seu espírito dentro e, se você sentir que tem algo a dizer, não significa que não ter uma maneira técnica deve impedi-lo disso. Sem uma maneira técnica vai fazer você poder fazer isso. Isto tem que apenas vim de dentro, e os Ramones nos ensinaram isso."

Linda Ramone, John Frusciante e Rose McGowan na cerimônia em 2008.
E milhares de bandas foram começadas, mas poucas delas têm o legado que os Ramones têm e é por isso que estamos aqui esta noite... E nós estamos honrando Johnny Ramone.

"É..."

Foi uma honra falar com você, um verdadeiro amigo de Johnny Ramone ... John Frusciante, eu não posso acreditar que você estava nervoso e esperando o que eu iria dizer e, você ficou bem a vontade aqui.

"Legal!"

E agora, nós vamos dar um exemplo aqui, esta é Rockaway Beach na Indie 103,1, estamos honrando Johnny Ramone. Indie.


Tradução: Pedro Felipe

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