22 de julho de 2019

John Frusciante e seu ponto de vista religioso - Janeiro de 2009


John Frusciante fala sobre o título The Empyrean e sua relação com a religião - em entrevista com Joe Bosso da Music Radar.

"Meu ponto de vista religioso é algo que eu realmente não posso comentar. Vai contra meu sistema de crença falar publicamente sobre minha crença espiritual particular. No caso do The Empyrean, eu acho que estava mais usando "o ponto mais alto do paraíso" como um símbolo para as coisas na vida que todos nós estamos alcançando e aquelas coisas que são uma espécie de “além do nosso gramado”. Mas ainda há algumas fagulhas dentro de nós que podem nos instigar a querer alcançá-las e nos levar aos níveis mais altos, quer seja em um instrumento, seja ele qual for. Como seres humanos, apenas temos essa necessidade de alcançar e... para alcançar novos níveis, mas muitas vezes eles estão totalmente fora do nosso “gramado”, mas isso não os torna menos racionais para chegar até eles. Há uma citação que o escritor William Burroughs costumava sempre citar, que era que não há objetivo que mais vale a pena lutar para obter e... eu estou parafraseando, mas é como que não há objetivo mais válido para se lutar para obter do que a imortalidade, sabe, e... e é apenas... Bem, eu não acho que seja bom estar sempre meio que acreditando que a grama é mais verde do outro lado, eu realmente acredito em empurrarmos nós mesmos para alcançarmos níveis que possam parecer distantes, é apenas empurrar a si mesmo para chegar até lá.




E no meu caso, isso tem tudo a ver com música, sabe, eu sempre tentei alcançar novos níveis e também é uma das coisas do disco, que às vezes em sua jornada há desistências, às vezes você pode desistir por um tempo ou pode na verdade ser uma maneira de regenerar energia suficiente para continuar empurrando-se para cima, sabe, e musicalmente, na temática das minhas letras, a música no meu disco repetidamente se mantém meio que indo de uma espécie sombria de profundidade para um ápice, depois desce do ápice e depois para outra profundidade, e depois mantém elevando-se novamente e indo cada vez mais alto, e depois decaindo novamente e isso é para mim como uma forma de respirar. Houve um tempo na minha vida que eu simplesmente pintava, eu parei de tocar música, houve tempos na minha vida que parei de pensar criativamente com meu instrumento e comecei a pensar puramente tecnicamente, e acho que todas aquelas coisas tiveram um valor, mesmo não sendo algo que eu gostaria. Não são coisas que você deseja fazer, mas acho que no processo de tentar subir e subir, eu não penso tão solidamente em fazer qualquer coisa, mas subir e subir constantemente, alcançando e empurrando, eu acho que isso eventualmente produz um tipo de tensão onde você não será capaz de subir a qualquer nível, onde você pode na verdade, no longo caminho, ganhar mais ímpeto se você ouvir o seu relógio interior, você pode ocasionalmente desistir ou, em um senso simbólico, pode ter que morrer com a finalidade de renascer."




- Music Radar - Janeiro de 2009

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